À luz da ciência do CAP

por Luís Coelho, Investigador no Centro de Fotónica Aplicada (CAP) 

 

Aproveito esta oportunidade para fazer uma breve descrição de quem sou e o que é o Centro de Fotónica Aplicada (do inglês CAP). Cheguei ao INESC TEC em fevereiro de 2010 pela mão do Professor José Luis Santos e cedo percebi que o atual CAP (na altura era UOSE – Unidade de Optoelectrónica e Sistemas Eletrónicos) seria o local ideal para crescer tanto a nível pessoal como profissional. Pessoal porque faz parte da cultura deste micro planeta embebido neste pequeno sistema solar que se chama FCUP a existência de um ambiente de amizade profundo por vezes confundido com família. Os lanches diversificados, as atividades conjuntas e as curtas tertúlias diárias no café da manhã e da tarde são um claro sinal da nossa vitalidade social.

Desde a minha chegada ao CAP tenho assistido ao aparecimento de novas estruturas e pessoas dinâmicas que considero de extrema importância para o CAP e que apontam diretamente para o desenvolvimento do INESC TEC na sua componente global.

Exemplo disso é a sala limpa da FCUP, gerida pelo nosso coordenador, e que teve na sua origem uma contribuição substancial do CAP sendo atualmente fundamental para grande parte da investigação que desenvolvemos. Outros exemplos são as recentes evoluções em sistemas complexos de lasers liderados por Paulo Marques e Pedro Jorge. Com estes sistemas temos a capacidade de fabricação de microestruturas no interior de qualquer tipo de substratos de sílica o que permite levar a realidade para além do sonho. A deteção da presença de elementos químicos em diferentes tipos de amostras é também real através da combinação de um lasers e espectrómetros dedicados.

A fundação de um grupo de estudantes da sociedade de ótica e fotónica (do inglês SPIE Chapter) na Universidade do Porto, único no país, foi um marco extremamente importante do qual eu fui presidente com orgulho em 2014. Este grupo tem sido liderado por doutorandos do CAP com rotatividade anual e tem tido reconhecimento internacional pelas suas ações de promoção da ótica e fotónica

No universo INESC TEC os projetos integrados têm sido uma via aberta para a cooperação interna e que na minha opinião têm funcionado, existe hoje uma maior interação entre centros do que existia no passado, mas confesso que não é fácil ultrapassar o facto de estarmos fisicamente afastados uns dos outros. Os recentes clusters estão a arrancar com força e são uma oportunidade séria de vermos minimizada esta barreira espacial entre os diferentes centros. No nosso caso fazemos parte do NIS, um cluster com uma diversidade científica enorme. Há quem pense que somos um cluster que não vai conseguir ser forte, mas a avaliar pelo sucesso do que foi o último workshop é caso para dizermos “a nós ninguém nos para!”.

Para quem ainda não sabe ou tem estado distraído, no CAP desenvolvemos soluções óticas para sensorização de parâmetros físicos, químicos e biológicos quer através da utilização de guias em fibra ótica ou em substratos planares quer através de ótica em espaço livre. E dentro do INESC TEC estamos sempre à espera de que nos apresentem desafios para que possamos pensar em soluções… óticas!

Um exemplo desta atividade são os sensores em fibra que estamos a desenvolver para monitorizar estruturas de betão. Este é um trabalho conjunto com a Universidade do Minho no projeto SolSensors do qual eu sou responsável no INESC TEC. Pretendemos com este projeto conhecer o estado de degradação do interior do betão com sensores em fibra ótica revestidos com polímeros específicos e instalados no momento da fabricação da estrutura, tudo isto sem a necessidade de abrir buracos no betão armado já instalado.

Sou também responsável de um projeto interno que visa, através de meios óticos, fazer a deteção de aminas biogénicas nos produtos de origem animal e que se desenvolvem durante processos de fermentação. O seu consumo causa em geral graves efeitos toxicológicos, indesejáveis para a saúde humana. Lá por comprarem carne num talho não significa que esta não tenha aminas biogénicas. E lembrem-se… carne picada só na hora!

 

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