Pedro Macedo
“O Pedro Macedo teve um papel fundamental em todas as etapas do projeto ‘Análise do Impacto do Autoconsumo Coletivo nas Perdas da Rede de Distribuição’, desde a definição dos conteúdos e metodologia na fase de proposta, passando pelo desenvolvimento dos estudos, até à elaboração do relatório final. O cumprimento dos prazos do projeto só foi possível graças ao seu empenho e dedicação, que se refletiram num esforço notável, compromisso e rigor foram essenciais para o sucesso deste desafio”.
– coordenação do CPES
O Pedro esteve envolvido no projeto “Análise do Impacto do Autoconsumo Coletivo nas Perdas da Rede de Distribuição”; poderia falar-nos um pouco mais sobre esta iniciativa (principais objetivos, resultados a salientar, qual o fator diferenciador, etc.)?
Este estudo surgiu no contexto de uma imposição legislativa que exige que os operadores de rede quantifiquem o impacto do autoconsumo coletivo nas perdas da rede de distribuição.
As comunidades de energia permitem que os seus membros acedam ao mercado interno, incentivando o consumo em períodos de excedente de produção através de tarifas reduzidas. Partindo deste princípio, desenvolveu-se um algoritmo capaz de deslocar o consumo para períodos de maior disponibilidade de produção, reduzindo os trânsitos nas redes ao suavizar os diagramas de carga e, desta forma, minimizar também os fluxos inversos ao promover um melhor equilíbrio entre produção e consumo.
Para validar esta abordagem, simulou-se o trânsito de potências numa rede-tipo de baixa tensão, considerando diversos cenários de teste. Estes variavam o número de membros nas comunidades, a distribuição das cargas entre fases e outros fatores que influenciam as perdas na rede.
Os resultados obtidos permitiram não apenas quantificar o impacto do deslocamento de carga dentro das comunidades, mas também demonstrar a influência da alocação das instalações às diferentes fases, fornecendo assim informações essenciais para futuras decisões regulatórias e operacionais.
Quais foram os principais desafios encontrados, sendo que participou no projeto desde a sua génese até ao relatório final?
O principal desafio foi cumprir prazos extremamente exigentes para a obtenção de resultados.
A E-REDES contactou-nos no âmbito desta imposição legislativa para desenvolver uma proposta que exigia não só a obtenção de resultados, mas também a redação de um sumário executivo em menos de um mês. Para responder a este desafio, estruturámos o projeto em duas fases: a primeira, com o objetivo de cumprir o prazo estabelecido, consistiu num estudo preliminar baseado na simulação de uma rede-tipo e um conjunto reduzido de cenários; a segunda, atualmente em desenvolvimento, envolve a simulação de um conjunto significativo de redes reais e um leque mais abrangente de testes.
Esta abordagem permitiu-nos entregar resultados rigorosos dentro do prazo e, ao mesmo tempo, estabelecer uma base sólida para análises mais aprofundadas na segunda fase do projeto.
Do que mais gosta no seu trabalho?
O que mais me motiva são desafios como este, onde é necessário aliar criatividade e engenharia para conceber metodologias e soluções eficazes. A possibilidade de transformar conceitos teóricos em aplicações concretas e impactantes é, sem dúvida, um dos aspetos mais gratificantes do meu trabalho.
Como comenta esta nomeação?
Esta nomeação é reflexo de um esforço coletivo, no qual toda a equipa esteve alinhada para alcançar os melhores resultados. Por isso, gostaria de partilhá-la e expressar o meu reconhecimento ao José Nuno Fidalgo e ao José Pedro Paulos, cujo contributo foi fundamental para o sucesso do projeto.