Já é possível planear cirurgias com maior detalhe e precisão com o apoio de algoritmos inteligentes. Um exemplo disso é o trabalho desenvolvido por Ricardo Ferreira, investigador do INESC TEC, recentemente distinguido com o prémio Best Student Paper na 25.ª edição da International Conference on BioInformatics and BioEngineering (BIBE 2025).
Usar a inteligência artificial como um assistente inteligente para os cirurgiões não é algo novo. Mas o trabalho “Assisted Vascular Analysis (AVA) for Deep Inferior Epigastric Perforators: Pipeline Analysis” vai ainda mais longe, usando um algoritmo que é capaz de identificar automaticamente os tecidos e semi-automaticamente os vasos importantes para a cirurgia e analisar as suas características, mesmo em cenários com baixa relação sinal-ruído criando um relatório claro e detalhado para os cirurgiões.
“O AVA (Assisted Vascular Analysis) foi concebido para apoiar o planeamento cirúrgico, nomeadamente em procedimentos de reconstrução mamária. A ferramenta permite a identificação e caracterização precisa dos perfurantes epigástricos inferiores profundos (DIEPs), vasos sanguíneos essenciais para o sucesso deste tipo de cirurgia”, explica Ricardo Ferreira.
Uma seleção incorreta destes vasos pode comprometer a viabilidade dos tecidos, aumentar o risco de complicações e prolongar o tempo cirúrgico. Ao automatizar e apoiar esta análise, a ferramenta contribui para um planeamento mais rápido e preciso, libertando tempo às equipas médicas e tendo um impacto direto na prática clínica e no futuro da cirurgia assistida por computador.
“O trabalho distingue-se pela utilização conjunta de abordagens automáticas e semi-automáticas, ou seja, o sistema faz quase todo o trabalho, mas o médico pode dar pequenos ajustes ou confirmações, garantindo que está tudo correto”, adianta o investigador.
Tudo o que foi identificado pode ainda ser usado em realidade aumentada, permitindo ao cirurgião ver estas estruturas antes da cirurgia.
Para Ricardo Ferreira, o prémio atribuído na BIBE 2025 está diretamente ligado à sua área de investigação no INESC TEC e representa um importante reconhecimento científico do trabalho desenvolvido.
“Acredito que este prémio possa trazer maior notoriedade ao trabalho que desenvolvo enquanto investigador, abrindo portas a futuros projetos e colaborações internacionais. E não posso, claro, deixar de agradecer a todos os que me ajudaram a desenvolver este projeto”, refere o investigador.
O trabalho foi publicado em coautoria com Hélder Oliveira, João Silva, Miguel Romariz, David Pinto, Ricardo J. Araújo, João Santinha e Pedro Gouveia.
O investigador mencionado na notícia tem vínculo ao INESC TEC através da FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia.

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