Paula Rodrigues
“A coordenação gostaria de nomear a Paula Rodrigues, pelo desempenho excecional e papel absolutamente decisivo na promoção e divulgação do SuperComputador Deucalion, contribuindo de forma estratégica para o seu posicionamento no panorama nacional e europeu da computação avançada. Com uma comunicação clara, consistente e alinhada com os objetivos do SuperComputador dentro do CNCA, tem sabido traduzir a complexidade técnica do projeto numa narrativa acessível e inspiradora para diferentes públicos. Desde investigadores e estudantes até decisores políticos e parceiros internacionais. O seu trabalho tem sido fundamental para reforçar a visibilidade do Deucalion como infraestrutura de referência nacional e europeia, evidenciando o seu impacto científico, tecnológico e socioeconómico. Destaco, em particular, o trabalho de vários anos na criação da identidade e imagem gráfica do Deucalion, bem como na criação de comunidade – que permitiu criar, afirmar e consolidar uma marca forte, moderna e coerente em todos os suportes de comunicação. A conceção e desenvolvimento do novo website, que deverá ser lançado em breve, constituem um marco relevante neste processo, ao oferecer uma plataforma clara, funcional e visualmente apelativa, capaz de comunicar eficazmente serviços, resultados e oportunidades à comunidade. Para além disso, a sua dedicação, proatividade e capacidade de articulação com múltiplos stakeholders (a atuação da Paula e da restante equipa do HASLAB afeta ao Deucalion teve um papel preponderante no sucesso da visita da VP da CE, Henna Virkkunen, ao Deucalion) têm sido determinantes para assegurar uma presença institucional consistente, contribuindo para afirmar o Deucalion como uma infraestrutura estratégica no ecossistema europeu de HPC e o INESCTEC como uma entidade de referência na comunidade HPC europeia”.
– coordenação do HASLab
Como foi o processo de comunicar este projeto, acessível a públicos tão distintos?
O ponto de partida é o mesmo que para comunicar ciência: perceber quem está do outro lado e o que essa pessoa precisa ou quer saber sobre o supercomputador Deucalion. Para investigadores e estudantes, o foco acaba por ser mais nas capacidades técnicas, nos casos de uso e nas oportunidades. Com decisores e parceiros institucionais, a conversa passa mais pelo impacto, pelo alinhamento estratégico e pelo retorno científico e socioeconómico que a máquina pode gerar. O que tem funcionado melhor é construir uma narrativa coerente e repetível e explicar “para que serve”, “quem pode beneficiar”, “como pode aceder” e “o que muda”. Depois disso, e mais recentemente, temos também destacado exemplos reais, histórias de projetos e resultados que tornam a computação avançada mais próxima e relevante, em Portugal e internacionalmente. Para quem quiser aprofundar, estamos prestes a lançar o website do Deucalion aqui.
De que forma a continuidade (BOB, MACC, Deucalion) ajudou a consolidar comunidade e marca?
A continuidade foi decisiva porque todo o caminho, desde o BOB e o MACC, foi construindo, de forma consistente, a mesma comunidade, que não só se manteve, como também cresceu ao longo do tempo. Esse percurso permitiu criar uma linguagem comum, rotinas de comunicação, confiança com os utilizadores e os parceiros e, sobretudo, um sentimento de pertença a esta comunidade. Começamos a sentir isso agora, quando temos utilizadores atuais do Deucalion que já foram utilizadores do supercomputador BOB no passado e que sempre fizeram parte desta comunidade, por exemplo, na área da física.
Quando chegou o Deucalion, essa comunidade continuou a ser o nosso foco, uma vez que fazia todo o sentido que, do ponto de vista da comunicação, o objetivo fosse acompanhar, consolidar e servir essa base de utilizadores, reforçando mensagens-chave, mantendo uma identidade moderna e clara e dando também visibilidade às pessoas e aos projetos.
Que significado teve a visita da Vice-Presidente da Comissão Europeia, Henna Virkkunen?
Foi um momento muito relevante por várias razões. Primeiro, pelo reconhecimento institucional do Deucalion como infraestrutura estratégica no contexto europeu de HPC. A VP deslocou-se para Portugal no âmbito da WebSummit e pediu especificamente para fazer um desvio ao norte do país para conhecer esta infraestrutura. Isso só nos pode deixar muito satisfeitos! Segundo, porque ajuda a posicionar o INESC TEC como um parceiro credível e ativo no ecossistema nacional e europeu na área de HPC. Por último, estas visitas têm um efeito interno muito positivo: reforçam o sentido de missão e dão visibilidade ao nosso trabalho, nomeadamente, à equipa científica que tem vindo a trabalhar nesta área. Do meu lado, uma vez que estávamos a trabalhar no rebranding da marca Deucalion/CNCA, aproveitámos a visita para melhorar significativamente a presença da marca no data centre, reorganizando e decorando o espaço, de forma a tornar esta visita e as futuras mais impactantes. Importa referir que a preparação desta visita contou também com o envolvimento da equipa do HASLab afeta ao Deucalion e isso foi determinante para que tudo corresse ao nível que queríamos.
Do que mais gosta no seu trabalho?
Uma das coisas que destaco é transformar a complexidade em clareza e ver essa clareza criar uma ação, ou seja, uma candidatura, uma parceria, um projeto, uma comunidade que cresce. A outra coisa é a dimensão humana. Tal como no INESC TEC, no Deucalion também temos pessoas com formações e perfis completamente diferentes na esfera da ciência, e isso cria equipas multidisciplinares, junta pessoas com objetivos diferentes e cria um “fio condutor” que as alinha. Sinto que a comunicação no Deucalion tem vindo a abrir portas e a aproximar a ciência da sociedade, o que é muito positivo.
Como comenta esta nomeação?
É um reconhecimento que me deixa feliz, mas também reflete um trabalho contínuo, de longa data e realizado em equipa, nomeadamente com o HASLab, o Centro Nacional de Computação Avançada e todas as pessoas que fazem parte do Deucalion todos os dias. Afinal de contas, o mais importante para mim é comunicar bem esta infraestrutura científica: dar-lhe visibilidade, torná-la compreensível e mostrar o seu valor para a investigação, para o país e para a Europa.
Serkan Sulun
“A coordenação do CTM propõe para ‘Extraordinário’, o investigador Serkan Sulun, em reconhecimento da conjugação de um esforço, profissionalismo, motivação e dedicação excecionais demonstrados nos últimos meses. Este empenho culminou na obtenção de resultados de elevado impacto para o CTM durante o mês de janeiro, nomeadamente no âmbito do projeto europeu MechEye, que permitirá alavancar novas atividades de investigação, na aceitação de um artigo na IEEE Transactions on Multimedia, resultante do seu trabalho de Doutoramento, bem como na responsabilidade assumida na consolidação de trabalhos de estudantes, cuja continuidade era necessário assegurar. A coordenação do CTM agradece ao Serkan Sulun por todos os seus contributos e por este trabalho de elevada qualidade que assume uma enorme relevância para a projeção nacional e internacional do CTM nas áreas da multimédia, visão por computador e Inteligência Artificial”.
– coordenação do CTM
Esteve envolvido no projeto MechEye; pode falar-nos um pouco mais sobre este projeto (objetivo principal, principais resultados, desafios, fator inovador, etc.) e sobre as suas atividades/trabalho no seu âmbito?
O projeto MechEye visa a utilização de Inteligência Artificial (IA) para melhorar e automatizar a monitorização e a segurança em ambientes industriais, como fábricas, laboratórios e oficinas. Embora os recentes modelos Visão-Linguagem (VLMs, como o modo de análise de imagem do ChatGPT, p.e.) apresentem um bom desempenho em tarefas gerais, ambientes industriais de alto risco exigem modelos treinados especificamente para estas condições. E, na literatura, não existem conjuntos de dados de elevada qualidade para este fim. Respondemos a este desafio através da criação de novos datasets e do treino de modelos com base nesses mesmos recursos, fazendo avançar o estado da arte e disponibilizando um recurso valioso que pode ser explorado pela comunidade científica. O que me cativa mais é a melhoria da segurança humana sem substituir os trabalhadores. A monitorização destes ambientes de alto risco não pode depender exclusivamente da IA; em vez disso, estes modelos complementam a supervisão humana, funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana – sem cansaço, e permitindo a deteção precoce de potenciais riscos.
Relativamente ao seu trabalho de doutoramento – que levou à publicação de um artigo na IEEE Transactions on Multimedia – qual foi a principal área que explorou? E de que forma a articula com o trabalho desenvolvido no CTM?
O meu trabalho centrou-se na criação de um protótipo capaz de compor automaticamente música para qualquer vídeo, alinhando-a tanto com o tom do vídeo, como com a sua estrutura temporal. Tal como no MechEye, o objetivo não é substituir compositores humanos, uma vez que a IA está longe de igualar a criatividade humana. Esta ferramenta permite a criadores de conteúdos, como os YouTubers, uma alternativa rápida e gratuita para adicionar música aos seus vídeos, aumentando a interação do público. A natureza multimodal do projeto alinha-se com outros trabalhos em multimédia desenvolvidos no CTM, incluindo análise de vídeo, imagem, texto e áudio, bem como geração de sequências.
Do que mais gosta no seu trabalho?
Provavelmente, a maioria dos investigadores em IA dirá que o melhor é a autonomia, a ausência de rotinas e a constante evolução. Apesar de apreciar todos estes aspetos, o que me proporciona maior satisfação é ajudar os outros. Ver os meus alunos executarem o primeiro programa que alguma vez programaram, ver os meus orientandos entusiasmados com os resultados do seu primeiro projeto de investigação, ou receber emails de investigadores de todo o mundo a agradecerem-me pelo meu código open-source é, para mim, simplesmente fantástico.
Como comenta esta nomeação?
Acho que estou longe de ser “extraordinário” (as pessoas que me conhecem concordariam), e muitos dos meus colegas mereciam este reconhecimento mais do que eu. Ainda assim, estou muito grato aos coordenadores do CTM e aos meus orientadores por esta nomeação. Esta distinção traz um sentimento de “fechar de capítulo” positivo, após um longo doutoramento, cheio de altos e baixos. Em retrospetiva, é fácil focar-me naquilo que poderia ter feito melhor, mas percebo que as minhas expetativas elevadas são fruto das dificuldades que enfrentei no doutoramento, e que me dera mais competências e uma nova perspetiva, que não tinha no início. Nem sempre é fácil ter isto presente, e todos podemos sentir “síndrome do impostor”, em maior ou menor grau. Espero que esta nomeação ajude a atenuar esse sentimento – pelo menos durante algumas semanas.
Sérgio Silva
“A coordenação do CTM propõe para ‘Extraordinário’ o investigador Sérgio Silva, em reconhecimento do trabalho exemplar desenvolvido no projeto europeu SuperIoT. No âmbito deste projeto europeu o Sérgio Silva teve um papel particularmente relevante nas contribuições para o desenvolvimento do Digital Twin de um nó IoT reconfigurável em ns-3, capaz de utilizar sinais de rádio e óticos tanto para comunicação como para captação de energia. Destaca-se, igualmente, a sua liderança na integração do software desenvolvido pela equipa do INESC TEC com os parceiros externos do projeto, tendo sido possível validar com sucesso o funcionamento das soluções de otimização cross-layer desenvolvidas. O nível de excelência do trabalho realizado, reconhecido também pelos parceiros do consórcio, traduziu-se num contributo decisivo para o sucesso dos demonstradores do projeto SuperIoT, em especial do demonstrador liderado pelo INESC TEC. Esta prestação reafirma a posição do INESC TEC como um parceiro internacional relevante na área das redes de comunicações sem fios emergentes, energeticamente eficientes e sustentáveis, uma área estratégica para o CTM desde 2011, o que permitirá o fortalecimento e a criação parcerias internacionais relevantes”.
– coordenação do CTM
O Sérgio esteve envolvido no projeto europeu SuperIoT; poderia falar-nos um pouco mais sobre esta iniciativa, bem como sobre as atividades que desempenhou no decorrer do projeto?
O SuperIoT focou-se no desenvolvimento de sistemas Internet-of-Things (IoT) de nova geração, capazes de operar de forma sustentável e eficiente. A minha participação centrou-se na criação de um digital twin para nós IoT reconfiguráveis no simulador ns-3, permitindo modelar comunicações híbridas (rádio e óticas) e a captação de energia. O grande fator diferenciador foi a capacidade de integrar este software com as soluções dos nossos parceiros, validando a robustez do nosso digital twin quando utilizado numa rede de nós físicos.
Qual a importância deste tipo de projetos para a área das comunicações, para a equipa do centro e para o instituto?
Estes projetos são fundamentais porque nos colocam na linha da frente das redes sem fios sustentáveis. Para o CTM e para o INESC TEC, reforçam a nossa reputação como parceiros de excelência a nível internacional. Projetos como estes permitem criar soluções práticas que respondam a desafios atuais, permitindo-nos influenciar a evolução das comunicações emergentes.
Do que mais gosta no seu trabalho?
O que mais me motiva é o desafio de resolver problemas complexos que têm um impacto real. Gosto particularmente da ligação entre o desenvolvimento de software e a sua aplicação prática em sistemas físicos. Além disso, o ambiente de colaboração, tanto interno no INESC TEC como com parceiros internacionais, permite uma aprendizagem contínua que sempre procurei.
Como comenta esta nomeação?
Fiquei muito contente com esta distinção e agradeço sinceramente à coordenação do CTM pelo reconhecimento. Esta nomeação é um incentivo extra para continuar a trabalhar com dedicação, e partilho este agradecimento com todos os colegas que colaboraram no projeto, pois este sucesso foi um esforço coletivo.

Notícias, atualidade, curiosidades e muito mais sobre o INESC TEC e a sua comunidade!