INESC TEC sobe ao top 3 no pódio nacional com maior número de pedidos de patentes na Europa

Os dados do último relatório anual publicado pelo European Patent Office (EPO) mostram o INESC TEC no top 3 nacional das instituições com mais pedidos de patente registados.  Ao longo de 2025, o INESC TEC apresentou 14 novos pedidos de patentes, 6 dos quais com a participação da Universidade do Porto O INESC TEC tem tido uma presença sólida no top 10 nacional desde 2017, mas o ranking de 2025 mostra uma subida direta para o terceiro lugar.

A OPRIMEE – Innovation Design Engineering Solutions, Lda. lidera os pedidos de patente portugueses em 2025, com 26 pedidos, e a NOS Inovação ocupa o segundo lugar, com 18.

“Este desempenho, que tem vindo a consolidar-se desde 2017, reflete uma estratégia de transformação do conhecimento científico em tecnologias protegidas e um percurso que tem vindo a ser reconhecido e destacado, ano após ano, pelo EPO”, explica Daniel Vasconcelos, responsável pelo Gabinete de Transferência de Tecnologia (TTO) do INESC TEC.

Daniel Vasconcelos explica que “os pedidos submetidos pelo INESC TEC em 2025 visam proteger invenções deeptech em áreas como a energia, robótica, dispositivos médicos, sensores, tecnologia de computadores, telecomunicações e realidade aumentada” e adianta que através destas tecnologias, procura-se, por exemplo, “tornar a produção de hidrogénio mais eficiente e integrada com a produção renovável,  permitir a medição deste gás (hidrogénio) possível em novos contextos, criar soluções para o diagnóstico não invasivo de doenças cardiopulmonares, disponibilizar à sociedade sistemas de monitorização oceânica profunda e suporte a infraestruturas submarinas em águas profundas (cabos submarinos, estações de monitorização e redes de sensores no fundo do mar), aumentar a segurança de redes elétricas, otimizar, através da previsão, o carregamento de frotas de veículos elétricos e permitir, quando adequado, saber o que está a acontecer num espaço através da análise das ondas eletromagnéticas emitidas pelos routers, telemóveis e outros dispositivos sem fios presentes no local”.

As invenções desenvolvidas – e cujo pedido de patente foi feito – apresentam um carácter altamente disruptivo, o que implica um horizonte de disponibilização de médio prazo. Seis das 14 invenções contam com a participação da Universidade do Porto, o maior associado do INESC TEC.  Este calendário mais alargado deve-se à necessidade de extensivos testes e processos de desenvolvimento industrial antes da sua chegada ao mercado. Ainda assim, várias destas tecnologias encontram-se já em fase de validação com parceiros industriais, no âmbito de projetos de investigação e desenvolvimento, tanto a nível nacional como europeu, bem como em colaborações internacionais, entre as quais se destaca a parceria com a Johns Hopkins University.

De acordo com o responsável pelo TTO do INESC TEC, as vias mais prováveis de “valorização destas invenções geradas a partir do conhecimento criado no sistema científico e tecnológico nacional (SCTN) passarão, na sua maioria, pelo licenciamento a empresas existentes que maximizem o impacto positivo na sociedade através do uso destas tecnologias, ou, sempre que adequado, através da criação de novas empresas (spin-offs), que aportam grande valor em várias dimensões e que o INESC TEC tem vindo a promover e apoiar com intensidade crescente, em linha com a nova estratégia europeia”.

Ao todo, empresas e inventores portugueses apresentaram 368 pedidos de patentes ao longo do ano, o que representa um aumento de 6,1% face ao ano anterior e atinge o número mais elevado de sempre, 368.

A verdade é que, nos últimos dez anos os pedidos de patentes europeias provenientes de Portugal mais do que duplicaram, refletindo um ecossistema de inovação cada vez mais dinâmico no país.

Os 10 principais requerentes portugueses junto da OEP refletem uma combinação equilibrada de empresas, universidades e organizações públicas de investigação, evidenciando a diversidade e o dinamismo do ecossistema de inovação em Portugal.

Em termos europeus, a OEP recebeu um número recorde de 201 974 pedidos de patente no ano passado, um aumento de 1,4% face a 2024, ultrapassando pela primeira vez a marca dos 200.000 pedidos. Números que, para António Campinos, Presidente da OEP, evidenciam “a capacidade de inovação da Europa e a sua atratividade enquanto mercado tecnológico global”.

Tendências tecnológicas

Mesmo tratando-se de invenções fruto de investigações de diversas áreas tecnológicas, que evidenciam a riqueza do ecossistema de inovação do país, a existência de tendências que impulsionam o crescimento em Portugal é inegável.

A tecnologia informática manteve-se como a principal área técnica em 2025 pelo quarto ano consecutivo, com os pedidos a continuar a aumentar (+2,6% face a 2024), em linha com a tendência global na OEP, onde esta área também liderou e evidenciou crescimento. As tecnologias relacionadas com a saúde voltaram a representar três das cinco principais áreas tecnológicas em Portugal. A tecnologia médica registou um crescimento particularmente expressivo (+32% em termos homólogos). A biotecnologia também evidenciou uma evolução positiva, com um aumento de 5% em 2025, contrariando a tendência geral de descida ao nível da OEP. Em contrapartida, os pedidos na área farmacêutica diminuíram 9,5%, após um ligeiro crescimento no ano anterior.

Outros domínios tecnológicos também registaram um crescimento, incluindo o manuseamento (que inclui tecnologias de embalagens), com mais de 75,0%, ainda que a partir de um nível mais baixo, mobiliário/jogos, registaram mais de 62,5%, e transportes (que inclui tecnologias automóveis), com mais de 50,0%.

Para além disso, Portugal mantém uma posição de destaque como um dos países que mais tem adotado o sistema da Patente Unitária. Em 2025, 85% de todas as patentes europeias atribuídas pela OEP a inventores portugueses foram convertidas em Patentes Unitárias, correspondendo a 125 pedidos. Este valor representa um aumento significativo face aos 74,3% registados em 2024, colocando Portugal muito acima da média da UE (40,7%) e da média global na EPO (28,7%).

Com este desempenho, Portugal registou a terceira taxa mais elevada de adesão à Patente Unitária entre os países da UE, evidenciando o forte envolvimento dos agentes nacionais de inovação no novo sistema.

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
EnglishPortugal