Entre 12 e 14 de outubro de 2026, a Alfândega do Porto irá acolher o AI, Data and Robotics Forum (ADRF). O evento irá reunir mais de 500 especialistas, investigadores, decisores políticos e representantes da indústria que trabalham nas áreas da Inteligência Artificial, dos dados e da robótica.
E isto é importante por uma simples razão: a Europa está a entrar num momento em que estas áreas assumem um papel cada vez mais central em termos de afirmação económica, futuro industrial e posição estratégica. Tal é particularmente claro na crescente atenção dada às infraestruturas de computação, aos data spaces, aos ambientes de experimentação, à regulação e à capacidade de aplicar estas tecnologias em áreas como a energia, a indústria, a mobilidade, as atividades oceânicas e os serviços públicos.
Faz também sentido olhar para a IA, os dados e a robótica de forma agregadora. Em termos práticos, são cada vez mais parte da nossa realidade. Os dados garantem visibilidade sobre sistemas e processos. A IA ajuda a interpretar, prever, otimizar e apoiar os processos de tomada de decisão. A robótica e os sistemas autónomos levam esta inteligência para contextos físicos, onde a ação tem de ocorrer sob constrangimentos reais, muitas vezes em tempo real. O que mais importa é a forma como estes elementos se articulam em sistemas que sejam úteis, fiáveis e capazes de operar em termos práticos.
Esta é uma das razões pelas quais o ADR Forum é tão relevante: é um espaço onde a discussão europeia se torna mais concreta. Investigação, indústria, políticas públicas e implementação são colocadas no mesmo plano. Nesta fase, isto é particularmente importante. A Europa já dispõe de comunidades científicas robustas, talento altamente qualificado e uma ambição significativa nestas áreas. O desafio maior está em ligar estes ativos de forma a gerar capacidades no terreno: nas empresas, nas infraestruturas, nas instituições públicas e nos setores onde o desenvolvimento tecnológico avança rapidamente e onde a velocidade de execução também é determinante.
Para o INESC TEC, acolher o ADRF 2026 é especialmente importante neste contexto. É uma oportunidade para contribuir, tendo como base uma área onde temos experiência provada: a ligação entre a ciência e a aplicação, entre o conhecimento de longo prazo e a utilização operacional, entre as agendas europeias e os sistemas práticos. É algo que conhecemos bem do nosso trabalho em áreas como a energia e o oceano, onde o progresso depende não só de avanços técnicos, mas também de dados, validação, experimentação, interoperabilidade e da capacidade de fazer funcionar soluções de forma contínua, e em em condições reais.
Para a nossa região e para o país, esta é também uma ocasião importante. Numa altura em que a Europa procura locais para acolher este tipo de discussão, mais do que a atratividade ou a visibilidade internacional, o que realmente importa é a existência de um ecossistema sólido. A nossa região alberga universidades, organizações de investigação, empresas, infraestruturas e atores públicos de forma a sustentar uma discussão mais abrangente. E isto é muito importante para a região Norte. E para Portugal. Pois estes diálogos a nível europeu tornam-se mais úteis quando acontecem próximos de contextos onde já existe capacidade instalada, e onde esta pode continuar a crescer.
Há ainda outra questão. Em muitas áreas, já não se trata de saber se a IA consegue produzir resultados interessantes. A questão mais pertinente é perceber se estamos a criar as condições para que a IA, os dados e a robótica funcionem bem em termos de escala, e de forma sustentada e fiável. Tal exercício exige bons modelos, sem dúvida. Mas depende também de dados de qualidade, ambientes de teste adequados, pessoas com diferentes tipos de conhecimento, organizações capazes de se adaptar e instituições capazes de ligar a tecnologia a necessidades reais.
É por isso que o ADRF 2026 é importante. Trazer o Fórum para o Porto significa trazer para a nossa região e para Portugal um debate europeu que é, neste momento, central para a competitividade, para a renovação industrial e para o rumo futuro da ciência e da tecnologia na sociedade. Para o INESC TEC, para a região e para Portugal, esta é uma oportunidade única de participar nessa discussão, com relevância e com contributos concretos.
Por João Claro, Presidente do Conselho de Administração e Presidente da Comissão Executiva do INESC TEC

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