Domingos Bento, Francisco Ribeiro e Jaime Dias

Domingos Bento

“O Domingos é proposto para reconhecimento extraordinário pelo seu trabalho transversal nas várias prestações de serviços nas áreas da robótica e IoT. Ao longo deste período, tem demonstrado um elevado nível de competência técnica e profissionalismo, com intervenções concretas e de elevada qualidade, que têm sido determinantes para o cumprimento de prazos exigentes nos seis projetos em curso, em que o Domingos tem intervenção”. 

– coordenação do CTM

É referido o seu trabalho na prestação de diferentes serviços de IoT e robótica; podia falar-nos um pouco sobre estas atividades?

O meu trabalho tem se focado no desenvolvimento e integração de soluções no contexto do laboratório TRIBE. Contribuo para a conceção, implementação e teste de sistemas, dedicando-me atualmente à otimização destas soluções para a sua futura passagem para processos de industrialização. Embora tenha intervenção direta em várias fases técnicas – desde o desenvolvimento ao suporte em campo – os resultados obtidos são sempre o reflexo de um esforço coletivo. O trabalho articulado de toda a equipa, cuja complementaridade é essencial, tem permitido transformar conceitos em sistemas robustos e preparados para desafios reais.

Para além disso, o Domingos está envolvido em seis projetos; pode dizer-nos quais são, elencando os seus objetivos, resultados que sejam importantes de destacar, fator diferenciador, etc.?

Posso enumerar alguns dos projetos em que tenho estado envolvido, como o ModularX_CEMTEX, ModularX_INIAV, Robo_Didático e Orioos4Patrol. Em comum, estes projetos têm o desenvolvimento de plataformas robóticas cujo principal objetivo é dar os primeiros passos na transição de soluções de investigação e desenvolvimento para produtos com potencial de industrialização.

Estes robôs estão a ser preparados para operar em ambientes muito distintos – desde a agricultura, a cenários militares ou de patrulha, até aplicações pedagógicas. Essa diversidade exige que a robustez, a fiabilidade e a facilidade de operação sejam prioridades, pois são fatores críticos para que estas tecnologias sejam efetivamente adotadas por utilizadores finais com perfis muito diferentes.

Todos estes avanços só são possíveis graças ao trabalho conjunto da equipa, cuja experiência complementar tem sido fundamental para transformar protótipos de laboratório em soluções mais maduras e preparadas para utilização no terreno.

Do que mais gosta no seu trabalho?

O que mais aprecio é a possibilidade de trabalhar diariamente com uma equipa talentosa, e sempre disponível para enfrentar desafios técnicos exigentes. A combinação entre aprendizagem contínua, diversidade de projetos e o impacto real das soluções desenvolvidas torna este trabalho extremamente motivador.

Como comenta esta nomeação?

Recebo esta nomeação com gratidão e sentido de responsabilidade. É uma honra ver o meu trabalho reconhecido, mas considero que este destaque reflete sobretudo o esforço coletivo da equipa com quem trabalho. Muitos dos resultados que alcançámos só foram possíveis graças à dedicação, profissionalismo e espírito de entreajuda de todos os colegas envolvidos nos projetos. Esta nomeação é, por isso, também deles.

Francisco Ribeiro

“A coordenação do CTM gostaria de propor para ‘Extraordinário’ o investigador Francisco Ribeiro, pelo seu contributo determinante para o sucesso do CONVERGE Challenge e para a preparação do dataset multimodal associado. Este desafio internacional sobre Multimodal Learning for 6G Wireless Communications, organizado no âmbito do projeto europeu CONVERGE e da conferência ICASSP 2026, disponibilizou à comunidade científica um novo dataset multimodal recolhido na infraestrutura experimental do INESC TEC, combinando dados de rádio, visão e ground truth para investigação em comunicações 6G e sensing. O Francisco teve um papel central na produção, anotação e organização deste dataset, bem como na preparação e publicação, em tempo recorde, da solução baseline disponibilizada aos participantes e na avaliação das submissões das equipas concorrentes. Este trabalho foi realizado em paralelo com a coordenação de uma tarefa core no projeto CONVERGE, contribuições para o projeto A-Mover, orientação de estudantes e participação em prestações de serviços com empresas. Pela dedicação, qualidade e impacto destas atividades, consideramos que o Francisco merece plenamente este reconhecimento”.

– coordenação do CTM

Quais foram os maiores desafios na criação do dataset multimodal, utilizado no CONVERGE Challenge? Qual é o fator diferenciador desta solução?

Os maiores desafios estiveram na integração e sincronização de várias componentes muito diferentes numa única recolha: dados de rádio, vídeo e informação de posicionamento dos equipamentos rádio usada como ground truth, todos com a consistência necessária para serem realmente úteis à comunidade científica. Ao mesmo tempo, esta recolha serviu também para fechar alguns detalhes de integração da infraestrutura experimental desenvolvida no âmbito do projeto CONVERGE, o que acabou por consumir mais tempo do que o previsto para a recolha final dos dados.

Isso significou que os exemplos e baselines a disponibilizar aos participantes tiveram de ser desenvolvidos num prazo particularmente exigente, o que implicou desenhar, treinar e testar três algoritmos distintos para três tarefas diferentes, garantindo ainda assim a qualidade necessária para apoiar quem participou no desafio.

Diria que o principal fator diferenciador desta solução é precisamente a combinação de modalidades complementares num ambiente experimental real e controlado. O dataset junta informação de rádio, visão e dados de posicionamento dos equipamentos rádio para estudar problemas centrais das comunicações 6G, criando uma base de trabalho muito relevante para investigação em aprendizagem multimodal aplicada a redes sem fios.

Como conseguiu gerir todas as suas responsabilidades (Converge, A-Mover, orientação de estudantes, etc.) em simultâneo, sem comprometer a qualidade do trabalho?

Acho que o mais importante é saber definir prioridades e acompanhar de perto as várias frentes de trabalho. Quando estamos envolvidos em projetos com ritmos e exigências diferentes, é essencial perceber o que é mais crítico em cada momento, distribuir bem o tempo e garantir que cada tarefa avança com objetivos claros. De forma ligeiramente mais prática, diria que ter uma lista de tarefas bem organizada é essencial para ir acompanhando cada uma delas sem deixar escapar prazos nem detalhes. Isso ajuda-me a gerir várias responsabilidades em paralelo sem perder o rumo.

Do que mais gosta no seu trabalho?

O que mais gosto no meu trabalho é a possibilidade de explorar temas novos e de trabalhar em problemas reais, com impacto científico e potencial impacto na sociedade. Essa combinação entre investigação, experimentação e aplicação prática é algo que me motiva bastante.

Como comenta esta nomeação?

Recebo esta nomeação com muito gosto e agradeço à coordenação do CTM por este reconhecimento. Vejo-a, também, como um reflexo do esforço coletivo das equipas com quem tenho trabalhado, em particular no CONVERGE, onde a construção da infraestrutura e a preparação de resultados como este dataset multimodal dependem do contributo de muitas pessoas.

Jaime Dias

“O Jaime Dias concluiu no mês passado uma das migrações tecnológicas mais complexas que o INESC TEC alguma vez enfrentou: a transferência de cerca de 1900 contas de email de utilizadores e mais de 200 contas de aplicações e sistemas, todas geridas internamente, para o ecossistema Microsoft 365. A tarefa exigiu muito mais do que competência técnica – foram muitas horas, noites e fins de semana a garantir que as migrações aconteciam quando a maioria não estava a trabalhar, minimizando o impacto no dia a dia da organização. Foi ainda necessário minimizar ao máximo a perda de mensagens, fundir contas com designações distintas, e preservar agendas e contactos já integrados nas rotinas de trabalho de centenas de pessoas. O resultado é uma plataforma significativamente mais robusta, com capacidades avançadas de proteção contra phishing, malware e spam que triplicaram a taxa de bloqueio de ameaças face à solução anterior. O reconhecimento chegou inclusivamente à Universidade do Porto, que nos contactou para trocar experiências sobre o mesmo tipo de processo. Se isto não é extraordinário, o que será? Proponho o Jaime para a rubrica ‘Os Extraordinários’ – com toda a justiça.”

– Luís Seca, membro do CA

Foram referidas a complexidade e a duração do processo de migração; o que o motivou a manter este nível de dedicação ao longo de todo o processo?

Quando se mexe no email das pessoas, está-se a mexer numa ferramenta central do seu dia a dia. Havia a responsabilidade de garantir que tudo continuava operacional com o menor impacto possível para cerca de 1900 utilizadores, e a consciência de que muitas das tarefas tinham de acontecer fora do horário de trabalho para minimizar o seu impacto. Mas esta dedicação não foi exclusiva deste projeto: é o procedimento normal no SAS. Neste caso foi mais visível pela dimensão e o seu impacto, mas o compromisso é o mesmo em qualquer intervenção.

Quais foram os principais desafios encontrados? Houve algum momento mais “crítico”? Como foram ultrapassados esses obstáculos?

Se se tratasse apenas de migrar contas de email para a nuvem, seria relativamente simples, pois existem procedimentos recomendados pela Microsoft. Mas no INESC TEC o cenário era bastante mais complexo: muitos utilizadores já usavam contas do Office 365 há vários anos (o serviço ficou disponível há cerca de 10 anos, antes mesmo do Microsoft Teams existir) e tinham dados acumulados que não podiam ser perdidos. O desafio foi juntar tudo numa única conta, sem perder informação e sem interrupções no email, algo para o qual a Microsoft não disponibiliza ferramentas nem procedimentos. E quando se sai do caminho previsto, em particular com produtos Microsoft, a questão deixa de ser se vai surgir um problema, mas quando.

Tínhamos sempre um plano B, e teve de ser executado algumas vezes. Houve um sábado à noite em que tinha bilhetes para um concerto. Uma hora antes de sair, lancei um processo que deveria decorrer automaticamente durante a noite. Era só premir Enter. Já não fui ao concerto.

São estes os momentos que definem este tipo de projetos: a capacidade de reagir sob pressão quando algo não funciona como planeado, com tudo em produção e sem possibilidade de voltar atrás.

Como encara o contacto feito pela U.Porto, no sentido de partilhar informação sobre este processo; a nível pessoal e/ou profissional, mas também no que diz respeito ao INESC TEC?

Vejo-o como um reconhecimento do trabalho que foi feito, e a nível pessoal é gratificante saber que o que fizemos serviu de referência fora do INESC TEC. Quem acompanhou o processo percebeu que, no caso do INESC TEC, não se tratava de algo trivial, e que decorreu da melhor forma. Não só tecnicamente, mas também na comunicação com os utilizadores, mantendo-os informados sem lhes exigir demasiada intervenção. Menos de 1% dos utilizadores teve dificuldades no acesso ao email, o que neste tipo de intervenção é considerado um sucesso. Creio que foi essa perceção que motivou o contacto para trocar experiências. O cenário da Universidade do Porto é diferente. Não tinham a mesma necessidade de fundir contas locais e na nuvem, pelo que puderam recorrer aos procedimentos recomendados pela Microsoft. Ainda assim, é o tipo de contacto entre instituições que não é frequente, mas que poderia sê-lo.

Do que mais gosta no seu trabalho?

O que mais me motiva é a variedade. Não há duas semanas iguais, e cada problema novo obriga a pensar de forma diferente. E depois há a satisfação de disponibilizar algo que sirva e seja importante para muita gente, mesmo que o trabalho desenvolvido passe geralmente despercebido. Quando funciona bem, ninguém nota, e isso, paradoxalmente, é o melhor sinal de que está a funcionar.

Como comenta esta nomeação?

Agradeço o reconhecimento e, em particular, as palavras do Luís Seca, mas este projeto não foi trabalho de uma só pessoa. A equipa do SAS esteve envolvida ao longo de todo o processo e o resultado reflete esse trabalho. Se esta nomeação serve para dar visibilidade a esse esforço conjunto, fico duplamente satisfeito.

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