Complexos, caros e difíceis de programar: é assim que muitas empresas ainda veem os robôs industriais. O projeto MOBOT 2.0, que junta o INESC TEC e a Europneumaq, quer mudar esse paradigma, e vai desenvolver uma nova geração de robôs manipuladores móveis inteligentes, capazes de responder às necessidades reais da indústria.
Hoje, muitos robôs exigem programação avançada e estão limitados a ecossistemas fechados de fabricantes, o que dificulta a sua adoção por empresas que não dispõem de equipas especializadas. O investigador do INESC TEC Rafael Arrais explica como é que o MOBOT 2.0. pode ultrapassar estes obstáculos: “o objetivo é criar uma solução que qualquer operador consiga utilizar, sem necessidade de conhecimentos técnicos avançados, permitindo uma maior democratização da robótica na indústria.”
O projeto aposta no desenvolvimento de um robô capaz de se adaptar a diferentes ambientes industriais e executar tarefas de forma autónoma, especialmente em contextos de intralogística. Para isso, o INESC TEC está a desenvolver um conjunto de tecnologias que tornam a interação com o robô mais intuitiva e eficiente. Entre elas destaca-se a utilização de Inteligência Artificial para permitir que o robô reconheça e manipule diferentes objetos sem necessidade de reprogramação constante. Outra das soluções passa por uma interface baseada em Realidade Aumentada, que permitirá aos operadores “ensinar” novas tarefas ao robô de forma visual, através de dispositivos como óculos inteligentes (HoloLens), simplificando o processo de programação. Está ainda prevista a utilização do Open Scalable Production System (OSPS) de uma plataforma de software, baseada em Robot Operating System (ROS), garantindo compatibilidade com diferentes marcas de robôs e evitando a dependência de um único fornecedor. Além da componente funcional, o projeto integra também mecanismos de cibersegurança e ciber-resiliência para ambientes industriais, garantindo a proteção contra ciberataques e a continuidade das operações.
A solução robótica será codesenvolvida com a empresa Europneumaq e testada em cenários reais, com o objetivo de demonstrar a sua maturidade para entrar no mercado.
“Para além de facilitar a adoção de robótica por parte das empresas, o projeto vai também reforçar a autonomia estratégica europeia nesta área, reduzindo a dependência de soluções tecnológicas externas”, refere o investigador.
Com um financiamento total de cerca de 1,5 milhões de euros e uma duração de três anos, o projeto posiciona o INESC TEC na vanguarda da robótica colaborativa em Portugal.

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