“Imersos” na aquacultura offshore, INESCTEC.OCEAN acompanha Secretário de Estado das Pescas e do Mar no reforço da cooperação lusa com a Noruega

A convite da embaixada da Noruega, uma equipa do INESCTEC.OCEAN integrou uma delegação portuguesa encabeçada pelo Secretário de Estados das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, numa visita à Noruega para discutir colaboração bilateral em aquacultura oceânica. De regresso a Trondheim e ao trabalho com o parceiro SINTEF Ocean, os investigadores do Instituto tiveram a oportunidade de mergulhar no panorama da aquacultura oceânica de um país que figura entre os maiores produtores à escala mundial.

São quase três mil quilómetros a separar Porto e Trondheim. Ainda assim, a distância entre Portugal e Noruega tem vindo a diminuir, em boa parte graças à estreita cooperação entre INESC TEC e SINTEF em várias dimensões da investigação e inovação para o oceano.

Sob este prisma de reforço da colaboração internacional entre ambos os países, a comitiva do INESCTEC.OCEAN, liderada pelos Coordenadores José Manuel Mendonça e Diana Viegas, juntou-se ao Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, e à restante delegação que se deslocou até ao Norte da Europa, numa visita que incluiu os espaços laboratoriais do SINTEF Ocean.

O grupo visitante contou ainda com as presenças de Marisa Lameiras da Silva, Diretora-Geral da Política do Mar (DGPM), Pedro Pessoa e Costa, Embaixador de Portugal em Oslo, e Hanne Brusletto, Embaixadora da Noruega em Lisboa.

“Esta participação foi de grande importância, não só para o reforço da cooperação científica e tecnológica no âmbito do Centro de Excelência, como para a colaboração bilateral entre os dois países na área da engenharia oceânica”, explica José Manuel Mendonça, também Presidente Emérito do INESC TEC.

A agenda centrou-se num setor de peso da Economia Azul: a aquacultura offshore. Segundo o Coordenador do INESCTEC.OCEAN, “a visita permitiu conhecer a dimensão efetiva da aquacultura oceânica na Noruega, nomeadamente no que toca às empresas líderes, peso da atividade na economia, tecnologias específicas, regulamentação e licenciamento, operação atual e desafios futuros”.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 2022, a Noruega registou um total de 1,6 milhões de toneladas de produtos derivados da aquacultura. Avaliada em cerca de 10 mil milhões de euros, a produção do país escandinavo ultrapassa a de todos os Estados da União Europeia somados.

Para José Manuel Mendonça, este cenário “coloca em perspetiva a ambição que se pretende para o desenvolvimento de um setor que, em Portugal, tem ainda uma dimensão bastante modesta”.

De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), igualmente no ano de 2022, a aquacultura nacional registava uma produção pouco superior às 18 mil toneladas, avaliadas em quase 160 milhões de euros. Ainda assim, este valor representa um crescimento para quase o dobro dos valores registados há 10 anos: uma tendência para a qual o INESCTEC.OCEAN pretende contribuir.

O INESC TEC tem já um historial relevante na investigação e desenvolvimento tecnológico para o crescimento sustentável da aquacultura. Os projetos Innoaqua e AquaBenefit, associados, respetivamente, à produção de algas e de bivalves, destacam-se pelo papel ativo do Instituto em áreas de trabalho como a sensorização, a biomonitorização e a inteligência artificial aplicadas no contexto da aquacultura.

Contudo, “os desafios da operação na costa Atlântica portuguesa são mais complexos do que nos fiordes e no Mar da Noruega”. Portanto, apesar da liderança nórdica no setor, “haverá espaço para novos desenvolvimentos científicos e tecnológicos a levar a cabo, através de projetos conjuntos das equipas do INESC TEC e do SINTEF”, conclui José Manuel Mendonça.

O programa dos dois dias em Trondheim incluiu não só a visita às instalações do SINTEF Ocean, mas também deslocações ao Centro Norueguês de Tecnologia de Plâncton e ao Centro de Conhecimento SeeSalmon, operado pela SalMar – empresa dedicada à aquacultura oceânica de salmão.

Em convergência com entidades e indústria do setor na Noruega, houve igual oportunidade para demonstrações de operações avançadas em aquacultura offshore, apresentadas por Vegar Johansen, CEO do SINTEF Ocean. “Foi uma oportunidade para oferecermos um contributo para as políticas públicas na área do mar e para lançar a semente para projetos específicos de desenvolvimento científico e tecnológico nesta área”, acrescenta José Manuel Mendonça.

A cooperação em curso entre INESC TEC e SINTEF motivou uma ordem de trabalhos paralela à visita do Secretário de Estado: a reunião inaugural do projeto conjunto – entre INESCTEC.OCEAN e SINTEF Ocean – de desenvolvimento de sistemas de monitorização e manutenção estrutural de turbinas eólicas flutuantes offshore.

O Coordenador do Centro de Excelência liderado pelo INESC TEC realça que a iniciativa “não só releva o interesse das duas instituições e de ambos os países na energia eólica offshore”, como será demonstrativo da “fortíssima multidisciplinaridade de competências exigida nesses sistemas complexos, especialmente projetados e testados para operar em condições extremas” no mar.

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