O INESC TEC acolheu um evento da rede Enterprise Europe Network, que aproxima empresas do mercado internacional. Ao longo de uma tarde, 15 empreendedoras chegaram-se à frente para mostrar ideias inovadoras, partilhar conselhos e receber apoio de especialistas europeus.
Empreendedoras, consultores da maior rede de apoio mundial de pequenas e médias empresas, decisores institucionais, parceiros do ecossistema de inovação europeu. Todos passaram pelo INESC TEC, num evento que trouxe para ao centro de discussão os melhores exemplos de empreendedorismo feminino português para mostrar como a inovação articulada com conhecimento e colaboração pode catapultar ideias além-fronteiras.
Tudo isto à boleia da iniciativa Women Entrepreneurship: e-Catalogue Pitch & Networking. Promovido no âmbito da Enterprise Europe Network Portugal (EEN Portugal), o evento acolhido pelo INESC TEC encheu um auditório, e transformou-o, durante uma tarde, num espaço de partilha, visibilidade e colaboração internacional e trouxe para dentro de portas experiências e conselhos de diferentes latitudes que se ligaram à distância.
“Para o INESC TEC, enquanto parceiro ativo da EEN Portugal, esta iniciativa reforça o compromisso com a promoção da inovação inclusiva e o apoio ao desenvolvimento de negócios e organizações liderados por mulheres, contribuindo para um ecossistema empresarial mais diverso e competitivo”, explica Cristina Barbosa, investigadora do INESC TEC e organizadora do evento.
Quando Clara Gouveia, administradora do INESC TEC, deu o pontapé de saída para três horas dedicadas a explorar a experiência empreendedora feminina, já não havia clareiras na plateia – mais de 30 pessoas estiveram no INESC TEC e mais de 60 ligaram-se online.
Da Europa para o INESC TEC
Mas antes da sucessão de pitches – foram, ao todo, 15 intervenções-relâmpago em que as participantes apresentavam as empresas –, houve ainda tempo para uma breve contextualização dos parceiros nacionais do grupo temático de empreendedorismo feminino da EEN, com destaque para o INESC TEC, IAPMEI e a CEC-CCIC – Câmara de Comércio e Indústria do Centro, que coorganizaram a iniciativa.
Ao longo da tarde, reforçou-se ainda o papel da EEN como ponte entre empresas, inovação e políticas europeias. O programa integrou intervenções da Comissão Europeia, através da DG GROW – o departamento da Comissão responsável pelo crescimento e resiliência económica –, graças à presença de Marijana Juras; e ainda da Agência de Execução do Conselho Europeu da Inovação e das PME (EISMEA), com Idaira Robayna Alfonso a apresentar os destaques do grupo temático de Mulheres Empreendedoras da EEN Internacional. Houve ainda tempo para Beatriz Oliveira, adviser da EEN na Agência Nacional de Inovação, explicar instrumentos de financiamento e incentivos europeus dirigidos ao empreendedorismo feminino.

Uma tarde “inspiradora”
Mas o ponto alto foi mesmo a apresentação de projetos integrados no catálogo eletrónico divulgado anualmente pela rede EEN, com start-ups e iniciativas lideradas por mulheres a subirem a palco para explicar o processo de desenvolvimento de soluções inovadoras em áreas como sustentabilidade, saúde, indústria e tecnologias digitais.
“Acho que não só ouvimos histórias inspiradoras, como tivemos a oportunidade também de conhecer outras redes com as quais nós, rede EEN, podemos trabalhar. Sentimos que saímos daqui com um conjunto de ideias para o futuro”, resumiu Ana Costa Paula, coordenadora da rede EEN em Portugal, no final do evento.
Uma das “histórias inspiradoras” foi a de Neide Vieira, CEO da IPLEXMED, uma empresa que fabrica dispositivos de diagnóstico genético rápido, portátil e conectável: “é a primeira vez que participo num evento como este e posso dizer que foi, sem dúvida, muito interessante perceber um pouco melhor o ecossistema, ouvir os diferentes pitches, conhecer os diferentes pontos de contacto que nos podem auxiliar, bem como diferentes oportunidades que existem para potenciar e capacitar ainda mais empresas lideradas por mulheres”.
Já Emília Simões, fundadora da Last2Ticket, destacou “os momentos ricos em contactos, em partilha e networking” que o evento privilegiou. A CEO da empresa que desenvolve soluções de Inteligência Artificial para gestão de eventos e bilhética tem como adviser na rede EEN o INESC TEC e sublinhou o papel do instituto “em vários momentos da empresa”.
A Last2Ticket ou a IPLEXMED são dois dos 187 pitches de projetos, empresas e organizações liderados por mulheres que constam no catálogo eletrónico. Ao longo das páginas, é possível encontrar ideias inovadoras provenientes de 24 países, organizados em oito categorias, com o apoio de 64 advisors da rede, com o objetivo de dar visibilidade às suas iniciativas, competências e oportunidades de colaboração.
Os participantes assistiram ainda a um painel dedicado à liderança feminina, onde Purificação Tavares, da Unilabs, e Marta Araújo, da Neonia, partilharam experiências e visões sobre os desafios e oportunidades dos negócios liderados por mulheres. Ambas fundadoras da Associação Rede Mulheres Líder, trouxeram para o centro da conversa a importância das redes de colaboração, da internacionalização e da resiliência como pilares fundamentais para a afirmação e sustentabilidade das mulheres gestoras no contexto empresarial.
O programa incluiu ainda um painel dedicado à saúde ocupacional, com foco na dimensão de género, que trouxe para o debate a importância de ambientes de trabalho mais inclusivos. Maurizio Curtarelli, investigador na Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (EU-OSHA), sublinhou que “é fundamental desenhar locais de trabalho mais saudáveis, seguros e inclusivos”, já que que os “riscos em segurança e saúde no trabalho não são neutros em termos de género”.
O especialista alertou ainda para riscos físicos, psicossociais e organizacionais distintos – como stress, carga de trabalho e conflito entre vida profissional e pessoal – que são muitas vezes desvalorizados, apesar do impacto direto na produtividade e no bem-estar.
De acordo com Cristina Barbosa, o evento assumiu “um carácter simbólico de encerramento do mês de março”, num contexto alargado da celebração do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de março. “Neste enquadramento, reafirma‑se uma ambição que se pretende contínua: reforçar a criação e o crescimento de negócios, projetos e organizações da economia social liderados por mulheres, a nível nacional e internacional, enquanto motor de desenvolvimento económico, inovação social e impacto sustentável, com o suporte e a capilaridade da rede EEN”, conclui.











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