Conheça a SAP

SAP é uma das maiores empresas de software empresarial a nível global. Com sede na Alemanha, apoia organizações de praticamente todos os setores de atividade e as suas soluções visam melhorar a gestão de operações essenciais, nomeadamente em áreas como as finanças, as cadeias de abastecimento, os recursos humanos e a análise de dados.  

A plataforma RECreation, desenvolvida pelo INESC TEC, foi disponibilizada recentemente na SAP Store. Esta plataforma apoia o planeamento, a operação e a gestão de comunidades de energia renovável e de modelos de autoconsumo coletivo. Este marco reflete o compromisso do INESC TEC de levar a inovação baseada na investigação ao mercado, tornando-a acessível a organizações de todo o mundo. 

 

Como teve início a colaboração entre a SAP e o INESC TEC, e quais foram os principais fatores que levaram à concretização desta parceria? 

A relação entre a SAP e o INESC TEC é bastante anterior ao desenvolvimento da plataforma RECreation. As duas organizações colaboraram pela primeira vez em consórcios europeus de investigação, nomeadamente no projeto InteGrid, ao abrigo do Horizonte 2020, coordenado pela EDP Distribuição (com o INESC TEC como coordenador técnico), e, mais recentemente, no projeto BeFlexible, financiado pelo Horizonte Europa. No InteGrid, a SAP e o INESC TEC trabalharam em estreita colaboração, e não apenas como membros de um mesmo consórcio, desenvolvendo em conjunto a plataforma para a gestão da rede elétrica e do mercado, bem como algoritmos baseados em dados para o diagnóstico e a manutenção preditiva de transformadores elétricos. O projeto BeFlexible deu continuidade a este trabalho, alargando-o aos mercados de flexibilidade e à cooperação entre operadores das redes de distribuição (DSO) e de transporte (TSO). Ao longo destes anos, foi construída uma relação que exige muito trabalho: um conhecimento mútuo sobre a forma de trabalhar de cada organização e sobre os seus principais pontos fortes. Quando a SAP iniciou o desenvolvimento do SAP Distributed Energy Resources e direcionou a sua atenção para as comunidades de energia, o INESC TEC (com a plataforma RECreation) surgiu, naturalmente, como o parceiro ideal. Assim, a transição de uma colaboração de investigação para uma parceria comercial ocorreu de forma muito natural.

 

De que forma as capacidades tecnológicas e de negócio da SAP complementam a experiência científica e o conhecimento setorial do INESC TEC?

Os projetos europeus demonstraram essa complementaridade muito antes de ela ser formalizada. A SAP disponibiliza a base tecnológica empresarial: gestão de dados, gestão dos conceitos de medição para instalações complexas de produtores-consumidores (prosumers), recolha, validação e estimativa de dados energéticos, preparação da informação para liquidação e para processos de faturação através do SAP S/4HANA Utilities — tudo isto é extensível na SAP Business Technology Platform. Esta infraestrutura é o que permite que uma comunidade de energia funcione como uma realidade comercial e operacional, em vez de permanecer apenas um projeto-piloto que termina com o financiamento. O INESC TEC acrescenta a camada de design de mercado e de algoritmos: mecanismos de partilha de energia, coeficientes dinâmicos de alocação, definição de preços das transações, compensações financeiras entre os membros e otimização de recursos flexíveis. Acrescenta também investigação contínua, validada por revisão científica, sobre as diferenças regulamentares entre Portugal, Espanha, França e outros mercados europeus – conhecimento que uma empresa de software empresarial dificilmente consegue desenvolver internamente. A arquitetura da solução reflete esta divisão de responsabilidades: a plataforma RECreation integra-se ao ecossistema SAP for Utilities através do SAP Distributed Energy Resources, que atua simultaneamente como ponto de integração e como infraestrutura central de dados. O SAP DER gere as estruturas das instalações e da medição, os dados energéticos validados e a ligação entre ativos, membros e intervenientes do mercado, encaminhando posteriormente os resultados dos cálculos da comunidade para os processos de faturação, emissão de faturas e gestão da relação com o cliente. Desta forma, o INESC TEC necessita apenas de uma integração com uma única camada de confiança, em vez de estabelecer ligações individuais com todos os sistemas a jusante. Isoladamente, nenhuma das duas capacidades oferece uma solução completa; em conjunto, cobrem todo o percurso, desde a conceção da comunidade de energia até à emissão da fatura ao cliente.

 

A plataforma RECreation apoia o planeamento, a operação e a gestão de comunidades de energia renovável e de modelos de autoconsumo coletivo. De que forma a sua integração com o SAP Distributed Energy Resources reforça a oferta da SAP para empresas de serviços públicos, prestadores de serviços energéticos e outros clientes? 

O SAP DER disponibiliza a camada estrutural e de gestão de dados. Modela as estruturas de medição e as instalações dos prosumers, recolhe e valida dados energéticos, gere a relação entre ativos, membros e intervenientes do mercado e fornece essa informação aos processos comerciais subsequentes. A plataforma RECreation acrescenta a inteligência necessária à gestão das comunidades de energia: define e mantém a estrutura da comunidade, calcula transações e preços a cada quinze minutos, determina as tarifas de acesso às redes para a energia autoconsumida, produz a informação necessária para a faturação e apoia o planeamento de novos ativos da comunidade. Na prática, uma empresa do setor energético pode criar, operar, efetuar a liquidação e faturar uma comunidade de energia recorrendo aos sistemas que já possui e aos dados que já controla. Esta é uma vantagem comercial importante, pois permite às empresas de serviços públicos e aos prestadores de serviços energéticos disponibilizar soluções para comunidades de energia sem terem de transferir a relação com os clientes ou os dados subjacentes para plataformas de terceiros.

 

Qual é a importância desta parceria para a oferta da SAP na área dos sistemas de gestão de comunidades de energia destinados às empresas de serviços públicos? 

Esta parceria é absolutamente vital. As comunidades de energia e o autoconsumo coletivo estão a passar de uma ambição política para uma realidade operacional em toda a Europa, sendo as empresas de serviços públicos chamadas a apoiá-los numa escala em que os processos manuais deixam de ser viáveis. A complexidade é notória: liquidação de quinze em quinze minutos, modelos dinâmicos e hierárquicos de alocação, múltiplos níveis de tensão, membros com contratos individuais de fornecimento e fluxos de compensação que têm de ser conciliados com a faturação comercial. A SAP não pretende reproduzir internamente todos os modelos regulatórios nacionais nos seus produtos. A estratégia passa por disponibilizar uma plataforma empresarial aberta e colaborar com parceiros especializados que dominem a lógica específica de cada mercado. O que torna o INESC TEC particularmente valioso é o facto de estes mecanismos terem sido desenvolvidos e validados em projetos europeus de demonstração envolvendo operadores reais das redes de distribuição, consumidores e enquadramentos regulamentares reais. Isso permite à SAP responder de forma sólida quando uma empresa de serviços públicos pretende implementar uma solução completa para comunidades de energia. 

 

Como descreveria a experiência da SAP em trabalhar com o INESC TEC e o que faz desta instituição um parceiro de inovação recomendável para outras empresas?

Os vários anos de colaboração em consórcios europeus deram à SAP uma visão muito clara da forma como o INESC TEC trabalha. A instituição aborda os projetos com base em modelos de dados concretos, medições reais e enquadramentos regulamentares efetivos, e não apenas ao nível conceptual. Isso torna o trabalho conjunto com os clientes muito mais eficiente, porque as questões encontram respostas concretas em vez de serem adiadas. Além disso, o INESC TEC demonstra uma forte capacidade de execução. Nos projetos InteGrid e BeFlexible, os compromissos assumidos na fase de candidatura traduziram-se em software funcional e demonstrações em ambiente real, algo que nem sempre acontece em projetos colaborativos de investigação. A esta capacidade junta-se o rigor científico aplicado a problemas que o setor muitas vezes trata de forma menos estruturada. A investigação publicada que suporta a plataforma RECreation oferece um nível de transparência pouco comum nas soluções comerciais. Para qualquer organização que trabalhe na área da energia descentralizada, um parceiro que compreenda, simultaneamente, os princípios físicos dos sistemas energéticos, as regras de mercado e seja capaz de transformar resultados científicos em plataformas operacionais representa um enorme valor. É isso que torna o INESC TEC um parceiro altamente recomendável. 

 

Olhando para o futuro, o que podemos esperar da SAP nos próximos anos?

A SAP pretende continuar a investir no SAP Distributed Energy Resources enquanto plataforma empresarial de referência para a economia da flexibilidade energética, concentrando-se nas áreas em que as empresas de serviços públicos necessitam de um sistema de informação fiável: registo e gestão do ciclo de vida dos ativos energéticos distribuídos, gestão da medição e dos dados energéticos, partilha de energia, flexibilidade e processos comerciais que ligam estas áreas ao cliente. Em paralelo, a SAP irá continuar a desenvolver um ecossistema estruturado de parceiros, reconhecendo que nenhum fornecedor, por si só, deve procurar abranger áreas como a ligação a dispositivos, o desenho dos mercados e a análise das redes elétricas. A Inteligência Artificial aplicada assumirá um papel cada vez mais relevante, sobretudo na previsão, na deteção de anomalias e na análise de grandes volumes de dados provenientes dos prosumers. A SAP pretende, igualmente, manter uma participação ativa em projetos europeus de investigação colaborativa, uma vez que é nesse contexto que estão a ser testados os modelos de mercado que irão moldar a próxima década. A direção é clara e consistente: manter a plataforma aberta, assegurar que os dados permanecem sob o controlo das empresas de serviços públicos e permitir que parceiros especializados, como o INESC TEC, acrescentem conhecimento especializado onde ele é necessário.

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