O verão trouxe mais de uma centena de estudantes ao INESC TEC. Vêm estagiar e “experimentar a investigação por dentro” 

Nunca o INESC TEC recebeu tantas candidaturas para os Estágios de Verão em Investigação. Numa edição de recordes, o Instituto voltou a abrir as portas a estudantes de licenciatura e mestrado durante um mês. 

Mais candidaturas, mais nacionalidades, mais tópicos de investigação. Os Estágios de Verão em Investigação do INESC TEC voltaram a ser a porta de entrada para mais de uma centena de jovens em busca da primeira experiência em contexto real de investigação científica.  

E este ano a palavra-chave é “mais”. Nunca o INESC TEC recebeu tantas candidaturas – 323, que se traduziu em 121 participantes –, numa edição marcada também pelo maior número de candidatos internacionais: estudantes de 31 nacionalidades manifestaram interesse em descobrir os laboratórios do maior instituto de investigação na área da Engenharia em Portugal. 

“Os Estágios de Verão são, antes de mais, uma oportunidade para os estudantes experimentarem a investigação por dentro. Durante algumas semanas deixam de estar apenas a aprender sobre ciência e passam a fazer parte de uma equipa, a trabalhar num problema concreto, a testar ideias e a discutir resultados”, indica Sara Brandão, responsável pelo Gabinete de Estudantes na Investigação do INESC TEC. 

A iniciativa que começou em 2017 – na altura, no âmbito de um grupo de investigação da área de Telecomunicações e Multimédia – foi sendo progressivamente alargada.  Em 2026, os estudantes de licenciatura e mestrado selecionados puderam escolher entre 80 temas de estágio em oito domínios de investigação do INESCTEC: Inteligência Artificial, Bioengenharia, Comunicações, Ciência e Engenharia de Computadores, Sistemas de Energia, Robótica e Engenharia e Gestão de Sistemas, e Fotónica – que surgiu pela primeira vez de forma autónoma no leque de possibilidades. 

Altura certa para identificar talento 

E por falar em “possibilidades”, o caminho traçado pela iniciativa nos últimos anos vai para lá do valor formativo da experiência. Não raras vezes, os jovens que chegam para uma experiência de curta duração vêm a ligação ao INESC TEC estender-se na forma de futuras bolsas, projetos e mesmo contratos de trabalho.  

Para o INESC TEC, o programa ganhou, para além de escala, também uma “dimensão estratégica”. “Permite-nos aproximar estudantes de licenciatura e mestrado das nossas equipas e criar uma ponte entre a formação académica e a investigação. O crescimento das candidaturas e a diversidade de estudantes que conseguimos atrair mostram o interesse por este tipo de experiências. Queremos continuar a consolidar o programa como uma porta de entrada para a investigação e uma oportunidade para identificar e desenvolver talento que poderá continuar ligado ao INESC TEC no futuro”, sustenta Sara Brandão. 

Os estágios chegaram ao fim com uma sessão de encerramento de holofotes postos nos futuros cientistas. os estágios decorreram de forma concentrada entre 29 de junho e 31 de julho, começando com uma sessão comum de acolhimento e terminando com uma sessão final conjunta. 

No último dia, os estudantes são desafiados a sintetizar várias semanas de trabalho numa apresentação muito curta, explicar os principais resultados a uma audiência diversificada e responder a questões colocadas pelo júri.  

Uma experiência humana 

É neste momento que são atribuídas as distinções de Melhor Estágio, sem ordenação entre os trabalhos distinguidos, valorizando a qualidade do trabalho desenvolvido, o rigor, a evolução demonstrada durante o estágio e a capacidade de comunicar e discutir os resultados. 

E depois fica o impacto, bem patente no feedback recolhido pelo INESC TEC no final de cada edição. Os estudantes que receberam a distinção no evento final falam de um estágio “humano”, construído em proximidade com os investigadores, e destacam a bagagem que o dia-a-dia no INESC TEC aporta para o futuro. “Esta experiência permitiu-me adquirir competências práticas, melhorar a minha capacidade de resolução de problemas e ganhar mais confiança como futura engenheira”, resume Maria Mota, uma das estudantes distinguidas. 

Mariana Maia, também galardoada no evento de encerramento, fala numa “experiência fantástica”. “Desenvolvi competências valiosas na manipulação de vídeo e no processamento de dados multimédia, ao mesmo tempo que desfrutei do ambiente acolhedor e dinâmico do instituto”, refere a estudante.  

Rodrigo Badim desenvolveu um pipeline completo de machine learning, desde os dados brutos até aos resultados concretos. “Adquiri uma compreensão muito mais profunda do que é, na verdade, uma avaliação rigorosa e fiável de modelos. Foi uma grande experiência, que combinou a bioengenharia com a aprendizagem automática“.  

Os números recolhidos pelo Instituto vão ao encontro da experiência de Maria e Mariana e Rodrigo. Para além da elevada satisfação global (4,4/5), os resultados mostram sobretudo o impacto formativo da experiência: 94% dos participantes referem ter adquirido novos conhecimentos ou competências, 92% consideram ter trabalhado em problemas reais e relevantes e 88% afirmam compreender melhor como se desenvolve investigação. 

A experiência parece também contribuir para as escolhas futuras dos estudantes: 96% referem ter explorado novas perspetivas de estudo ou carreira e 90% consideram que o trabalho desenvolvido poderá influenciar o seu percurso profissional. 

Com uma procura crescente e uma participação cada vez mais diversa, os Estágios de Verão afirmam-se assim como uma das portas de entrada dos estudantes no ecossistema de investigação do INESC TEC.   

A experiência termina em julho, mas, para muitos, o contacto iniciado durante estas semanas poderá ser apenas o primeiro passo de um percurso que continue na investigação – no INESC TEC ou fora dele. 

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