INESC TEC lidera ODE4EC-PIV, que quer reduzir a dependência de ferramentas dispendiosas de grandes empresas estrangeiras, tornando o design de chips mais acessível, rápido e barato para PMEs, universidades e estudantes, através de ferramentas gratuitas e disponíveis em open source.
Atualmente, se uma pessoa – ou até mesmo uma empresa – quiser desenvolver um chip (os componentes que estão dentro de telemóveis, carros, eletrodomésticos, por exemplo) pequeno e eficiente, necessita de aceder a um software cuja licença custa largos milhares de euros. Chip esse que pode ser usado numa série de áreas de aplicação, desde sensores agrícolas a dispositivos médicos portáteis. Mas isso não está ao alcance nem de qualquer pessoa e nem de muitas empresas, nomeadamente as PME. É, nesse contexto, que surge o projeto europeu ODE4EC-PIV, liderado pelo INESC TEC. Este projeto integra-se na iniciativa ODE4EC (Open Design Environment for European Chips), que se divide em três projetos, um liderado por Portugal, outro pela Alemanha e outro por Itália. No total, são 50 milhões de euros disponíveis para desenvolver ferramentas gratuitas e abertas (open source), dos quais cerca de 20 milhões vêm do Horizonte Europa e aproximadamente 15 milhões de euros dos países participantes. O projeto está alinhado com a “Lei Europeia dos Chips” (Chips Act), que visa reforçar a produção e o design de semicondutores na Europa.
Mas, em termos concretos, estamos a falar de quê?
A iniciativa ODE4EC pretende consolidar um ecossistema de ferramentas abertas para o design de chips, integrando e desenvolvendo ferramentas novas e existentes, vendo as ferramentas abertas não apenas como uma forma de reduzir custos, mas sim um pilar estratégico para reforçar a soberania europeia na área dos semicondutores.
Nesse contexto, o ODE4EC-AMS, mais voltado para o design de sistemas analógicos e mistos é liderado pela Alemanha; o ODE4EC-DIG, focado no design digital é liderado pela Itália e o ODE4EC-PIV, que inclui questões de produtividade, interoperabilidade e verificação, é liderado por Portugal, especificamente pelo INESC TEC, incluindo 24 parceiros de nove países europeus, entre empresas, universidades e organizações de investigação. Atualmente, projetar chips depende muito de software caro e controlado por poucas empresas. Luís Miguel Pinho, investigador do INESC TEC e docente no ISEP, explica que a “maior parte do software existente é não europeu e que estes são os primeiros passos para alavancar uma iniciativa europeia baseada em open source para desenvolver chips”.
O ODE4EC-PIV pretende melhorar a produtividade no desenvolvimento dos chips, a interoperabilidade com ferramentas de verificação, e a utilização de Inteligência artificial para automatização do processo de desenvolvimento. Luís Miguel Pinho garante que o objetivo é dar às empresas ferramentas avançadas que lhes permitam desenvolver as suas soluções, algo que as vai posicionar em termos de competitividade.
A verdade é que não se trata apenas de uma ferramenta para especialistas, mas algo que pode afetar positivamente a educação, o empreendedorismo e, em última instância, a economia.
“Uma empresa que queira entrar no mercado com uma nova solução pode mais facilmente ter acesso a ferramentas que permitem fazer protótipos de forma mais rápida e barata, assim como torna mais fácil para uma instituição de ensino e para os estudantes terem acesso a ferramentas profissionais sem custos de licenciamento, permitindo formar mais e melhores profissionais em áreas muito mais diversas”, explica o investigador.
A iniciativa não vê as ferramentas abertas como uma substituição das ferramentas proprietárias, as quais serão ainda essenciais para tecnologias mais específicas e fabrico de semicondutores avançados. Mas as ferramentas abertas permitirão um acesso mais fácil de pessoas e empresas ao desenvolvimento de chips, assim como uma maior capacidade de inovação europeia na área.
As vantagens do projeto terão, por isso, impacto direto na população e na sociedade, ao garantir que a Europa fica menos dependente de software de design de chips controlado por empresas estrangeiras; dando mais oportunidades às PME e start-ups que normalmente não conseguem pagar licenças caras de software; ajudando a formar talento, uma vez que o projeto inclui materiais educativos abertos e, não menos importante, o facto de ser open source, permite a qualquer pessoa pode usar, melhorar e adaptar as suas ferramentas.
Liderado pelo INESC TEC, o ODE4EC-PIV inclui ainda a participação portuguesa da empresa IObundle e do INESC ID. Recentemente, mais de 60 profissionais e investigadores dos três projetos reuniram-se em Gante, na Bélgica, durante dois dias, para planear as atividades conjuntas, dentro de cada projeto e entre projetos. Esta reunião bem-sucedida permitiu definir o roteiro dos desenvolvimentos para os próximos três anos, bem como o plano para os primeiros entregáveis técnicos, previstos para novembro. A equipa do INESC TEC neste projeto inclui investigadores ligados, ao Instituto Superior de Engenharia do Porto, à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e à Universidade do Minho.

Notícias, atualidade, curiosidades e muito mais sobre o INESC TEC e a sua comunidade!