Mariana Cunha
“A Mariana Cunha concluiu o seu doutoramento em Ciência de Computadores na FCUP em junho de 2025, período durante o qual assumiu um papel de destaque no projeto Europeu PRIVATEER, com relevantes contribuições científicas, técnicas e de gestão. Em particular, desenvolveu um toolkit de privacidade que foi usado para anonimizar informações sensíveis do fluxo de dados para deteção de anomalias em redes de próxima geração. Esta ferramenta modular, facilmente extensível a outros tipos de dados, foi disponibilizada à comunidade como um projeto de código livre, podendo ser utilizada para análise de privacidade e anonimização de dados de natureza diversa. Para além deste esforço técnico, contribuiu com várias publicações científicas alertando para os riscos à privacidade de localização através de redes sem fios, tendo também um papel ativo na gestão do projeto PRIVATEER concluído no final de 2025, representando o INESC TEC em assembleias gerais do projeto e liderando a redação de um deliverable. Consideramos este reconhecimento de inteira justiça, face ao seu desempenho, dedicação e contribuições para o projeto durante o seu doutoramento”.
– coordenação do CRACS
Foi referida a conclusão do seu doutoramento no ano transato; poderia falar-nos um pouco mais sobre o tema que explorou, e de que forma articulou este trabalho com as atividades no INESC TEC?
Numa sociedade cada vez mais digital, onde há uma crescente e contínua partilha de dados, têm surgido vários desafios para manter e proteger a privacidade dos utilizadores. Neste sentido, o tema central do meu doutoramento passou pela análise dos riscos inerentes ao acesso a diferentes tipos de dados, que podem estar correlacionados entre si, e pela proposta de mecanismos de preservação de privacidade. A ideia do desenvolvimento de um toolkit de privacidade surgiu com o objetivo de dar resposta à falta de uma maneira sistematizada de analisar e quantificar a privacidade em diferentes contextos. O facto desta ferramenta ser um projeto de código livre, modular e facilmente extensível impulsiona o envolvimento da comunidade científica, sendo um incentivo para a promoção da Ciência Aberta. No âmbito das atividades no INESC TEC, este toolkit foi um facilitador para a colaboração em projetos, como o PRIVATEER, e para a articulação com equipas de investigação nacionais e internacionais.
Além disso, foi mencionada a sua participação no projeto PRIVATEER; para além do desenvolvimento de um toolkit de privacidade e da elaboração de um deliverable, o que mais gostaria de destacar neste projeto (principais resultados, metas alcançadas, fator diferenciador, etc.)?
O projeto PRIVATEER teve como principal objetivo o desenvolvimento de facilitadores de segurança, com foco na privacidade, para redes 6G. Em particular, este projeto abordou os crescentes desafios de segurança e de privacidade no contexto das redes de próxima geração, integrando os princípios de privacidade desde a sua conceção. Perante a emergente relevância da Inteligência Artificial (IA), um dos aspetos que gostaria de destacar neste projeto é a simbiose entre a IA e a proteção da segurança e privacidade. A título de exemplo, a deteção de anomalias foi desenvolvida com base em modelos de IA, sem descurar a privacidade e a anonimização de informações sensíveis provenientes do fluxo de dados destas redes. Além disso, gostaria de realçar a diversidade do consórcio, com parceiros da academia e da indústria, o que permitiu o contacto com realidades distintas e o sucesso do projeto. Por fim, destaco o Prémio de Melhor Stand na conferência EuCNC & 6G Summit para o PRIVATEER, em 2024, onde marcaram presença vários projetos internacionais.
Que desafios encontrou – ou encontra – no decorrer das suas atividades?
Os dados têm assumido um papel fundamental na nossa sociedade. Se, por um lado, queremos dados com a melhor qualidade possível para que se mantenham úteis e relevantes, por outro lado, é crucial proteger a privacidade e as informações sensíveis que podem ser inferidas a partir desses mesmos dados. Assim, o equilíbrio entre a privacidade e a utilidade será sempre um dos principais desafios nesta área.
Do que mais gosta no seu trabalho?
A possibilidade de construirmos conhecimento e de trabalharmos “sobre os ombros de gigantes” tem não só um cariz desafiante, mas também bastante motivador. Acresce, ainda, a liberdade que a investigação implica como um dos fatores que me faz gostar tanto deste trabalho.
Como comenta esta nomeação?
É gratificante ver o trabalho reconhecido. Agradeço esta nomeação e partilho-a com todas as pessoas “extraordinárias” com quem me tenho cruzado e com quem tenho colaborado. Por fim, gostaria de enaltecer esta iniciativa do INESC TEC.
Miguel Melo
“A coordenação do HUMANISE gostaria de nomear Miguel Melo, Professor Associado no Departamento de Engenharias da UTAD. Esta nomeação resulta da sua presença no ranking World’s Top 2% Scientists 2025, da Stanford University, promovido em parceria com a Elsevier. Esta lista inclui e reconhece investigadores com impacto científico comprovado a nível mundial, sendo este reconhecimento digno de destaque. Importa recordar que Miguel Melo retém um index H de 25, fazendo parte de um conjunto vasto de mais de 120 publicações, com mais de 2500 citações. Além disso, e nos últimos dois anos (2024 e 2025), publicou 25 artigos indexados na Scopus, dos quais 13 em revistas Q1. A este feito junta-se a supervisão de teses de mestrado e de doutoramento, bem como a participação em diversos projetos de investigação, grande parte deles ligados à indústria e a instituições de interesse social”.
– coordenação do HUMANISE
O Miguel foi selecionado para integrar a lista World’s Top 2% Scientists 2025, promovida pela Stanford University e pela Elsevier; como reagiu a esta nomeação? Qual a importância da mesma, não só a nível profissional, mas também a nível pessoal?
Na verdade, não soube logo; vi que vários investigadores portugueses faziam parte da lista e fiquei com curiosidade de ver quem eram, mas no momento não tive a oportunidade de ver a lista e acabei por me esquecer do assunto. Quando um colega comentou comigo que eu estava na lista e me deu os parabéns, fiquei surpreso e, obviamente, contente com a novidade! É claro que o reconhecimento é sempre bom, mas também faz aumentar a responsabilidade de fazer mais e melhor!
Está, também, responsável pela supervisão de teses; é facíl encontrar o equilíbrio entre as funções de docente e de investigador? Ou depara-se com alguns desafios?
A nossa carreira tem essa particularidade: temos que nos desdobrar entre as dimensões de docente e investigador, sendo que ambas as vertentes são muito exigentes. Não é nada fácil pois o tempo é sempre muito limitado para o volume de trabalho existente pelo que há que tomar decisões difíceis e aprender a dizer que “não” para não comprometer todo o trabalho que temos em mãos devido a sobrecarga.
Foi referida a sua participação em diversos (e diferentes) projetos; há algum que queira destacar (fator inovador, objetivos alcançados, potencial, resultados e impacto, sentimento de realização ou importância para a carreira de investigação, etc.)?
É difícil destacar um projeto particular entre os vários que participei ou participo! Em termos de realização pessoal, é com muita satisfação que estive envolvido na criação do laboratório de Realidade Virtual MASSIVE, que tem sido também um pilar importante no meu percurso científico e para os projetos em que participo. A possibilidade de trabalhar em diferentes áreas – desde a educação, produtividade e indústria, até à área da defesa e segurança radionuclear – e com diferentes parceiros de referência (quer a nível nacional, quer a nível internacional) também é algo que me move, sendo que em cada um dos diferentes projetos, o objetivo é sempre acrescentar valor.
Do que mais gosta no seu trabalho?
A possibilidade de estar sempre em contacto com os últimos avanços tecnológicos e contribuir, também, para criar novas soluções, é algo que me entusiasma, sobretudo quando vemos que pode ser aplicado em ambiente real e, dessa forma, ter um contributo positivo no dia a dia das pessoas.
Como comenta esta nomeação?
O INESC TEC é uma instituição de I&D de referência e cheia de pessoas com talento, pelo que é um orgulho ser nomeado de entre tantas pessoas que fazem coisas incríveis.

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