Os contributos do INESC TEC para a transformação digital estiveram em evidência numa ação de demonstração, no âmbito da agenda mobilizadora PRODUTECH R3 do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR).
Desta feita, as instalações da Solzaima, empresa portuguesa que se dedica à produção de soluções de aquecimento, foram o palco da apresentação do trabalho desenvolvido e que visou a conceção, implementação e evolução de soluções de digitalização industrial e Digital Twin. O objetivo? Modernizar processos produtivos, integrar sistemas de informação e dotar fábricas de mecanismos capazes de apoiar decisões estratégicas e operacionais.
Especificamente, o papel do INESC TEC no projeto passa pelo apoio científico e tecnológico na criação de uma réplica virtual tridimensional e em tempo real da operação fabril – também conhecida como Digital Twin. Esta ferramenta permitirá às empresas reproduzir fielmente o funcionamento das suas fábricas, num ambiente seguro para simular cenários, testar alterações e gerar conhecimento sem que o processo produtivo seja perturbado.
“É uma solução que nos permite otimizar processos dentro da fábrica de uma forma muito visual. Muito rapidamente, conseguimos olhar e perceber o que é que está bem e o que é que está mal”, explica Nuno Sequeira, CEO da Solzaima. Foi com muita “gratificação” que o responsável assistiu à demonstração, depois de acompanhar o trabalho da equipa ao longo de um ano. Um ano de trabalho que, aos dias de hoje, alterariam, por exemplo, a estrutura da fábrica onde as operações da Solzaima decorrem. “Esta fábrica nasceu há muito pouco tempo, mas se estivesse hoje a construí-la, o tempo que levamos a desenhar os processos e a pensar sobre os mesmos seria muito mais breve – e muito mais eficaz.”
Mas os contributos do instituto para a modernização não se ficam por aqui. Para além das alterações no fabrico, com a introdução de técnicas de vanguarda, a Solzaima avançou igualmente com a integração dos seus sistemas digitais, num processo também acompanhado e apoiado pelo INESC TEC. Durante a demonstração foi dado especial destaque ao MES (Manufacturing Execution System), um sistema dedicado à digitalização do chão de fábrica, o qual possibilita a contabilização e medição de parâmetros como os consumos de matéria-prima, tempo de produção e rastreamento dos operadores.
Tendo por base este processo de reformulação e os dados que dela resultaram, a equipa do INESC TEC conseguiu estabelecer os alicerces para o funcionamento de Digital Twin, através da qual se tornaram viáveis modelos de simulação, APIs e mecanismos de geração automática de cenários. Desta forma, será possível à empresa avaliar a introdução de novas ferramentas, a redistribuição de recursos ou a aquisição de novos equipamentos sem que isso represente testes dispendiosos.
Promovido pelo instituto, o conceito de simulation on demand permite que a simulação faça parte do dia a dia das empresas, no apoio às tomadas de decisão rápidas e informadas, mesmo quando no processo estão pessoas sem conhecimentos em simulação. É, por isso, essencial que os objetivos específicos de cada negócio estejam presentes em cada fábrica, cada operação e cada estratégia.
António Almeida, investigador do INESC TEC e um dos responsáveis pela área de Engenharia de Sistemas e Gestão Industrial, considera que a demonstração permitiu alcançar três objetivos – perfeitamente alinhados com as metas também definidas na agenda do PRR. O primeiro tem que ver com a capacitação, já que no processo o INESC TEC está a levar conhecimento para o mercado e para a indústria. “Capacitamos as empresas tecnológicas para implementarem da melhor forma as ferramentas de Digital Twin, de acordo com o que são as necessidades da indústria portuguesa”, explica.
De seguida, assistiu-se a um “reforço da cadeia de valor”, fruto do trabalho conjunto desenvolvido pelas diferentes entidades envolvidas. Se, numa primeira fase, as empresas desenvolvem tecnologia 100% portuguesa, depois, são criadas máquinas capazes de integrar as bibliotecas low-code de Digital Twin – e, consequentemente, acelerar a utilização destas tecnologias no contexto industrial.
Finalmente, o último objetivo prende-se com a soberania tecnológica, já que o que está em causa é “tecnologia 100% portuguesa”. “Tudo o que está a ser desenvolvido tem alicerces em tecnologia desenvolvida em Portugal, que tem como objetivo máximo criar uma plataforma low-code democratizável e que seja acessível não só para as grandes empresas, mas também para PMEs, que passam a ter acesso a uma tecnologia ainda cara, ainda de difícil acesso, ainda de difícil customização e adaptação. Portanto, o objetivo com esta tecnologia é acelerar a adoção deste tipo de tecnologias Digital Twin no contexto industrial e no tecido empresarial português.”
O investigador mencionado na notícia tem vínculo ao INESC TEC.




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