Uma equipa trabalha na área da Robótica; a outra em Engenharia e Gestão de Sistemas. Em comum, têm a vontade de levar o seu trabalho de investigação e desenvolvimento para o mercado. Essa vontade levou-os a participar no TechLaunch, um bootcamp de empreendedorismo, promovido pelo Programa UT Austin Portugal. As duas equipas de investigadores do INESC TEC ficaram entre as selecionadas para fazer parte deste programa e tiveram também a oportunidade de passar uma semana na UT Austin.
“Participamos neste programa com dois objetivos principais: perceber se a tecnologia e os protótipos que desenvolvemos para cenários de aplicação específicos vão ao encontro das necessidades dos seus potenciais utilizadores; e validar a hipótese de que, ao oferecer uma solução para os problemas do mercado, haveria efetivamente potenciais clientes interessados em adquirir o produto” – Pedro Marques e Francisco Carneiro são investigadores no domínio da Robótica e fizeram parte das equipas selecionadas para fazer parte da primeira edição do bootcamp TechLaunch. O mesmo aconteceu com Henrique Piqueiro, Pedro Senna, Ana Carolina Tavares e Romão Santos, que arriscaram participar nesta iniciativa para “avaliar a viabilidade comercial de uma tecnologia de otimização de processos baseada em simulação discreta desenvolvida no INESC TEC e perceber se existe um verdadeiro fit com o mercado industrial”, explicam os investigadores do domínio de Engenharia e Gestão de Sistemas.
Ao longo de várias semanas, os investigadores, juntamente com outros grupos de investigadores nacionais, puderam aprender sobre transferência de tecnologia de base científica para o mercado e tiveram acesso a mentoria especializada, bem como contacto direto com decisores empresariais, tanto na Europa como nos Estados Unidos da América (EUA). A ideia era que, ao longo do Programa, pudessem adquirir competências para avaliar o potencial comercial das suas soluções e definir uma estratégia para a respetiva valorização.
Para Henrique Piqueiro, Pedro Senna, Ana Carolina Tavares e Romão Santos, “o Techlaunch permitiu consolidar três aprendizagens fundamentais: compreender o valor da solução a partir da perspetiva do cliente, beneficiar do acompanhamento de mentores com experiência em transferência de tecnologia e criação de empresas, e realizar entrevistas com decisores reais, tanto em Portugal como nos EUA. Foi, por isso, uma oportunidade estruturada para testar hipóteses de mercado, identificar potenciais primeiros utilizadores e clarificar estratégias de posicionamento”.
A formação culminou com uma semana passada na Universidade do Texas em Austin, que permitiu às equipas contactar diretamente com mentores, investigadores e empresários locais e discutir o potencial das tecnologias no contexto do mercado norte-americano. Na opinião de Pedro Marques e Francisco Carneiro, “o aspeto mais marcante” da estadia no outro lado do Atlântico, foi o contacto com a cultura de uma cidade como Austin, que cada vez mais se afirma como um hub de tecnologia e empreendedorismo. “Ao presenciar a mentalidade empreendedora e otimista dos norte-americanos, é fácil perceber que o «Sonho Americano» está profundamente enraizado na sua cultura, o que nos ajudou a mudar a nossa perspetiva no que diz respeito ao empreendedorismo e à possibilidade de arriscar em prol de algo em que acreditamos”, acrescentam.
A equipa do domínio de Engenharia e Gestão de Sistemas também destaca as diferenças culturais: “as entrevistas realizadas com empresas dos EUA evidenciaram diferenças claras face ao contexto europeu, nomeadamente um maior foco em retorno financeiro imediato, ciclos de decisão mais curtos e, paradoxalmente, uma menor adoção atual de ferramentas de simulação. Esta exposição internacional foi determinante para compreender como adaptar a proposta de valor a diferentes contextos de maturidade digital e organizacional”, dizem.
Vivida esta experiência, o caminho pela frente é longo. Se para Pedro Marques e Francisco Carneiro o futuro envolve tomar decisões sobre posicionamento e realizar análises financeiras para definir o modelo de negócio a adotar, para Henrique Piqueiro, Pedro Senna, Ana Carolina Tavares e Romão Santos, os próximos passos passam por concluir um protótipo funcional e iniciar pilotos com duas a três fábricas para demonstrar o impacto operacional da tecnologia. Em todo o caso, a meta é mesma: conseguir levar a ciência para o mercado.



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