Entre a investigação e a inovação para o mar, o INESC TEC colocou os ‘pontos nos is’ no Business2Sea

No Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, o INESC TEC colocou a investigação dos oceanos na rota do Business2Sea. Ao longo do evento, investigadores e representantes do Instituto foram presença assídua em painéis, mesas-redondas e apresentações, partilhando experiência e perspetivas futuras sobre a inovação para o mar.

Entre 24 e 25 de novembro, o Terminal de Cruzeiros da APDL, em Matosinhos, foi palco da 13.ª edição do Business2Sea. O evento, organizado pelo Fórum Oceano, visou mais uma vez promover a interação entre vários atores da Economia Azul, desde a ciência e investigação à indústria.

Sob o mote das “Parcerias Globais para um Futuro Azul Sustentável”, a mais recente edição do Business2Sea convidou entidades não só locais e nacionais, mas também do Brasil, do Canadá, do Japão e ainda da Noruega – com o SINTEF, mentor do Centro de Excelência INESCTEC.OCEAN, a representar a comitiva nórdica.

No primeiro dia do evento, o INESC TEC inaugurou a “Blue Room” com uma mesa-redonda dedicada à aquacultura. A sessão, coorganizada com a APA – Associação Portuguesa de Aquacultores, endereçou o tema “Avançar a Aquacultura Sustentável: Inovação e Colaboração pelo Atlântico”.

Antes do momento de discussão, o evento paralelo iniciou com duas apresentações: Diana Viegas, Coordenadora do INESCTEC.OCEAN, voltou a contextualizar o Centro de Excelência em Investigação e Engenharia para o Oceano liderado pelo INESC TEC. Já Hagbart Alsos, coordenador de investigação no SINTEF Ocean, enquadrou as tecnologias e demais desenvolvimentos aplicados à aquacultura no centro norueguês.

A mesa-redonda, moderada por Vasco Teles, Business Developer do INESCTEC.OCEAN, e Rui Azevedo, Business Adviser do INESCTEC.OCEAN, contou com a presença de figuras do setor português da aquacultura: David Lima, Gestor de Produção de linguado da Stolt Sea Farm, António Castel-Branco, membro do Conselho de Administração da Naturafish, Pedro Encarnação, Diretor da Seaculture, e Isidro Blanquet, Secretário-Geral da Associação Portuguesa de Aquacultores.

“Falou-se num conjunto de necessidades relacionadas com as exigências do meio offshore. Portanto, tudo aquilo que tem que ver com a adaptação das tecnologias e materiais existentes aos ambientes extremamente agressivos do Atlântico”, explica Rui Azevedo.

O moderador do INESC TEC salienta que uma das preocupações mais presentes ao longo do debate na mesa-redonda foi a questão da integração de tecnologias na sua aplicação à aquacultura offshore: “O problema não será tanto a tecnologia já existente, mas a capacidade de integração de diferentes tecnologias [aos diferentes contextos], algo que exige uma colaboração alargada e aprofundada entre investigadores nas áreas da engenharia e da biologia”.

Uma das convergências mais evidentes entre os participantes da mesa-redonda foi a importância de se encontrar soluções eficientes a nível tecnológico. Segundo Rui Azevedo, as conclusões da discussão apontaram para um caminho a traçar na automação e eficiência de processos, como o uso de “ROVs (Veículos Operados Remotamente) para as operações de alimentação, monitorização e manutenção”.

“Também se destacou a necessidade de tecnologia capaz de medir eficazmente a biomassa disponível nos tanques, algo que está evidentemente relacionado com questões de eficiência da alimentação, dos sistemas de alimentação e da automação. A alimentação dos peixes é o principal fator de custo da produção e será dos parâmetros que devem ser mais controlados do ponto de vista da eficiência económica”, sintetiza o moderador do INESC TEC.

Potenciar a Economia Azul Atlântica através do projeto UPWELLING

Em novo evento paralelo na “Blue Room”, foi a vez de o destaque ir para o projeto UPWELLING. Sob o mote “Potenciar a Inovação e Competências para Impulsionar a Economia Azul”, a sessão foi dinamizada por INESC TEC, S2AQUAcoLAB e Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), membros integrantes deste projeto europeu, que visa promover a cooperação entre empresas e centros de inovação no progresso da Economia Azul do Atlântico.

Segundo Paula Lima, investigadora do INESC TEC, o UPWELLING “pretende colmatar lacunas da Economia Azul”, nomeadamente através de três medidas: a criação da Rede UPWELLING, “com parceiros de Portugal, Espanha, França e Irlanda, que concede acesso a infraestruturas de apoio”, o desenvolvimento da UPWELLING Academy, “na qual os vários parceiros vão desenvolver materiais de formação, e ainda a promoção de hackathons, “cujos vencedores serão apoiados pelos parceiros deste projeto”.

A sessão tinha o objetivo de identificar tecnologias emergentes, necessidades de competências e oportunidades de colaboração para a Economia Azul em Portugal. A discussão contou também com as intervenções de Eduardo Silva, investigador do INESC TEC e Coordenador Científico do INESCTEC.OCEAN, Cátia Marques, Coordenadora Científica do S2AQUAcoLAB, e Florbela Soares, investigadora do IPMA.

INESCTEC.OCEAN como líder de inovação em engenharia oceânica

A abrir o segundo dia de Business2Sea, o INESCTEC.OCEAN assumiu o palco principal do evento como exemplo da cooperação entre Portugal e Noruega para a Economia Azul. O painel “INESCTEC.OCEAN como Motor para a Inovação Empresarial em Engenharia Oceânica” centrou-se no Centro de Excelência liderado pelo INESC TEC e na forma como ambos os países poderão colaborar na investigação e desenvolvimento de tecnologias para o mar.

“Ao endereçar os problemas do mundo real, um especialista de uma área específica não resolve nada [sozinho]. É preciso juntar as pessoas para enfrentar estes desafios, que são complexos, em especial os dos oceanos. Mas para se fazer isso também são precisas infraestruturas, laboratórios, talento”, explica José Manuel Mendonça, Presidente Emérito do INESC TEC.

O também Coordenador do INESCTEC.OCEAN aproveitou o momento para apresentar o centro ao pormenor, sublinhando ser um resultado natural de “mais de 30 anos de experiência [do INESC TEC] em Robótica Marinha”. “Foi por isso que, em cooperação com o SINTEF, da Noruega, decidimos ser ousados e criar o INESCTEC.OCEAN, o primeiro Centro de Excelência em Investigação e Engenharia do Oceano em Portugal”.

O SINTEF esteve, naturalmente, presente no painel, representado por Trond Johnsen, Diretor de Desenvolvimento de Mercado do SINTEF Ocean. A conversa, moderada por Carlos Pinho, líder do Portugal Blue Digital Hub (PBDH) e Presidente da Companhia de Energia Oceânica (CEO), contou igualmente com a participação de Owe Hagesæther, Diretor Executivo do GCE Ocean Tech Cluster, David Afonso, Vice-Presidente da Nortech.AI e o Almirante Ramalho Marreiros, Diretor-geral do Instituto Hidrográfico da Marinha Portuguesa. A discussão foi precedida de uma intervenção da Embaixadora da Noruega em Portugal, Hanne Brusletto.

Um ‘super cluster’ canadiano para a cooperação no Atlântico

A cooperação no quadro da Economia Azul não se cinge apenas ao continente europeu. A colaboração com a Noruega, a convergir no INESCTEC.OCEAN, deve ser vista como um “exemplo” para “um mundo que precisa de estar mais conectado”, diz Eduardo Silva. Num painel dedicado à “Ligação do Hub Azul de Leixões ao Super Cluster do Oceano do Canadá”, o investigador do INESC TEC vira-se para o outro lado do Atlântico, onde acredita que seria vantajoso “estabelecer uma parceria sólida” com este país da América do Norte.

“O Super Cluster do Oceano do Canadá apresenta números impressionantes no que diz respeito ao número de associados e empresas e ao fluxo económico gerado. O Canadá é uma presença forte no Atlântico Ocidental e estão a tentar explorar o Oceano Ártico, o qual tem uma influência bastante forte nas nossas águas, no nosso peixe, na nossa costa”, explica o Coordenador Científico do INESCTEC.OCEAN.

O Hub Azul de Leixões – Polo I, infraestrutura coordenada pelo INESC TEC e onde nascerá uma das maiores bacias oceânicas para testes de tecnologia marinha da Europa, poderá fazer parte desta equação, “mas é sobretudo uma questão de governança, relacionada com o modo de cooperação entre Portugal e as empresas canadianas interessadas”, diz Eduardo Silva.

No entanto, numa altura de crescimento notório da Economia Azul a nível mundial, o investigador do INESC TEC salienta que “um país pequeno como Portugal precisa de se focar na construção contínua de um conjunto sólido de soluções” tecnológicas para o mar: “Não para o próximo ano, mas a pensar nos próximos 20, 30 anos, de modo a reforçar a nossa capacidade de colaborar com o resto do mundo”, frisa.

Numa conversa moderada por Gonçalo Faria, líder do Hub Azul Portugal, a perspetiva canadiana esteve a cargo de Kendra MacDonald, Diretora Executiva do Super Cluster do Oceano do Canadá. O painel ficou completo com as intervenções de Filipe Castro, membro do Conselho de Administração do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, e de João Galante, responsável do departamento de Engenharia Mecânica do Laboratório de Sistemas e Tecnologia Subaquática do INEGI. Elise Racicot, Embaixadora do Canadá em Portugal, discursou no início da sessão.

Ainda a cadeira não havia arrefecido e Eduardo Silva voltaria ao palco principal, desta vez como moderador de uma conversa promovida pela Fórum Oceano e com o apoio da Direção-Geral da Política do Mar e o Mecanismo de Assistência para as Estratégias de Bacia Marítima da União Europeia.

Na pele de Coordenador do Pilar IV da Estratégia Atlântica da União Europeia, o investigador do INESC TEC conduziu um painel subordinado ao tema “Do Atlântico ao Mediterrâneo: Resiliência Costeira e um Oceano Saudável”. O evento procurou explorar as convergências entre WestMED e a Estratégia Atlântica, o Pacto dos Oceanos e as prioridades da Economia Azul europeia, numa ótica de cooperação inter-regional e de colaboração entre as bacias marítimas do continente europeu e as áreas de mar adjacentes à União Europeia.

A conversa, introduzida por Marisa Lameiras da Silva, Diretora-Geral da Política do Mar, contemplou as intervenções de Wim Stubbe, Gestor de Projeto Transatlântico da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas (CPMR), Elizabeth Chapman, Diretora para Projetos Internacionais da EU no Cluster Marítimo Marinho da Andaluzia (CMMA), Miguel Santos, Responsável da Unidade de Monitorização e Observação do Oceano do IPMA, e André Couto, Responsável da Unidade de Monitorização Ambiental da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos. Rúben Eiras, Secretário-Geral do Fórum Oceano, encerrou a sessão.

E se o futuro das energias renováveis offshore passar pela realidade virtual?

De olhos postos no futuro da Economia Azul, a tónica nas energias renováveis do oceano mostra-se mais relevante do que nunca. Em linha com os objetivos europeus de descarbonização e eficiência energética a atingir até 2050, uma das hipóteses passará por “consolidar o processo de instalação de energia renovável offshore”, tal como conta Marco Amaro Oliveira.

O investigador do INESC TEC subiu ao palco principal do Business2Sea para apresentar a plataforma BLUE-X. Este projeto europeu – no qual o Instituto é membro integrante – apresenta-se como “solução inovadora de observação do oceano com vista à otimização dos processos associados às energias renováveis”. Desde a instalação à desativação, o BLUE-X “cobre todo o ciclo de vida de projetos de geração de energia renovável offshore”.

A partir de sistemas de observação satélite, o projeto fornecerá dados precisos sobre o mar, plasmados numa “ferramenta multiusos de realidade estendida [XR], desenhada para apoiar o planeamento, visualização e monitorização dos vários estádios de desenvolvimento dos projetos de energia renovável offshore”.

Através desta tecnologia imersiva, será também possível “monitorizar corredores para energia das ondas e das marés, assim como a simulação de cenários de catástrofe”. “Temos uma plataforma que permite a eficiência destas atividades a partir de uma tomada de decisão com base em dados”, conclui Marco Amaro Oliveira.

Ao longo dos dois dias de Business2Sea, os mais recentes desenvolvimentos do INESC TEC para o mar também estiveram em evidência na zona de exposições. Os investigadores Luís Coelho e João Mendes representaram o Instituto com demonstrações relacionadas com a Aliança para a Transição Energética e o projeto INNOAQUA, focado em desenvolver uma abordagem inovadora para o uso integrado de algas em práticas de aquacultura sustentável e aplicações alimentares de elevado valor acrescentado.

 

O investigador Eduardo Silva tem vínculo ao INESC TEC e ao IPP-ISEP.

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