INESC TEC contribui para discussão internacional sobre a resiliência dos sistemas elétricos de Portugal e do Texas

E, ainda que separados por um Oceano, são várias as questões que aproximam os sistemas elétricos dos dois territórios. Numa iniciativa organizada pelo Programa UT Austin Portugal, um conjunto de especialistas nacionais, entre os quais, investigadores do INESC TEC, rumou à Universidade do Texas em Austin (UT Austin), para discutir a estabilidade da rede elétrica e a resiliência dos sistemas. O Colóquio “The Resilience of the Electrical Systems in Portugal and Texas” contou ainda com a presença de Helena Canhão, Secretária de Estado da Ciência e Inovação.

Ao longo de dois dias, debateram-se três temas principais: a resiliência das infraestruturas e a prontidão na resposta a emergências; a estabilidade e a segurança dos sistemas; e o futuro e a coordenação estratégica. O Colóquio teve como objetivo promover a colaboração entre Portugal e o Texas, em matéria de resiliência energética, partindo das lições aprendidas, por exemplo, do apagão ibérico deste ano, para trabalhar numa estratégia de resiliência e cooperação transatlântica assente na ciência e na tecnologia.

“Os sistemas elétricos de Portugal e do Texas têm algumas caraterísticas de proximidade: incorporam grandes volumes de produção de eletricidade de origem renovável e apresentam algumas fragilidades relativamente às suas interligações às redes vizinhas. Daí resulta que a segurança dos seus sistemas elétricos necessita de ser planeada e monitorizada cuidadosamente”, explica João Peças Lopes.

Segundo o diretor do INESC TEC, que partilhou a organização científica do Colóquio com Brian Korgel, diretor do Instituto de Energia da UT Austin e responsável pela área de Energia Limpa do Programa UT Austin Portugal, o apagão que teve lugar em abril deste ano veio chamar a atenção para vários problemas associados à gestão das redes elétricas. “Veio, também, reforçar a necessidade de promover estudos complexos que permitam, com o suporte da ciência e da tecnologia, encontrar ferramentas e soluções inovadoras que garantam a segurança de operação e a resiliência dos sistemas elétricos quando se procura incorporar grandes volumes de produção de eletricidade de origem renovável”, acrescenta.

Em particular, no evento, foram abordados temas como observabilidade e controlabilidade do sistema elétrico, controlo dinâmico de tensão, coordenação entre o operador do sistema de transmissão o operador do sistema de distribuição e novos serviços de sistema.

Além disso, também se discutiu o futuro, nomeadamente, cenários de operação futuros, que envolvem novas cargas elétricas, como centros de dados, e novas cargas industriais de grande dimensão. “A integração de grandes volumes de produção de eletricidade a partir de energias renováveis interligadas com a rede através de conversores eletrónicos e o recurso massivo a sistemas de armazenamento de energia envolvem a análise de grandes volumes de dados e determinam o desenvolvimento de novas ferramentas de gestão da operação”, refere João Peças Lopes.

Para dar resposta a estas necessidades da indústria do setor elétrico, o diretor do INESC TEC reforça a importância da colaboração entre instituições do sistema científico e tecnológico de Portugal e dos Estados Unidos da América, neste caso, a UT Austin, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e também a Carnegie Mellon University (CMU) para dar suporte aos estudos e trabalhos de investigação que será necessário realizar.

João Peças Lopes, além de co-chair do Colóquio, também participou numa mesa-redonda sobre a resiliência da rede e num painel sobre a segurança e a estabilidade dos sistemas. Também o investigador do INESC TEC, Bernardo Silva, integrou um painel dedicado à resiliência das infraestruturas e a resposta a emergências, com destaque para ameaças físicas como terrorismo ou condições meteorológicas.

Rui Oliveira, diretor do INESC TEC e codiretor do Programa UT Austin Portugal, marcou igualmente presença no evento, assegurando a moderação da mesa-redonda acerca da resiliência da rede, em específico a colaboração entre a indústria e a academia e a cooperação transatlântica. Por fim, também José Manuel Mendonça, Presidente Emérito do INESC TEC e coordenador da estrutura de missão das parcerias internacionais da FCT, também participou no Colóquio.

Helena Canhão, Secretária de Estado da Ciência e Inovação, esteve presente no Colóquio, que contou também com representantes de outros centros de investigação, universidades e empresas nacionais, designadamente, Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), Agência Nacional de Inovação (ANI), EDP, Infraventus, Universidade Nova de Lisboa, Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), E-Redes, Instituto Superior Técnico (IST), Universidade do Minho, Universidade de Aveiro, Nova School of Business and Economics e MIT.

Recorde-se que as parcerias com a UT Austin, o MIT e a CMU foram renovadas pelo Governo português até 2030. Nesta nova fase, o Programa UT Austin Portugal conta com uma nova área: Energia Limpa.

Os investigadores mencionados na notícia têm vínculo ao INESC TEC, à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e à U. Minho.

Créditos das Fotografias: UT Austin

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