Ao longo dos próximos três anos vai ser desenvolvido um sistema de apoio à decisão, que apresentará as estratégias mais adequadas para realizar entregas de encomendas, de forma sustentável e eficiente, tendo em consideração as características urbanas do local onde têm de ser feitas. O projeto LOG-in visa melhorar a resposta aos desafios logísticos das entregas na última milha – uma etapa da logística urbana dispendiosa, complexa e com elevado impacto ambiental.
Ao longo da última década, o rápido crescimento do comércio online aumentou de forma significativa o número de desafios associados à logística da última milha (em inglês, last-mile logistics). Atualmente, esta etapa do processo, além de dispendiosa e complexa, pode contribuir para congestionamentos e para o aumento das emissões.
Isto porque, as cidades não são idênticas, nem nos aspetos construtivos, por exemplo, na dimensão das ruas ou no tamanho dos edifícios, nem no tipo de utilização que é dada às diferentes zonas da cidade, que podem ser residenciais, industriais, etc. Nesse sentido, os serviços de last-mile deveriam ser desenhados tendo em conta estas particularidades – o que nem sempre acontece. Por isso, torna-se necessário repensar a última milha e apresentar soluções que, sendo sensíveis ao contexto local, apresentem estratégias para sistemas de entrega mais eficientes e sustentáveis.
“As cidades não são homogéneas; são, pelo contrário, estruturas profundamente heterogéneas, quer do ponto de vista espacial e construtivo, quer no que respeita aos seus padrões de utilização. Porém, a última milha tem sido maioritariamente operacionalizada de forma uniforme, sem considerar de forma clara e objetiva as especificidades e necessidades de cada contexto urbano”, avança Tânia Fontes, investigadora responsável do projeto.
Assim, e para responder de forma mais eficaz aos desafios das entregas de última-milha, a investigadora do INESC TEC explica que, o que se pretende é desenvolver um sistema de apoio à decisão, sensível ao contexto, que estabeleça, de forma sistemática, a ligação entre as características espaciais ambientais e as necessidades sociais com as estratégias de entrega mais adequadas.
“Este sistema será concebido para apoiar tanto os operadores logísticos como os responsáveis pelas políticas urbanas na avaliação dos compromissos entre eficiência económica, sustentabilidade ambiental e equidade social e, consequentemente, no desenho de políticas mais eficazes. Assim, através deste projeto de investigação, pretendemos promover o desenvolvimento de sistemas de transporte urbano de mercadorias mais sustentáveis, eficientes e equitativos”, acrescenta.
Em concreto, a equipa de investigadores do INESC TEC e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) pretende criar um Sistema de Apoio à Decisão (em inglês, Decision Support System (DSS)) capaz de, com base num conjunto de indicadores, identificar zonas com características espaciais e padrões de procura distintos de forma a identificar quais são os serviços de logística da última milha mais adequados às particularidades de cada zona da cidade.
Isto permitirá tomar decisões baseadas em dados e sensíveis ao contexto. Como? Através de tecnologias de simulação, aprendizagem automática e IA generativa. Ou seja, a solução integrará um módulo de análise espacial (GIS), que classificará os diferentes contextos urbanos, utilizando dados georreferenciados, designadamente infraestrutura e padrões demográficos, e um motor de simulação dinâmico que permitirá modelar as operações de entrega para diversos cenários. Além disso, integrará algoritmos de aprendizagem automática que, a partir de dados históricos, permitirão prever a procura e recomendar estratégias específicas para cada contexto. Por fim, a solução terá ainda uma interface de IA generativa que fará a adaptação das análises técnicas para recomendações práticas destinadas aos diferentes grupos de interessados.
Esta solução vai diferenciar-se de sistemas de apoio à decisão atualmente existentes, que tendem a dar prioridade à otimização operacional de rotas, uma vez que terá em conta a diversidade dos contextos urbanos, onde várias áreas, como centros históricos, zonas residenciais, zonas comerciais e zonas industriais, apresentam um conjunto de características específicas que impõem importantes constrangimentos espaciais e regulamentares e têm impacto no processo de entrega.

“As condições locais são essenciais para alinhar as estratégias de entrega com as características específicas de cada ambiente urbano. O nosso objetivo, com este Sistema de Apoio à Decisão, é oferecer uma alternativa à rigidez imposta pelas soluções one-size-fits-all e garantir uma tecnologia que se adapta às características de cada território e apoia uma logística urbana verdadeiramente inteligente”, reforça Tânia Fontes.
O projeto LOG-in: rethinking last-mile logistics – customized integrated delivery strategies for sustainable e-commerce é financiado pelo COMPETE 2030 e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e termina em 2028.

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