Terminou o projeto EnSafe (Enhancing Environmental Protection: Anomaly Detection in Waste Transportation using Network Science) que desenvolveu soluções baseadas em Inteligência Artificial para reforçar o combate ao crime ambiental. Agora já é possível detetar anomalias e possíveis fraudes no transporte de resíduos. Integrado na estratégia nacional de combate ao crime ambiental, o projeto foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
Durante um ano, os investigadores do INESC TEC aplicaram ciência de dados e inteligência artificial para reforçar a proteção ambiental. O objeto de estudo incidiu nos registos do sistema e-GAR – Guias Eletrónicos de Acompanhamento de Resíduos. Este sistema foi tratado, pelos cientistas, como uma rede complexa de interações entre empresas produtoras, transportadoras e operadoras de gestão de resíduos. E foi, graças a este método, que a ciência foi além de uma mera análise de dados pontual.
“Devido à metodologia que usamos, conseguimos identificar padrões globais de comportamento, relações recorrentes e dinâmicas temporais difíceis de detetar por métodos tradicionais”, explica João Gama, investigador do INESC TEC, especialista em IA.
O contributo do INESC TEC foi, assim, essencial para o desenvolvimento de técnicas novas capazes de detetar anomalias em redes complexas, baseadas em aprendizagem automática. As soluções agora existentes permitem, de acordo com o investigador, “sinalizar inconsistências, omissões e comportamentos atípicos nos fluxos de resíduos, abrindo caminho a uma análise mais eficiente e informada por parte das entidades fiscalizadoras”.
Os resultados atingidos pelo EnSafe despertaram um grande interesse por parte da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), parceira deste projeto, não só pelo carácter inovador das abordagens e metodologias utilizadas, mas também pela aplicabilidade prática das soluções.
Este interesse foi demonstrado na reunião final do projeto, realizada durante o mês de janeiro, no edifício-sede do INESC TEC, que reuniu investigadores do Instituto, técnicos da IGAMAOT e dois consultores internacionais de referência, num momento de balanço e discussão dos resultados obtidos.
“No final do projeto, acordámos todos em dar continuidade ao trabalho realizado, com o objetivo de aprofundar e alargar as soluções desenvolvidas, consolidando o uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio ao combate aos crimes ambientais no transporte de resíduos”, explica João Gama.
Também no nível científico e académico, o projeto EnSafe foi bem-sucedido ao traduzir-se em publicações científicas, apresentações em conferências internacionais, dissertações de mestrado e workshops.

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