É possível comer de forma mais saudável e, ao mesmo tempo, reduzir significativamente o impacto ambiental da alimentação. Esta é a principal conclusão de um estudo conduzido por investigadores do INESC TEC, do Centro de Investigação em Produção Agroalimentar Sustentável da Universidade do Porto (GreenUPorto) e do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE/ALiCE). O estudo analisou os padrões alimentares da população portuguesa e mostrou que as dietas consideradas mais sustentáveis apresentaram até 33% menos emissões de carbono, 36% menos consumo de água e cerca de 50% menos de ocupação de solo do que as dietas menos sustentáveis, ao mesmo tempo que apresentam uma qualidade nutricional 87% superior.
O estudo “Environmental and Nutritional Sustainability of Diets: Exploring Food Consumption Patterns Between Different Sustainability Groups” responde a um dos grandes desafios atuais das políticas públicas ao colocar a tónica na importância da qualidade nutricional e o seu impacto em padrões alimentares reais. Baseando-se em dados da população portuguesa, com uma amostra representativa de 2610 adultos, o trabalho avaliou a pegada de carbono, a pegada de água e a ocupação do solo, juntamente com um índice de qualidade nutricional (NRD 9.3). No total, foram considerados 1492 itens alimentares, tendo a caracterização nutricional abrangido todos os itens e a estimativa do impacto ambiental utilizado o máximo detalhe disponível nas bases de dados.
“Ao integrar, numa mesma análise, métricas ambientais e um índice de qualidade nutricional, o estudo permite identificar perfis distintos de consumo e evidenciar sinergias e compromissos entre qualidade nutricional e pressão ambiental” explica Vera Miguéis, investigadora do INESC TEC.
Foram identificados quatro perfis de sustentabilidade, desde padrões alimentares com melhor desempenho simultâneo nas duas dimensões até padrões com piores resultados e perfis intermédios.
O perfil mais sustentável, com melhor desempenho ambiental e nutricional, caracteriza-se por um maior consumo de alimentos de origem vegetal, fruta e legumes, e por um menor consumo de carne vermelha, doces e bebidas alcoólicas. Em comparação com o perfil menos sustentável, este grupo apresentou 33% menos emissões de carbono, 36% menos uso de água e cerca de 50% menos ocupação do solo, bem como uma qualidade nutricional 87% superior, conforme refere a também docente da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
No extremo oposto, encontram-se dietas ricas em carne vermelha e carne processada, doces e álcool, que acumulam maior impacto ambiental e pior perfil nutricional. O estudo identifica ainda perfis intermédios, de dietas nutricionalmente equilibradas, mas ambientalmente exigentes (associadas a um maior consumo de alimentos de origem animal, em particular carne vermelha) e dietas com menor impacto ambiental, mas pobres do ponto de vista nutricional (caracterizadas por menor consumo de fruta e hortícolas e maior presença de alimentos açucarados e bebidas alcoólicas). “Nem todas as dietas com baixo impacto ambiental têm melhor qualidade nutricional, nem todas as dietas com melhor qualidade nutricional são sustentáveis. O desafio está em alinhar as duas dimensões”, refere Vera Miguéis.
E como se alimentam, afinal, os portugueses? Os resultados mostram que os padrões alimentares observados apresentam combinações diferentes de qualidade nutricional e impacto ambiental, indicando que há margem para melhorias em ambas as dimensões. O perfil mais sustentável apresenta características consistentes com os princípios da Planetary Health Diet, nomeadamente maior consumo de alimentos de origem vegetal e menor consumo de carne vermelha, embora ainda exista margem para melhorias adicionais.
Para os investigadores, os resultados ajudam a orientar políticas alimentares ajustadas a diferentes perfis da população e em linha com os princípios da já referida Planetary Health Diet, concebida para promov

Notícias, atualidade, curiosidades e muito mais sobre o INESC TEC e a sua comunidade!