Facto: a sonolência durante a condução é um dos principais fatores associados a acidentes rodoviários. Imagine que era possível identificar sinais precoces de fadiga antes de o risco de acidente aumentar significativamente, alertando o condutor atempadamente. É esta a premissa de um estudo que contou com a participação de Vera Miguéis, investigadora do INESC TEC, e que foi distinguido com o Best CRUSOE Paper Award num congresso internacional.
O estudo Drowsy driving prediction based on biometric and dynamic driving parameters foi desenvolvido no âmbito da dissertação de mestrado em Engenharia e Ciência de Dados do estudante Eduardo Nunes e do projeto uRisk – Avaliação de comportamentos de risco ao volante com recurso a simulador de condução, coordenado pelo investigador Sérgio Pedro Duarte, do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente, tendo envolvido várias outras instituições. Vera Miguéis, investigadora do INESC TEC e docente da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, explica que o trabalho “propõe uma abordagem inovadora para prever estados iniciais de sonolência na condução”, combinando dados biométricos do condutor com parâmetros dinâmicos do comportamento de condução – como velocidade, posicionamento na faixa ou uso dos pedais. “Esta abordagem permite captar padrões que, isoladamente, poderiam passar despercebidos”, sublinha a investigadora.
O resultado? Um modelo de elevada performance, que demonstra um bom equilíbrio entre a capacidade de detetar situações de risco e evitar alertas falsos. Na prática, este tipo de solução poderá vir a ser integrado em sistemas de monitorização do condutor e em tecnologias avançadas de assistência à condução, alertando os condutores em tempo útil para que possam tomar medidas preventivas, como parar para descansar.
“Condutores, fabricantes automóveis, empresas de mobilidade e entidades responsáveis pela segurança rodoviária: todos poderão tirar partido destas ferramentas para reduzir acidentes associados à fadiga ao volante”, garante Vera Miguéis.
O projeto uRisk procura aprofundar o conhecimento sobre o erro humano e os comportamentos de risco na condução, combinando dados do comportamento do veículo com indicadores fisiológicos e outros fatores associados ao condutor. Para além da sonolência, o projeto foca-se também na análise da distração ao volante – ambos os fenómenos constituem os comportamentos de risco mais relevantes para a ocorrência do erro humano ao volante, que, por sua vez, contribui para 95% dos acidentes rodoviários.
Esta linha de investigação está alinhada com os esforços europeus de melhoria da segurança rodoviária, nomeadamente com a estratégia Vision Zero, que visa eliminar drasticamente o número de mortes e feridos nas estradas.
Segundo a investigadora, a distinção agora recebida representa também um reconhecimento do trabalho colaborativo desenvolvido entre diferentes equipas científicas. “Estamos a trabalhar para o desenvolvimento de sistemas de apoio à condução mais fiáveis e mais adaptados ao comportamento humano, abrindo caminho a futuras colaborações com o setor automóvel”, acrescenta.Top of Form

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