Já é possível prever a propagação de pragas nas vinhas e o INESC TEC tem a solução

Chama-se VineShield-DT e usa tecnologias como Gémeos Digitais (ou Digital Twins, na designação anglo-saxónica), inteligência artificial (IA), sensores IoT (Internet of Things) e armadilhas inteligentes para prever a propagação de pragas nas vinhas. O projeto está a ser desenvolvido pelo INESC TEC, num consórcio do qual fazem parte INIAV e CVRVV, e foi recentemente apresentado no Portugal Smart Cities, um dos principais eventos nacionais dedicados à inovação e aos territórios inteligentes.

A propagação de pragas ameaça a produtividade agrícola e vitivinícola e a sustentabilidade do setor. Os métodos tradicionais de controlo continuam a depender, em grande parte, de armadilhas adesivas que exigem inspeção manual, um processo moroso, pouco escalável e que dificulta respostas rápidas perante novos surtos.  O VineShield-DT quer mudar este paradigma, recorrendo a tecnologias digitais para monitorizar e modelar a dispersão de pragas, otimizando estratégias de controlo e reduzindo o uso de pesticidas.

“Ao integrar armadilhas inteligentes e sensores, o sistema permite prever surtos e proteger as vinhas de doenças como a Flavescência Dourada, promovendo uma agricultura mais digital, sustentável e resiliente”, refere Filipe Neves dos Santos, investigador do INESC TEC.

A solução proposta pelo INESC TEC combina diferentes tecnologias para criar uma representação digital dinâmica da vinha e do comportamento da praga. É precisamente aqui que entram os gémeos digitais: réplicas virtuais de sistemas reais que permitem simular, monitorizar e antecipar comportamentos em tempo real. No caso do VineShield-DT, o Gémeo Digital integra dados meteorológicos, imagens de satélite e informação recolhida por sensores e por uma rede de armadilhas inteligentes MOXOH, capazes de monitorizar em tempo real a presença e dispersão do inseto. Através de modelos preditivos e IA, o VineShield-DT consegue simular a propagação da praga no espaço e no tempo, permitindo antecipar surtos e apoiar decisões mais rápidas e precisas no terreno.

Foi exatamente esta abordagem que Filipe Neves dos Santos, que é também docente na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), apresentou na sessão “Gémeos Digitais ao Serviço dos Territórios: Apresentação e Primeiros Resultados”, integrada na Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes, no evento Portugal Smart Cities. “Este projeto é um exemplo de ciência com impacto: estamos a desenvolver um modelo digital de pragas da vinha, suportado por um piloto de larga escala com mil armadilhas inteligentes no terreno, que poderá ser escalado no futuro a outras culturas e regiões. O modelo estará acessível online, reforçando o valor da investigação e desenvolvimento made in INESC TEC”, destaca o responsável do projeto.

Entre as tecnologias envolvidas estão modelos ecológicos preditivos, redes neuronais, análise temporal de dados, visão computacional e plataformas interoperáveis capazes de integrar diferentes fontes de informação agrícola.

Além da componente tecnológica, o VineShield-DT está a ser concebido como uma plataforma open-source, interoperável e escalável, preparada para ser adaptada a outras culturas agrícolas, pragas e regiões. O sistema pretende contribuir para a transformação digital da agricultura, alinhando-se com estratégias europeias como o Pacto Ecológico Europeu e as iniciativas Farm to Fork e “uma só saúde”.

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