A McGill University é uma das instituições mais prestigiadas do Canadá e uma universidade dedicada à investigação, reconhecida mundialmente, com uma das maiores proporções de estudantes internacionais entre as universidades canadianas.
Este mês, conversámos com Oana Balmau, Professora Auxiliar na School of Computer Science da McGill University, que colabora com o INESC TEC na otimização de sistemas de Inteligência Artificial/Machine Learning (IA/ML), na gestão hierárquica de armazenamento (storage tiering) e, mais recentemente, em questões de eficiência energética para IA.
Qual é o historial de colaboração entre a McGill e o INESC TEC?
As bases desta colaboração foram lançadas quando o Ricardo e eu éramos estudantes de doutoramento; ele contactou-me a propósito de um dos meus projetos sobre scheduling para key-value stores, e mantivemo-nos em contacto desde então. Este primeiro contacto traduziu-se numa série de visitas que foram gradualmente crescendo, até se tornarem numa iniciativa de colaboração em investigação. Ao longo dos anos, temos vindo a explorar três grandes linhas de investigação: otimização de sistemas para IA/ML, storage tiering e, mais recentemente, otimização de eficiência energética para IA. O elo que tem sustentado e reforçado esta colaboração é o nosso grupo de estudantes de doutoramento; estamos a coorientar duas pessoas, e o trabalho delas continua a gerar novas ideias e projetos conjuntos.
Quais foram os principais fatores facilitadores de uma co-supervisão eficaz entre instituições?
Um fator-chave é a comunicação regular. Numa colaboração internacional não basta “cruzarmo-nos no corredor”, por isso, manter um contacto frequente é essencial. No nosso caso, isto tem sido facilitado pelas reuniões semanais com os nossos estudantes coorientados.
O International Visiting Researcher Programme do INESC TEC tem sido igualmente fundamental para reforçar esta colaboração. Uma das nossas estudantes de doutoramento, Rahma Nouaji, garantiu uma posição através do programa e também foram organizadas visitas para mim e para um dos meus antigos pós-doutorados. Além disso, Rúben Adão, outro estudante de doutoramento da Universidade do Minho e investigador do INESC TEC, teve a oportunidade de realizar uma estadia de investigação prolongada na McGill.
Por fim, a colaboração em bolsas de investigação conjuntas tem ajudado a criar uma dinâmica de longo prazo. Por exemplo, o João Tiago Paulo e o Ricardo Macedo são colaboradores na bolsa NSERC CREATE da McGill, o que tem proporcionado um quadro comum para atividades de investigação conjuntas e para a supervisão de estudantes.
De que forma é que a colaboração entre a McGill e o INESC TEC – no âmbito da investigação conjunta sobre armazenamento, treino de modelos de ML e eficiência energética – permitiu a submissão conjunta de artigos para as principais conferências e revistas da área? Quais são os principais ingredientes para o sucesso?
Para além da comunicação que ajuda a preservar esta dinâmica, penso que o principal fator tem sido a complementaridade de competências. As nossas equipas têm diferentes aptidões, o que nos permite abordar os desafios de investigação a partir de múltiplas perspetivas e desenvolver, em conjunto, soluções mais robustas.
O acesso a recursos de hardware complementares também tem sido uma grande vantagem. Ao combinarmos as infraestruturas disponíveis na McGill e no INESC TEC, conseguimos avaliar as nossas ideias a uma escala que seria difícil de alcançar se ambas as instituições trabalhassem isoladamente.
De um modo mais geral, penso que o sucesso sustentado resulta de interesses de investigação alinhados, de investimento em relações de longo prazo, em vez de projetos pontuais, e da criação de oportunidades para que os estudantes trabalhem em estreita colaboração entre instituições.
Na sua opinião, qual a importância de priorizar a investigação em otimização de armazenamento, otimização de treino e eficiência energética nos próximos anos?
Penso que esta é uma linha de investigação cada vez mais importante. À medida que a implementação de IA e ML continua a crescer, há um foco cada vez maior na escalabilidade, na gestão eficiente de recursos e no custo de operação de sistemas em larga escala. Otimizar o treino de modelos e melhorar a eficiência energética estão a tornar-se tão importantes como alcançar uma maior precisão dos modelos.
Além disso, o armazenamento continua a ser um desafio relevante. Os modelos de IA modernos são cada vez mais exigentes em termos de dados, o que coloca uma pressão significativa sobre os sistemas de armazenamento e os pipelines de dados.
Como avalia a sua experiência com o INESC TEC? O que mais valoriza nesta colaboração?
No geral, tem sido uma experiência fantástica e estou ansiosa por continuar as nossas dinâmicas de colaboração nos próximos anos. Trabalhar em conjunto sempre nos pareceu natural e produtivo, com um compromisso partilhado de abordar problemas de investigação e de apoiar os nossos estudantes.
O que podemos esperar da McGill nos próximos anos?
Aguardem por novidades entusiasmantes sobre eficiência energética para pipelines de IA/ML.

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