Filipe Borges Teixeira

Filipe Borges Teixeira

“A coordenação do CTM gostaria de propor para ‘Extraordinário’ o investigador Filipe Borges Teixeira. Esta nomeação é sustentada no trabalho exemplar desenvolvido pelo Filipe no contexto do projeto europeu CONVERGE. Em particular, destacam-se os contributos do Filipe na liderança da tarefa de implementação da testbed CONVERGE no Porto, tendo um papel crítico tanto na integração de todos os componentes desenvolvidos pelo CTM, como também na interface e integração com os parceiros externos. Esta testbed, que integra componentes de visão e de comunicações 6G, veio permitir a experimentação de redes de próxima geração capazes de explorar sinergias entre estes dois domínios (visão e comunicações), tradicionalmente tratados de forma separada. O bom funcionamento de todos os elementos desta testbed foi crítico para o sucesso das demonstrações finais do projeto no Porto, em Oulu, e na conferência EuCNC & 6G Summit 2026. O nível de excelência do trabalho, reconhecido pela coordenação do projeto, conselho de coordenação do centro e parceiros externos, resultou num contributo decisivo para atingir com sucesso os objetivos do projeto. Esta prestação veio reforçar a posição de relevo do INESC TEC, enquanto coordenador do CONVERGE, no domínio das telecomunicações e permitiu estreitar as relações com parceiros chave internacionais, com os quais continuaremos ativamente a colaborar.”

Esta nomeação surge no âmbito do trabalho desenvolvido no projeto CONVERGE. O que nos podes dizer sobre a implementação da testbed CONVERGE?

A Infraestrutura de investigação CONVERGE no Porto resulta de um trabalho de desenho da arquitetura, implementação de um sistema de microsserviços em kubernetes e integração de vários subsistemas, desde comunicações móveis 5G a 28 GHz, visão computacional, inteligência artificial, robótica, superfícies inteligentes e gémeos digitais (digital twins). O objetivo foi criar uma infraestrutura experimental (research infrastructure) capaz de estudar redes 6G de forma integrada, explorando a informação visual para melhorar as comunicações e, ao mesmo tempo, usando a rede para suportar novas aplicações baseadas em visão, seguindo o conceito view-to-communicate and communicate-to-view.

A minha contribuição esteve sobretudo ligada à conceção da arquitetura de serviços e dos respetivos control e data planes, à coordenação técnica da implementação do sistema, à integração dos vários componentes desenvolvidos no CTM e à articulação com os parceiros externos. Tive também a responsabilidade de coordenar a criação do laboratório na FEUP onde esta testbed está integrada, garantindo que a infraestrutura física e tecnológica reunia as condições necessárias para suportar a experimentação, integração e demonstração dos vários componentes do CONVERGE.

Esta testbed permitiu a experimentação de redes de próxima geração capazes de explorar sinergias entre estes os domínios de visão e comunicações. O que é que vai ser possível fazer a partir destes resultados/demonstrações?

Estes resultados abrem caminho para novas formas de desenhar e operar redes móveis, onde a rede deixa de depender apenas de medições rádio tradicionais e passa também a usar informação de visão e outras variáveis do ambiente. Isto pode permitir, por exemplo, antecipar bloqueios de sinal, otimizar a configuração de antenas e tirar partido superfícies inteligentes reconfiguráveis (Reflective Intelligent Surfaces), melhorar a cobertura e a qualidade de serviço, e apoiar aplicações mais exigentes nos vetores das telecomunicações, do setor automóvel, da indústria transformadora, dos media e da saúde. Mais do que uma demonstração pontual, este novo laboratório multissensorial que montado na FEUP cria uma base experimental para validar algoritmos, recolher dados e desenvolver soluções 6G em condições controladas, mas próximas de cenários reais.

testbed está disponível para utilização? Se sim, de que forma?

Sim. A infraestrutura de investigação está disponível no contexto do projeto CONVERGE e foi desenvolvida com vista à integração na infraestrutura SLICES, podendo ser utilizada em atividades de investigação, demonstração e validação experimental, em colaboração com parceiros nacionais e internacionais. A sua utilização é feita de forma coordenada com a equipa do INESC TEC, tendo em conta os objetivos científicos, os requisitos das experiências e a disponibilidade dos vários componentes da infraestrutura.

Demonstração de tecnologia

Do que mais gosta no seu trabalho?

Gosto particularmente da possibilidade de transformar ideias científicas inovadoras em sistemas reais e demonstráveis. No INESC TEC temos a oportunidade de trabalhar em investigação fundamental, mas também de construir infraestruturas laboratoriais, protótipos e demonstrações, o que aumenta o impacto científico e tecnológico do nosso trabalho.

Como comenta esta nomeação?

Recebo esta nomeação com muito orgulho e agradeço à coordenação do CTM pelo reconhecimento. Este trabalho só foi possível graças ao contributo de uma equipa muito alargada, envolvendo colegas de várias áreas do CTM e parceiros nacionais e internacionais. A implementação desta infraestrutura de investigação (research infrastructure) e o sucesso das demonstrações exigiram um esforço conjunto muito significativo, especialmente na fase final do CONVERGE. Vejo, por isso, esta nomeação também como um reconhecimento do trabalho coletivo que permitiu cumprir os objetivos do projeto e criar um laboratório que reforça a posição do INESC TEC na área do 6G.

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