Investigadora do INESC TEC apresentou à comunidade de cibersegurança o trabalho desenvolvido pelo Instituto na análise e na proteção contra este tipo de ataque, durante o 12.º encontro do Open Worldwide Application Security Project (OWASP Porto), o capítulo regional da OWASP, uma organização internacional que promove a segurança de aplicações através da partilha de conhecimento, formação e desenvolvimento de boas práticas.
Tânia Esteves, investigadora do INESC TEC na área de sistemas distribuídos e operativos, apresentou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Instituto, relativo à análise dos comportamentos associados a diferentes famílias de ransomware, bem como à avaliação dos mecanismos existentes para prevenir ataques e recuperar a informação comprometida.
Perante uma audiência de cerca de 80 participantes, a investigadora abordou as técnicas de proteção atualmente disponíveis, as respetivas limitações e os principais cuidados a considerar na defesa contra este tipo de ameaça. A apresentação permitiu ainda discutir algumas das futuras direções de investigação, nomeadamente a necessidade de desenvolver mecanismos de proteção contra ataques que, para além de cifrarem informação, roubam dados das organizações.
Foi neste contexto que foram apresentados os projetos Rescueware e INOCULUM, através dos quais o INESC TEC tem explorado novas abordagens para a recuperação de dados e para o desenvolvimento de sistemas mais resilientes a ataques de ransomware.
“A participação neste encontro permitiu dar visibilidade à nossa investigação junto da comunidade de cibersegurança e recolher contributos de profissionais da área sobre estes desafios e as necessidades que se colocam atualmente neste domínio”, refere Tânia Esteves.
O 12.º encontro do OWASP Porto realizou-se a 15 de julho, nas instalações da 42 Porto. Organizado pelo capítulo local OWASP Porto, o evento teve como objetivo promover a partilha de conhecimento em segurança aplicacional e aproximar investigadores, profissionais e entusiastas da área. O programa incluiu também uma apresentação de Luís Fontes, da Xapo, sobre ataques direcionados a programadores, seguida de um momento de networking entre todos os participantes.
INOCULUM planeia próximos passos
Também em julho, os vários membros do projeto INOCULUM, um dos apresentados durante o encontro do OWASP Porto, reuniram-se para alinhar as atividades em curso e os próximos passos do projeto, que pretende explorar soluções de armazenamento seguras por desenho e eficazes contra ataques de ransomware criptográfico.
Neste tipo de ataque, os sistemas de uma organização são infetados e os dados críticos são cifrados, impedindo o acesso à informação e podendo provocar a indisponibilidade de serviços até ao pagamento de um resgate. O INOCULUM procura garantir que, mesmo perante um ataque bem-sucedido, nenhuma informação comprometida se torne irrecuperável.
“O projeto vai estudar diferentes soluções de armazenamento, de forma a garantir que a segurança e a capacidade de recuperação dos dados sejam consideradas desde a fase inicial do seu desenho, e não acrescentadas posteriormente a sistemas já existentes”, explica João Paulo, investigador do INESC TEC na área de sistemas distribuídos e de armazenamento e docente na Escola de Engenharia da Universidade do Minho.
Depois de asseguradas estas garantias, a investigação irá explorar hardware emergente e novas bibliotecas de armazenamento, procurando melhorar o desempenho das soluções e assegurar a sua aplicação em infraestruturas que gerem grandes volumes de informação digital.
Dos resultados esperados fazem parte novas publicações e comunicações científicas, a organização de workshops e o desenvolvimento de protótipos em código aberto. Estão igualmente previstas iniciativas dirigidas à indústria e à sociedade, com o objetivo de sensibilizar diferentes públicos para o impacto dos ataques de ransomware e para as boas práticas de proteção destas comunidades.

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