Catarina Oliveira
“A Catarina desempenhou um papel fundamental na gestão operacional do Centro de Sistemas de Energia do INESC TEC, contribuindo significativamente para o planeamento rigoroso das suas atividades e para a preparação para os desafios futuros. O seu trabalho foi essencial para assegurar a conclusão bem-sucedida de múltiplos projetos financiados. Esta capacidade permitiu criar melhores condições para que os investigadores do Centro se concentrassem na sua missão principal: desenvolver investigação, inovação e conhecimento com impacto. A dimensão e complexidade do Centro exigem uma capacidade permanente de gerir, em simultâneo, múltiplas tarefas, prioridades, riscos e situações urgentes. Este foi um período particularmente exigente, marcado por inúmeros desafios, aos quais a Catarina respondeu sempre com enorme profissionalismo, rigor, capacidade de organização e sentido de responsabilidade. Mais do que gerir processos, soube antecipar problemas, encontrar soluções e articular pessoas e atividades, assegurando que o trabalho avançava de forma coordenada e eficiente.”
– coordenação do CPES
O que é que torna o trabalho de gestão operacional de um Centro como o de Sistemas de Energia particularmente desafiante?
O que torna este trabalho particularmente desafiante são, acima de tudo, as pessoas. Acredito que a gestão operacional não se resume a processos e prazos; passa, sobretudo, por compreender diferentes formas de trabalhar, prioridades e expectativas. Lidar diariamente com pessoas e equipas tão diversas permite-me antecipar desafios, encontrar soluções e apoiar os investigadores de forma mais eficaz.
Ao mesmo tempo, considero fundamental conhecer bem o funcionamento da instituição, perceber como os diferentes processos se interligam e identificar quem deve ser envolvido em cada situação. Esse conhecimento é essencial para desbloquear questões com rapidez e garantir respostas atempadas às necessidades que surgem no dia a dia. Num contexto tão dinâmico, compreender os fluxos internos e saber mobilizar as pessoas certas faz muitas vezes a diferença para encontrar soluções eficazes e permitir que o trabalho avance.
Ao longo do período mencionado, houve algum desafio ou situação particularmente exigente que a tenha marcado? E de que forma conseguiu encontrar a solução mais indicada?
Um dos desafios que mais me marcou foi a fase final do projeto ATE; sendo um projeto com um número muito significativo de parceiros e responsáveis a diferentes níveis, a coordenação era particularmente exigente. Era fundamental garantir que a informação era consistente entre os diferentes relatórios, documentos e pedidos de informação. Ao mesmo tempo, surgiam constantemente novos pedidos e era necessário assegurar que os serviços internos dispunham da informação necessária em tempo útil para cumprir os seus próprios prazos.
Foi um período particularmente exigente, mas também muito enriquecedor, porque me mostrou a importância de manter as pessoas alinhadas, criar pontes entre equipas e garantir que a informação chegava às pessoas certas no momento certo.
O seu trabalho acontece, muitas vezes, nos “bastidores”, criando as condições para que os investigadores possam dedicar-se às suas atividades; o que significa para si contribuir desta forma para a missão do INESC TEC?
É gratificante saber que o meu trabalho contribui para criar as condições necessárias para que os investigadores possam focar-se naquilo que fazem melhor: gerar conhecimento, inovação e impacto. Porém, não sinto que seja um trabalho totalmente desenvolvido nos bastidores, porque acompanho de perto os investigadores e consigo perceber o impacto que este apoio tem no seu dia a dia. Muitas vezes, passa por aliviar algumas das burocracias e exigências inerentes à gestão de projetos, permitindo-lhes dedicar mais tempo àquilo que realmente os motiva.
Aliás, uma das maiores mudanças que senti quando passei a integrar o Centro de Sistemas de Energia foi precisamente conhecer este mundo tão dinâmico que são os Centros. Foi aí que comecei a perceber de forma muito concreta como o trabalho de gestão pode influenciar positivamente a atividade dos investigadores. Saber que contribuo para que tenham mais disponibilidade para inovar, desenvolver novas soluções e criar conhecimento é, sem dúvida, uma das maiores fontes de satisfação.
Do que mais gosta no seu trabalho?
Não há dias iguais: num momento estou a acompanhar uma candidatura, noutro a encontrar soluções para um pedido inesperado. A diversidade de projetos, fontes de financiamento, regras e intervenientes faz com que esteja constantemente a aprender e a adaptar-me. Acresce a isso a oportunidade de trabalhar diariamente com investigadores e colegas de diferentes áreas, cada um com perspetivas, experiências e formas de trabalhar muito próprias. É precisamente esta diversidade que mais me entusiasma.
Como comenta esta nomeação?
Recebo esta nomeação com enorme satisfação e, confesso, com alguma surpresa. Embora seja uma distinção individual, sinto-a como o reflexo de um trabalho construído diariamente com muitas pessoas. Tenho a sorte de contar com o apoio do Ricardo e da equipa de Secretariado, que estão sempre presentes nos desafios, nas urgências e nas soluções do dia a dia. Sei que, sem eles, não conseguiria desempenhar este papel da mesma forma e, por isso, este reconhecimento também lhes pertence.
Já passaram quase dois anos desde que assumi estas funções e olhar para este percurso traz-me um enorme sentimento de realização. Foi um período de grande aprendizagem, crescimento e adaptação, mas também de construção de relações de confiança com investigadores.
Acima de tudo, recebo esta nomeação como um incentivo para continuar a dar o meu melhor e a contribuir para o sucesso das pessoas e do Centro que hoje sinto também como meus.
José Ricardo Andrade
Durante este período, o Ricardo teve um papel determinante na evolução da plataforma Predico, assegurando, com elevado rigor técnico, a sua transição para o Centro de Controlo Nacional da Bélgica (Elia) e contribuindo para a integração de novos utilizadores internacionais. O seu trabalho foi essencial para reforçar a robustez, a fiabilidade e a adoção da plataforma num contexto operacional exigente, apoiando a utilização de ferramentas avançadas de previsão em infraestruturas críticas do setor elétrico. A sua contribuição destaca-se ainda pela capacidade de transformar investigação científica de excelência em soluções com impacto real na indústria. O Ricardo tem sido fundamental na transferência de algoritmos e metodologias desenvolvidos no âmbito da investigação para uma plataforma operacional utilizada por operadores de rede, contribuindo simultaneamente para a criação de novas oportunidades de negócio na área da analítica preditiva e para o reforço da projeção internacional do INESC TEC.”
– coordenação do CPES
Estando envolvido na evolução da plataforma PREDICO; qual a melhor forma de explicar a inovação e a necessidade/resposta que a plataforma veio trazer?
Atualmente, quem necessita de previsões de energia (p.e., operadores de sistema, agentes de mercado) passa meses a testar fornecedores, escolhe um e assina um contrato. É normalmente um processo longo, com custos significativos, e no fim o comprador fica dependente de um único fornecedor de previsão.
No entanto, nenhum fornecedor de previsão é o melhor em todas as condições. Demonstrámo-lo precisamente em ambiente operacional, numa prova de conceito de ano e meio com mais de 30 fornecedores de previsões de energia renovável (eólica e solar), para um operador de sistema europeu. A realidade é que certos modelos comportam-se melhor em regimes de vento instáveis, outros em condições estáveis, e outros captam sinais que os restantes não identificam.
O PREDICO parte de uma pergunta simples: e se, em vez de uma seleção pontual, existisse uma competição contínua de fornecedores de previsão, em que cada um é remunerado pela qualidade das suas previsões e em que estas são combinadas numa única previsão, mais robusta, entregue ao comprador final?
Durante os últimos dois anos demos resposta a essa pergunta, com uma prova de conceito seguida da industrialização da solução com um operador de sistema europeu, o que resultou numa redução do erro de previsão na ordem dos 7% a 10% face ao fornecedor que esse operador tinha selecionado pelos meios tradicionais.
Que desafios surgiram ao longo deste processo? De que modo é que esta experiência pode influenciar o seu percurso enquanto investigador?
Tivemos vários. Ao nível de investigação, desenvolvemos e testámos várias metodologias de combinação de previsões de diferentes fornecedores. O principal problema é que os melhores fornecedores mudam numa base quase semanal, o que exclui pesos fixos e obriga a métodos de combinação adaptativos, capazes de reagir continuamente ao desempenho recente de cada participante.
Quanto à operacionalização, construir uma plataforma full-stack utilizada diariamente por mais de 30 utilizadores, entre empresas e particulares, que diariamente submetem centenas de milhares de registos de previsões para vários casos de uso, coloca exigências de fiabilidade e de segurança que por norma num existem num protótipo de investigação. Felizmente, em dois anos registámos uma única indisponibilidade de serviço, resultante do apagão elétrico da Península Ibérica. A pedido do cliente, a plataforma foi auditada por duas empresas externas de cibersegurança, sem qualquer vulnerabilidade crítica reportada, o que é mais uma prova da qualidade do trabalho realizado.
Parte do que valorizo como investigador é precisamente esta passagem de investigação a um sistema em produção. Nem toda a investigação chega a esta fase, mas quando surge a oportunidade certa é possível demonstrar, com dados e utilizadores reais, a qualidade e impacto de investigação que fazemos no INESC TEC.
Com tantos aspetos em jogo (a transferência de algoritmos, as oportunidades de negócio e a projeção internacional do INESC TEC) como conciliou todas essas responsabilidades no trabalho com a Predico?
Todos os dias são um desafio, e a resposta é ter uma boa equipa. O núcleo do PREDICO é hoje constituído por uma equipa do CPES, focada no desenvolvimento da plataforma e dos algoritmos de previsão. Felizmente temos o apoio diário de outros centros como o TTO, DPO, SAS e AJ que nos ajudam a dar resposta às restantes dimensões do projeto.
Que outros domínios gostaria de explorar?
Está a acontecer uma mudança na forma como se desenvolvem sistemas de software, e a engenharia apoiada por agentes de IA é algo que me interessa e que, passo a passo, estamos a incluir no ciclo de desenvolvimento do nosso centro. Será, sem dúvida, uma aposta para o futuro
Do que mais gosta no seu trabalho?
Como já referi, gosto de ver algo que começa como uma ideia, uma hipótese de investigação, a percorrer todo o caminho até se tornar um sistema que alguém usa diariamente para tomar decisões. O contacto direto com problemas reais da indústria é algo exigente, que nos obriga a ser rigorosos e a explicar o nosso trabalho de forma simples a quem o vai usar, o que também é um processo interessante.
Como comenta esta nomeação?
É sempre um motivo de orgulho vermos o nosso trabalho reconhecido. No caso do PREDICO o reconhecimento deve ser para toda a equipa envolvida que construiu a plataforma e a mantém a funcionar, todos os dias.
Mafalda Bastos
“Gostaríamos de propor a nomeação da Mafalda Bastos em reconhecimento do desempenho verdadeiramente excecional demonstrado nos últimos meses, em particular na coordenação e submissão dos pedidos de pagamento das 22 Agendas Mobilizadoras do PRR no final de julho/Agosto. Este processo exigiu uma articulação contínua com múltiplas equipas e stakeholders, a gestão de prazos extremamente exigentes e a resposta a um volume de trabalho muito acima do habitual. Para assegurar o cumprimento dos compromissos assumidos, a Mafalda revelou uma dedicação extraordinária, profissionalismo e sentido de responsabilidade, incluindo várias semanas de trabalho para além do horário normal de trabalho. Paralelamente, a Mafalda desempenhou um papel determinante no encerramento do projeto ATTRACT, coordenando as interações com os diversos parceiros e garantindo respostas atempadas aos sucessivos pedidos da ANI, frequentemente com prazos muito curtos. A sua capacidade de organização, resiliência, rigor, sentido de responsabilidade e compromisso com os resultados foram fundamentais para o sucesso destes processos complexos e de elevado impacto para a instituição. A forma exemplar como geriu estas responsabilidades, assegurando a qualidade do trabalho desenvolvido e o cumprimento de todos os prazos, constitui um claro exemplo de excelência profissional e um contributo de elevado valor para a organização.”
– coordenação do CG
No caso das 22 Agendas Mobilizadoras, qual foi o maior desafio de coordenar um processo desta dimensão e com prazos tão exigentes?
O maior desafio de coordenar este processo, com uma dimensão ímpar no INESC TEC, consistiu em articular com uma multiplicidade de intervenientes todos os procedimentos necessários para submeter os pedidos de pagamento de 22 Agendas Mobilizadoras, com uma dotação global de quase 44 milhões de euros, cumprindo simultaneamente prazos extremamente apertados.
Este desafio exigiu reinventar tarefas, otimizar rotinas e adaptar procedimentos. Em simultâneo, a responsabilidade direta pela gestão financeira da Agenda Mobilizadora ATE exigiu uma enorme capacidade de organização, dedicação e muito trabalho suplementar.
O PRR – Plano de Recuperação e Resiliência foi, sem dúvida, um verdadeiro teste à resiliência!
O encerramento do projeto ATTRACT trouxe também desafios particulares; consegue indicar quais?
O encerramento do projeto ATTRACT apresentou desafios singulares, acentuados pela sua elevada complexidade financeira (cruzando financiamento nacional e europeu) e pela liderança do INESC TEC no consórcio.
Esta realidade exigiu um acompanhamento contínuo e próximo dos cerca de 20 parceiros envolvidos. O momento mais crítico ocorreu quando a ANI definiu prazos de resposta extremamente curtos. Gerir todas estas solicitações, num contexto já marcado pela elevada carga de trabalho das Agendas Mobilizadoras, tornou este processo particularmente exigente.
A experiência acumulada, aliada à capacidade de comunicação, permitiu recolher e consolidar a informação de forma célere e eficaz, cumprindo rigorosamente todos os prazos e assegurando a qualidade exigida.
Num período marcado por prazos muito exigentes e um volume de trabalho excecional, o que ajudou a manter o foco, o rigor e a capacidade de resposta?
O foco manteve-se inabalável pela consciência clara do compromisso assumido perante as Responsáveis do Serviço e a Administração do INESC TEC.
O rigor tem sido uma constante ao longo do meu percurso profissional, decorrente da experiência acumulada ao longo de uma década numa entidade financiadora, a CCDR-N, onde adquiri competências fundamentais para responder às exigências financeiras dos projetos e garantir a conformidade em futuras auditorias.
Por fim, a capacidade de resposta sustentou-se na minha organização pessoal, no planeamento estruturado e na aptidão analítica para definir prioridades de forma rápida e eficaz, complementada por um acompanhamento próximo e regular com a equipa e a chefia.
Foram referidos dois processos muito diferentes, e foi necessário um forte sentido de organização; o que sente que estas experiências trazem de positivo, e de que forma contribuem para a evolução profissional?
O nível de exigência destes dois processos veio consolidar o trabalho que tenho vindo a desenvolver ao longo do meu percurso no INESC TEC, iniciado em 2016. A diversidade de projetos que acompanhei permitiu-me adquirir um conhecimento abrangente dos diferentes programas e instrumentos de financiamento de apoio à investigação, desenvolvimento e inovação, tanto nacionais (FCT, COMPETE 2020, NORTE 2020, Centros de Tecnologia e Inovação – CTI, PRR, COMPETE 2030 e NORTE 2030) como europeus (EIT Manufacturing, EIT Raw Materials, Horizonte 2020, Horizonte Europa e Erasmus+).
Estes dois desafios reforçaram a minha capacidade de adaptação, a solidez do meu percurso profissional e das competências técnicas que desenvolvi, essenciais para responder a diferentes instrumentos de financiamento.
Ao assumir responsabilidades adicionais na articulação intermédia do serviço, particularmente nos projetos com financiamento nacional, estas experiências contribuíram significativamente para o meu crescimento profissional e para o reforço da maturidade institucional.
Paralelamente, permitiram-me desenvolver e consolidar competências de liderança, essenciais para a coordenação de equipas e processos em contextos de elevada exigência.
Do que mais gosta no seu trabalho?
O que mais me agrada é a ausência de rotina, a constante exigência intelectual para superar desafios e a oportunidade de interagir com diversos stakeholders. É um trabalho mentalmente estimulante, que exige o estudo permanente dos procedimentos e regras de financiamento, bem como uma rápida adaptação a novas plataformas, sempre com a responsabilidade pelo cumprimento de prazos.
Motiva-me enfrentar estes desafios e contribuir para o sucesso da execução financeira dos projetos, consciente de que esses resultados têm um impacto direto no financiamento e na sustentabilidade do INESC TEC, num ecossistema dinâmico que exige rigor e promove a evolução contínua.
Como comenta esta nomeação?
Recebo esta nomeação com uma emoção particular e um profundo sentido de responsabilidade. Esta distinção reflete o esforço, a dedicação e o rigor que tenho procurado assegurar na gestão, estratégia e acompanhamento dos projetos.
Agradeço aos colegas do Controlo de Gestão, envolvidos nestes projetos, pela colaboração na execução das diretrizes definidas.
Um agradecimento muito especial e sentido às Responsáveis do Serviço. O apoio permanente, a confiança e o reconhecimento constante do meu trabalho foram determinantes para superar estes desafios e alcançar estes resultados. O meu muito obrigada!
Encaro esta distinção com gratidão, humildade e um compromisso renovado de continuar a honrar os padrões de rigor e excelência do INESC TEC junto das entidades externas.

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