Dois especialistas do INESC TEC participaram num ciclo de webinars dedicado a dados abertos para mostrar como, por cá, os dados são preparados “ao longo do seu ciclo de vida” para ganharem novos usos e gerarem conhecimento.
Dados abertos, enquadrados pelas políticas europeias de ciência aberta, só geram verdadeiro valor quando são acompanhados por práticas consistentes de gestão de dados alinhadas com os princípios FAIR – ou seja: os dados devem ser localizáveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis. Esta foi uma das mensagem-chave que o INESC TEC levou ao ciclo de webinars “Gestão de Dados e Dados Abertos”, uma iniciativa promovida pela REPLAN – Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública.
O INESC TEC, um dos Centros Nacionais para a Gestão de Dados de Investigação, e onde a investigação em inúmeros projetos gera grandes volumes de dados com potencial para Políticas Públicas, foi protagonista do segundo webinar deste ciclo. Joana Almodovar, responsável pelo Gabinete de Prospetiva e Política Pública do INESC TEC, e João Aguiar Castro, membro do Serviço de Apoio à Gestão do INESC TEC, reforçaram o papel dos dados abertos na investigação científica, enquanto dimensão cada vez mais relevante na forma como a Ciência é partilhada e avaliada, e sublinharam o alinhamento do INESC TEC com as políticas europeias de dados abertos.
Para isso, levaram uma mão-cheia de exemplos para mostrar boas práticas associadas à gestão e partilha de dados de investigação. Os dois especialistas começaram por enaltecer o Repositório Institucional de Dados do INESC TEC, que funciona como uma infraestrutura de suporte à disponibilização de dados abertos e “o papel do data steward no apoio aos investigadores na adoção de práticas alinhadas com os princípios FAIR ao longo do ciclo de vida dos dados”.

“Foi ainda enquadrado o contributo do projeto FAIRway na capacitação, definição de orientações e promoção de práticas de gestão de dados de investigação, bem como a participação do INESC TEC no piloto do serviço POLEN Blueprint, promovido pela FCT, no âmbito do desenvolvimento de Planos de Gestão de Dados (DMPs)”, esclarecem João Aguiar Castro e Joana Almodovar.
Dados lançados para políticas públicas
A falar para uma audiência interessada – as sessões contaram, em média, com mais de 250 participantes e com forte mobilização de organismos da Administração Pública e investigação científica –, os especialistas sustentaram o alcance da investigação do INESC TEC e o impacto que os dados facilmente acessíveis no repositório em políticas públicas setoriais na Administração Pública central (direções-gerais, institutos públicos, reguladores, setor empresarial do Estado) mas também local. E acenaram com um projeto recente liderado pelo instituto – o CitiLink.
“Como exemplo concreto de aplicação dos princípios FAIR”, foi apresentado o dataset CitiLink-Minutes, que recorre a modelos de Inteligência Artificial que traduzem atas de reuniões municipais, escritas em linguagem natural, em informação estruturada e pronta para a análise. Deste processo resultam dados interoperáveis e reutilizáveis em múltiplos contextos. “Este caso ilustra que o impacto dos dados abertos depende não apenas da sua disponibilização, mas da forma como são preparados ao longo do seu ciclo de vida para suportar novos usos e gerar conhecimento”, adiantam.
O caso do Citilink ilustra o potencial dos dados produzidos no INESC TEC para complementar “outras fontes de evidência como estatísticas e dados administrativos de execução de políticas”. E como, deste cocktail, podem nascer oportunidades de colaboração de entidades do ecossistema de investigação e inovação com policymakers.
O ciclo de webinars composto por três sessões, revisitou temas como a qualidade, a acessibilidade, o formato, ou o âmbito dos dados abertos, sempre na ótica de sublinhar a sua utilidade, tanto para a valorização da investigação nas políticas científicas, como para as políticas públicas.

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