Investigadores do INESC TEC propõem novo modelo para tornar camiões-tanque mais seguros e eficientes

Alguma vez se questionou como funciona um camião tanque? Qual a eficiência do carregamento? Como garantir a estabilidade do veículo durante o transporte? Perguntou-se, talvez, o que acontece quando há sobrecarga ou má distribuição de peso nos eixos? Qual a probabilidade de capotamento? Quais os riscos associados ao incumprimento de normas de segurança?

Um grupo de investigadores do INESC TEC publicou um artigo que propõe um modelo matemático que garante a segurança de camiões-tanque de combustível em toda a sua rota de entrega, impondo restrições à distribuição da carga, demonstrando que, sem tais restrições, a grande maioria dos planos de carregamento viola as normas de segurança.

“Multi-compartment tank-truck loading problem with load balance constraints: A mixed integer linear programming model”, dos investigadores Roberto Paixão, Ângelo Soares, António Galrão Ramos e Elsa Silva, surgiu da necessidade de tornar os modelos mais próximos da realidade do transporte de combustíveis.

Ângelo Soares explica que “embora não tenha tido origem num caso específico, o estudo pretende responder a um desafio transversal a empresas de distribuição: garantir não só a eficiência na entrega, mas também o cumprimento rigoroso de requisitos de segurança associados à estabilidade do veículo”.

Até agora, a investigação focava-se sobretudo em maximizar a eficiência do carregamento e das rotas, mas ignorava um aspeto crítico: a estabilidade física do veículo durante a viagem. A principal inovação do artigo é, segundo o investigador do INESC TEC, “a formulação de um novo paradigma que integra a distribuição de combustível com requisitos de segurança e estabilidade do veículo ao longo de todo o percurso”. Em particular, garante, “é proposto um modelo matemático que, para além de distribuir o combustível pelos diferentes compartimentos, garante que, em todos os momentos da viagem, o posicionamento da carga cumpre as normas de distribuição de peso pelos eixos do veículo”.

Em termos práticos, o estudo mostra que cerca de 78% das soluções tradicionais podem ser inseguras por não considerarem a estabilidade e “esta investigação pode ter um impacto direto na forma como as empresas de distribuição de combustíveis planeiam as suas operações”, refere Ângelo Soares.

Além disso, o modelo permite às empresas ajustar o carregamento conforme o que for mais importante: rapidez, quantidade entregue ou estabilidade, ajudando a equilibrar objetivos que muitas vezes entram em conflito. Tudo recorrendo a uma ferramenta prática e rápida, que gera soluções em segundos e pode ser usada no dia a dia das empresas e garantir operações mais seguras, eficientes e em conformidade com as regras.

O caminho, anseia o investigador, passará pela integração completa, associando a otimização do carregamento e do percurso. “Em vez de partir de uma rota já definida pela empresa, o sistema desenvolvido poderia sugerir a melhor rota a percorrer”, conclui.

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