Podemos aprender sobre o mundo a partir dos jogos e o INESC TEC esteve na Alemanha para mostrar como se faz 

Os jogos sérios podem ser uma ferramenta de relevo para lidar com temas complexos. Uma investigadora do INESC TEC liderou um workshop que abordou todas as fases do desenvolvimento de um jogo sério para a Saúde Global e o Bem-estar. 

O que pode ligar a raiva canina, o uso de fertilizantes na agricultura, o vírus Zika, a ansiedade e as vacinas? A resposta: um workshop de jogos sérios – e o INESC TEC. Por isso, a investigadora Maria Van Zeller esteve em Munique, na Alemanha, no âmbito do projeto europeu EUGLOH, para lecionar um curso de cinco dias dedicado ao desenvolvimento de jogos sérios aplicados à saúde global e ao bem-estar.   

De escape rooms digitais a jogos de tabuleiro, realidade aumentada e adaptações criativas de formatos clássicos como o Monopólio, a iniciativa reuniu mais de 20 estudantes. O resultado: uma mão-cheia de jogos que, para lá da componente lúdica, suscitaram um debate multidisciplinar sobre problemas complexos do mundo real.  

Maria Van Zeller conta já com larga experiência acumulada em projetos de jogos sérios, nomeadamente na coordenação do Projeto Trio, desenvolvido pelo INESC TEC, que foi laboratório de criação de uma plataforma nas áreas da literacia de saúde, digital e dados. Este projeto foi mesmo o ponto de partida para os cinco dias em Munique, na Ludwig Maximilian University (LMU), a convite da EUGLOH, uma aliança universitária europeia que promove o conceito de Global Health e Wellbeing.  

“Ainda antes do workshop, através de uma formação online, foi instruído aos alunos para se juntarem em grupos, trabalharem num tema e trazerem uma ideia de projeto, aquilo a que nós chamamos árvore de ideação, um tree map, para que eles pudessem começar a pensar qual era o problema a que queriam dar resposta”, enquadra a investigadora.  

Depois, tudo aconteceu em Munique. Estudantes com os mais diversos backgrounds culturais e académicos – de áreas como a Biologia, Medicina ou Psicologia – abraçaram metodologias de design thinking e passaram por todas as fases do desenvolvimento de um jogo sério: compreensão do problema, ideação, prototipagem, testes de usabilidade e apresentação final em formato de pitch, “como se estivessem num programa como o Shark Tank”.  

O jogo vencedor partia de um tabuleiro para sensibilizar estudantes do secundário acerca da importância da vacinação contra a raiva canina. Neste jogo de tabuleiro, o progresso estava dependente de respostas certas a perguntas de verdadeiro ou falso. O jogo podia ocorrer em ambiente real ou digital.  

A experiência, adianta Maria Van Zeller, reforçou a importância dos jogos sérios como ferramentas pedagógicas e demonstrou o potencial da cocriação e do trabalho interdisciplinar na promoção da literacia em saúde à escala europeia. “Em todos os jogos era importante perceber quais eram os learning outcomes e quais eram os objetivos de aprendizagem. O grande objetivo não era propriamente o aspeto mais ou menos finalizado do trabalho, que neste caso estava completamente finalizado, mas essencialmente que esses conceitos de aprendizagem tivessem sido assimilados”, assinala Maria Van Zeller.  

No total, participaram cinco grupos, incluindo estudantes da Universidade do Porto. Para além de Maria Van Zeller, esteve também em Munique o investigador do INESC TEC António Coelho, que lidera o Living Lab de Inovação Pedagógica no âmbito do qual este curso foi criado, numa colaboração entre a LMU, Universidade do Porto e a Universidade de Szeged (na Hungria).  

Os investigadores mencionados na notícia têm vínculo ao INESC TEC e à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.  

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