Revisão independente sobre IA nas redes elétricas no Reino Unido conta com o contributo do INESC TEC

Quem está a definir o caminho para uma utilização segura da Inteligência Artificial (IA) nas redes elétricas? Que desafios técnicos e regulatórios precisam de ser ultrapassados? E que condições são necessárias para transformar o seu potencial em impacto real no setor energético? Estas e outras questões foram discutidas numa reunião, organizada pelo Department of Energy Security and Net Zero – o departamento governamental do Reino Unido responsável pelas políticas de energia e transição climática – que contou com o parecer e conhecimento de Ricardo Bessa, investigador e coordenador da área de Sistemas de Energia do INESC TEC.

 

À medida que as redes elétricas se tornam mais complexas e dependentes de fontes renováveis, cresce a necessidade de soluções inteligentes para garantir a sua estabilidade e eficiência. A IA surge como uma ferramenta promissora que pode transformar a forma como produzimos, gerimos e distribuímos energia. No entanto, a sua aplicação levanta desafios ao nível da fiabilidade, segurança e integração, exigindo testes e garantias antes de uma adoção em larga escala.

Foi nesse sentido que um conjunto de especialistas internacionais, da academia à indústria, se reuniram em Londres. Ricardo Bessa juntou-se ao debate, participando numa mesa-redonda que procurou ajudar a definir políticas e estratégias para a adoção destas tecnologias no setor energético: “A experiência de instituições de investigação e desenvolvimento é crítica para a definição de uma estratégia robusta e competitiva neste domínio. Mais do que identificar tecnologias prioritárias, é fundamental estruturar modelos eficazes de industrialização que assegurem a sua maturidade, escalabilidade e integração no sistema energético, convertendo inovação em impacto concreto”.

A iniciativa faz parte da Revisão Independente da Implementação de IA nas Redes Elétricas, anunciada pelo governo do Reino Unido, através do Department for Energy Security & Net Zero, no final de 2025. Entre os principais temas em discussão estiveram a disponibilidade e qualidade dos dados, a necessidade de ambientes de simulação e teste adequados, bem como os mecanismos de garantia, certificação e governança necessários para assegurar a fiabilidade das soluções baseadas em IA.

“Um dos temas que mereceu particular destaque foi a construção e operação de infraestruturas dedicadas ao teste e à experimentação de soluções de IA, com o objetivo de acelerar o seu desenvolvimento e, simultaneamente, assegurar a sua certificação para uma adoção industrial segura”, acrescenta Ricardo Bessa.

A participação do INESC TEC neste fórum reflete o reconhecimento internacional da atividade da instituição e dos investigadores na área dos sistemas de energia, nomeadamente no desenvolvimento de metodologias para previsão, operação e planeamento de redes elétricas com recurso à IA.

“O INESC TEC tem, há várias décadas, vindo a explorar a aplicação de inteligência computacional aos sistemas elétricos de energia. Este conhecimento acumulado, aliado à experiência na industrialização destas soluções, coloca-nos numa posição privilegiada para apoiar empresas e governos na definição de estratégias de desenvolvimento numa área em que a Europa ainda pode afirmar a sua competitividade, em particular na aplicação setorial desta tecnologia e na sua utilização como alavanca para a transição energética à escala europeia”, defende o investigador.

Os contributos recolhidos nesta sessão irão alimentar a revisão independente em curso no Reino Unido, que pretende estabelecer orientações para garantir que a aplicação de IA nas redes elétricas seja robusta, transparente e confiável.

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