Da operação das redes elétricas à previsão da produção renovável, passando pela interoperabilidade dos recursos energéticos distribuídos e pela flexibilidade do consumo, o INESC TEC tem vindo a reforçar a sua aposta no desenvolvimento de soluções de código aberto para o setor da energia. Atualmente, três projetos de código aberto integram o ecossistema da Linux Foundation Energy — uma das mais relevantes comunidades internacionais dedicadas ao desenvolvimento de software aberto para sistemas energéticos —, enquanto um quarto resultado tecnológico é já utilizado pelo Elia Group, operador dos sistemas elétricos da Bélgica e da Alemanha.
Esta integração surge numa altura em que o envolvimento do INESC TEC na Linux Foundation Energy continua a ganhar dimensão. O instituto participou pela primeira vez no LF Energy Summit em 2025, onde apresentou o seu trabalho nas áreas da interoperabilidade, previsão renovável e Inteligência Artificial aplicada aos sistemas de energia, tornando-se rapidamente um membro ativo da comunidade e reforçando a presença europeia das tecnologias desenvolvidas no âmbito dos seus projetos de investigação.
O mais recente exemplo é o AINETUS, uma plataforma de apoio à decisão para operadores de redes elétricas. Desenvolvido no âmbito do projeto europeu AI4REALNET, o AINETUS reúne um conjunto de tecnologias avançadas de Inteligência Artificial concebidas para apoiar a operação de infraestruturas críticas. Ao integrar a Linux Foundation Energy, o AINETUS passa a fazer parte de um ecossistema aberto, colaborativo e governado pela comunidade internacional. O objetivo é garantir a sustentabilidade da tecnologia a longo prazo, promover a sua adoção pela indústria e facilitar a transferência de conhecimento entre investigadores, operadores de infraestruturas e empresas tecnológicas.
Mas o AINETUS é apenas um dos exemplos de uma estratégia mais ampla do INESC TEC em matéria de inovação aberta.
Atualmente, o Instituto lidera ou coordena, em conjunto com parceiros europeus, várias iniciativas em código aberto de referência para o setor energético. Entre elas encontra-se o CUPID, desenvolvida no âmbito do projeto Europeu InterSTORE, uma ferramenta de interoperabilidade que permite a comunicação entre recursos energéticos distribuídos, plataformas de gestão de rede e sistemas legados através da norma IEEE 2030.5. Destaca-se ainda o Semantic Energy Framework (SEF), desenvolvido no âmbito do projeto Europeu InterConnect, uma estrutura semântica que facilita a partilha, descoberta e interpretação de dados entre diferentes sistemas energéticos.
Outro caso de sucesso é o Predico, uma plataforma de previsão energética colaborativa desenvolvida pelo INESC TEC e já adotada por operadores de rede. A solução demonstra como os resultados da investigação podem ser transformados em ferramentas operacionais com impacto real no mercado.
Para Ricardo Bessa, coordenador da área de Sistemas de Energia do INESC TEC, a aposta no software aberto é fundamental para acelerar a inovação num setor em rápida transformação. “Trabalhar em código aberto permite criar ecossistemas em torno de software que resulta de trabalho de I&D, acelerar a sua adoção, beneficiando, por exemplo, dos avanços da IA generativa, e garantir que os resultados da investigação geram valor para a sociedade muito para além da duração dos projetos financiados”.
O trabalho desenvolvido pelo INESC TEC está disponível através da sua página de código aberto, que reúne mais de 11 projetos de código aberto destinados a investigadores, empresas, operadores de rede e decisores do setor energético.

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