Conheça a INCM

Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) é uma sociedade anónima de capitais públicos. A empresa tem a seu cargo a produção de bens e serviços fundamentais ao funcionamento do Estado português.  

Recentemente, conversamos com Sílvia Garcia, responsável pela área de inovação. 

 

 

Nome: Sílvia Garcia
Organização: INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda
Área de negócio:

  • Produção de bens e serviços fundamentais ao funcionamento do Estado português: documentos de identificação e viagem, identificação de pessoas e bens, proteção de marcas, cunhagem de moeda metálica, autentificação de artefactos de metais preciosos e edição de publicações oficiais;
  • Gráfica de segurança;
  • Segurança digital;
  • Edição de obras essenciais da língua e cultura portuguesas.

Função na organização: Responsável pela área de inovação
Centro do INESC TEC com que colaborou: Laboratório de Software Confiável (HASLab)
Nome dos projetos: 
vCardID, Estudo de Evolução de Chaves Criptográficas, iDigital e IDINA
Nomes dos responsáveis no INESC TEC: Vítor Fonte e Jaime Cardoso

 

Qual é a ligação da INCM com INESC TEC?

O primeiro contacto foi feito pela INCM, com o objetivo de desenvolver um projeto muito concreto: a criação de uma tecnologia que substituísse o algoritmo biométrico para identificação de impressões digitais que estava a ser utilizado no chip do Cartão de Cidadão. Esta solução tinha, na altura, como proprietário um fornecedor externo, incorrendo em elevados custos para a empresa. Foi assim que surgiu o projeto vCardID. Este foi o primeiro projeto de I&D desenvolvido na parceria estabelecida e o algoritmo desenvolvido encontra-se hoje em dia introduzido em todos os Cartões de Cidadão produzidos na INCM. Ao mesmo tempo foi possível provar a capacidade de inovar e criar valor através da tecnologia made in Portugal. 

O sucesso desta parceria foi impulsionador para a criação da Rede Inovação INCM, que se veio a concretizar em 2016, e que hoje conta com 56 parceiros. Esta rede assenta num interface dinâmico entre a realidade empresarial e industrial e o mundo académico, científico e tecnológico, por forma a que a empresa possa, por um lado, conhecer e interiorizar as melhores práticas e métodos que o mercado tem para oferecer, e, por outro lado, incentivar e investir em projetos de investigação, desenvolvimento e inovação (ID&I).  

Temos sempre como premissa que estes projetos possam ser incorporados e traduzidos em mais-valias no âmbito dos diversos produtos, serviços, processos, modelos de negócio ou métodos organizacionais da INCM, promovendo também uma partilha do know-how e dos recursos da empresa na sua concretização. 

Quais são os principais resultados desta colaboração? 

O INESC TEC está, atualmente, envolvido em vários projetos que visam o desenvolvimento de tecnologias essenciais aos produtos e serviços prestados pela INCM. Destes projetos destacam-se: 

vCardID, que teve por objetivo a criação de um algoritmo e respetivo middleware para implementação em diferentes plataformas de verificação biométrica, com aplicação no Cartão de Cidadão e outros cartões de identificação.  

O projeto vCardID teve como principais resultados uma solução proprietária da INCM, permitindo a independência da empresa em relação aos seus fornecedores, o que levou a uma efetiva redução de custos de produção. Mas foi mais além, sendo uma nova solução biométrica (match-on-card para impressões digitais) e respetiva solução de middleware, através do aperfeiçoamento dos sistemas onde as soluções são implementadas. 

Estudo de Evolução de Chaves Criptográficas, cujo âmbito enquadra-se na temática de chaves criptográficas como as que são usadas no Cartão do Cidadão ou outros documentos de identificação civis, académicos e profissionais e atualmente asseguram a autenticação e o não-repúdio dos cidadãos quando realizam operações eletrónicas nas quais seja necessária uma prova de identificação. Os avanços computacionais que vivemos e eminência da generalização do acesso a computação quântica fazem com que seja necessário o desenvolvimento de chaves criptográficas mais complexas e consequentemente mais difíceis de quebrar, mantendo assim o seu propósito de autenticação e não-repúdio. 

O projeto Estudo de Evolução de Chaves Criptográficas tem como objetivo dotar a INCM de conhecimento que permita o desenvolvimento de chaves criptográficas mais robustas, essenciais à manutenção de formas de comunicação seguras, serviços de autenticação, privacidade e de integridade de dados. As chaves criptográficas desenvolvidas com base no conhecimento gerado terão a capacidade de resistirem a potenciais ataques informáticos levados a cabo com recurso a supercomputadores como por exemplo computadores quânticos. 

iDigital, executado através de um consórcio composto por INESC, INESC ID, INOV, UMinho, UAveiro, UPorto, Instituto Superior Técnico e INESC TEC, tem como objetivo promover um estudo sobre a Identidade Digital, efetuando uma análise não só na vertente técnica, mas também elaborando uma perspetiva comparativa entre as soluções existentes ou em desenvolvimento no mercado nacional. Tem ainda o objetivo de contribuir para a criação de guidelines para que as tecnologias de identificação digital em desenvolvimento se adequem às exigências das diferentes instâncias oficiais, bem como standards internacionais relacionados com esta temática, com aplicação em documentos de Identificação Digitais. 

O projeto iDigital tem como resultados esperados a produção de linhas orientadoras para uma arquitetura nacional agregadora para a identidade digital, com o objetivo de promover o diálogo das partes interessadas no tema. 

IDMobile, tem por objetivo o desenvolvimento de uma solução móvel e digital de documentos de identificação, baseada numa arquitetura descentralizada com uso de biometria, para aplicação em documentos de identificação civil, académica e profissional. Os trabalhos desenvolvidos seguem as diretrizes da norma ISO 18013-5 que se encontra em fase de aprovação por parte do secretariado da International Standard Organization. A importância do cumprimento das diretrizes constantes na norma ISO 18013-5 prende-se com o facto de esta norma estar a ser desenvolvida em parceria com vários representantes de países a nível mundial, o que permite antever a sua adoção massiva, interoperável e consequente utilização das soluções de identificação móvel digital que cumpram a referida norma.  

O projeto IDMOBILE tem como resultados esperados criar uma maior segurança e conveniência de identificação no mundo digital, que permita uma real capacidade de partilha seletiva de dados (p.e. prova de maioridade), com interoperabilidade transfronteiriça, bem como a criação de uma carteira de documentos digitais para utilização em dispositivos móveis. 

IDINA (acrónimo de Identidade Digital Inclusiva Não Autoritativa) ideia apresentada por investigadores do INESC TEC, pretende garantir soluções de identificação para cidadãos indocumentados em países em vias de desenvolvimento. O problema da falta de documentos de identificação decorre da inexistência de sistemas centrais de identificação, nos países em vias de desenvolvimento e é estimado pela ONU que mais de mil milhões de cidadãos sejam afetados. Através do desenvolvimento de uma estrutura de identificação digital assente em hardware simples (ex. smartphones, tablets) pretende-se promover a identificação dos cidadãos indocumentados com base nas suas interações sociais (ex. vacinação, registo escolar). 

O projeto IDINA prevê o desenvolvimento de soluções de identidade baseadas em informação não autoritativa angariada com base nas interações sociais dos cidadãos e consequentemente não validada por entidades estatais. Isto é, visa o desenvolvimento de mecanismos que permitam a instituições credíveis, como escolas, instituições de saúde e autoridades locais atestar o nascimento e eventos de vida do cidadão como, por exemplo, vacinação e assistência à saúde, assistência alimentar, ou o percurso escolar. Esta plataforma poderá, posteriormente, integrar ou mesmo assumir o papel de registo autoritativo de identidade legal em estados que a implementem. 

Como tem sido a experiência com INESC TEC?

A experiência tem sido bastante positiva e profícua. Existe uma boa comunicação, tanto entre as partes envolvidas na prossecução dos projetos, como a nível institucionalNa INCM vemos a inovação de uma forma colaborativa, acreditamos que, através da junção de sinergias com outras equipas, atingimos resultados que permitem colocar novos projetos no mercado e aplicar o conhecimento gerado nos produtos e serviços desta instituição contribuindo para a sua sustentabilidade e posicionamento no futuro. 

Com o IDINA, projeto vencedor do Prémio IN3+, como vê a colaboração futura com esta instituição? 

O Prémio IN3+ é atualmente o maior prémio em Portugal destinado à Inovação, tendo ocorrido já 3 edições. Nesta terceira edição foi atribuído um valor de até 1 milhão de euros para o financiamento de projetos de I&D. O projeto IDINA, virá certamente reforçar a continuidade de uma colaboração que se tem revelado proveitosa. Com o acompanhamento deste projeto estamos a trabalhar na proposta de novas parcerias com outras entidades relevantes da área do desenvolvimento, que permitam facilitar a implementação do projeto aprofundando o caminho já feito em conjunto pela INCM e o INESC TEC. Este “ir mais alem” permitirá também um reforço na internacionalização da atuação da INCM, pois o objetivo que este projeto visa alcançar é global e está presente nas sociedades de vários países em vias de desenvolvimento. Desta forma, projeto IDINA terá um cariz social muito importante, permitindo garantir o empenho da INCM no apoio ao desenvolvimento social de países em vias de desenvolvimento.  

O que valoriza nesta colaboração?

A colaboração entre a INCM e o INESC TEC tem sido uma mais-valia, através da ligação entre uma empresa multicentenária e uma das principais instituições na área da Ciência e Tecnologia, onde procuramos alcançar uma ponte entre a realidade empresarial e o conhecimento académico. 

Os projetos de I&D são realizados em regime de partilha de propriedade intelectual entre as partes, onde ambas as instituições operam e colaboram em toda a linha de valor do processo de inovação, desde o desenvolvimento de atividade de I&D até a introdução destes resultados em novos produtos e serviços, trazendo reais benefícios para a sociedade. 

O que podemos esperar nos próximos anos da INCM?

Podemos esperar a prossecução das parcerias que temos desenvolvido com a academia no âmbito da Rede de Parceiros, como esta com o INESC TEC. Atualmente, a inovação tecnológica é um dos pilares estratégicos da INCM e a parceria com as principais universidades e centros de investigação nacionais tem contribuído para a criação e o desenvolvimento de projetos de I&D nas suas várias áreas de atuação. 

A instituição pretende continuar a afirmar-se como a principal empresa em Portugal com oferta, a nível nacional e internacional, no fornecimento de serviços e produtos, essenciais à sociedade, ao(s) Estado(s), às empresas e aos cidadãos, o que envolve sistemas e processos inovadores, um desígnio que só será possível através deste tipo de colaboração. 

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