INESC TEC promove debate sobre o papel da IA na saúde ocupacional

Evento contou com a participação de investigadores do Departamento de Psicologia da Universidade Técnica de Dresden e da Deutsche Bahn, a maior operadora de transporte ferroviário da Europa Central.

Com o objetivo de reforçar a colaboração entre parceiros e explorar a aplicabilidade da investigação feita na área da Saúde Ocupacional, assim como os desenvolvimentos mais recentes, o INESC TEC foi palco de um workshop que juntou vozes diversas sobre o tópico. Através de apresentações e uma mesa-redonda, os participantes discutiram o papel da Inteligência Artificial (IA) no desenvolvimento de ferramentas automáticas e eficientes de monitorização e apoio à saúde, segurança e desempenho dos trabalhadores durante o seu período laboral.

O evento começou com a introdução das linhas de investigação da instituição, apresentadas por Duarte Dias, investigador do INESC TEC e responsável pela área de Bioengenharia, e teve continuidade com as diferentes apresentações que sublinharam, entre outros aspetos, a colaboração entre humanos e IA através da perceção do estado psicofisiológico dos operadores em situações de alto risco, o papel da intervenção humana na gestão do tráfego ferroviário, com políticas de aprendizagem por reforço multiagente (MARL), ou estratégias para monitorizar em tempo real  stress agudo no trabalho diário dos enfermeiros.

Para Federico Calà, investigador do INESC TEC e um dos oradores, este workshop destacou o “potencial da combinação de competências complementares” para a criação de uma framework abrangente que permita analisar o bem-estar dos trabalhadores. “Os pontos fortes do INESC TEC na interação homem-máquina e no processamento avançado de sinais biomédicos podem contribuir para uma interpretação mais detalhada e significativa dos dados fisiológicos, apoiando aplicações mais informadas e eficazes em contextos profissionais”, detalhou o investigador.

Desde os primeiros estudos, na área da agricultura e no controlo do tráfego aéreo, até aplicações mais recentes focadas nos trabalhadores da ferrovia ou na gestão da rede elétrica, a investigação em saúde ocupacional desenvolvida no INESC TEC tem já um longo histórico de resultados – os quais foram sublinhados, sobretudo à luz do projeto europeu AI4REALNET, liderado pelo INESC TEC

Neste contexto, o Modelo de Avaliação Humana, um dos sistemas que tem vindo a ser desenvolvidos na instituição, foi apresentado como uma “ferramenta baseada em IA capaz de monitorizar o stress e o desempenho cognitivo em tempo real através de análise de sinais de fisiológicos, nomeadamente o ECG”. Na sua génese está uma “arquitetura que, em vez de devolver uma simples previsão numérica, traduz esses valores em resultados interpretáveis que podem ser utilizados por agentes de IA para adaptar o seu comportamento, promovendo uma colaboração homem-máquina mais eficaz”, descreve Federico Calà.

O evento – que também abordou as dificuldades em definir o que é stress, de que forma este é sentido pelos diferentes indivíduos, assim como os desafios inerentes à sua deteção e medição – culminou numa mesa-redonda que suscitou “reflexões importantes sobre aspetos éticos, nomeadamente a privacidade e a proteção de dados”. Entre as preocupações elencadas, está a necessidade de garantir que a monitorização psicofisiológica seja utilizada para promover o bem-estar dos trabalhadores, sem criar riscos relacionados com a vigilância ou a utilização indevida dos dados de desempenho.

Ao abordar diversas áreas-chave que são trabalhadas no INESC TEC confirmou-se a “estreita sintonia” das principais linhas de investigação internacionais na área de saúde ocupacional, assim como os contributos para o “desenvolvimento de tecnologias que não só melhoram a eficiência operacional, como colocam o bem-estar humano no centro da transformação digital alinhando-se com os objetivos da indústria 5.0”.

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