Conheça o Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada (2Ai)

2Ai é o Laboratório de Inteligência Artificial Aplicada do Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), dedicado à investigação em áreas como a visão computacional e a aprendizagem automática. 

Este mês, estivemos à conversa com Sandro Queirós, investigador do 2Ai-IPCA e co-organizador do MMIA – Meeting on Medical Image Analysis, um novo encontro dedicado à análise de imagem médica organizado em parceria entre o INESC TEC e o IPCA. A primeira edição decorreu no INESC TEC, no Porto, no dia 8 de maio. 

 

Como surgiu a colaboração científica com o INESC TEC e o que a motivou? 

A colaboração com o INESC TEC surgiu da relação científica de longa data que mantenho com o João Pedrosa, atualmente investigador auxiliar no INESC TEC. Conheço o João há cerca de 11 anos, quando ambos éramos alunos de doutoramento na KU Leuven, na Bélgica, integrados no Cardiovascular Imaging and Dynamics Lab, sob supervisão do Professor Jan D’hooge. Durante esse período, colaborámos em temas relacionados com ecocardiografia e publicámos alguns trabalhos científicos em conjunto. 

Depois do doutoramento, seguimos percursos diferentes, com o João a regressar ao INESC TEC e FEUP e eu à Universidade do Minho. Ainda assim, fomos mantendo contacto ao longo dos anos, sobretudo através de júris académicos. A colaboração mais próxima acabou por surgir naturalmente, motivada pela complementaridade das nossas experiências e interesses científicos na área da análise de imagem cardiotorácica. Mais recentemente, transitei para o 2Ai do IPCA, mantendo naturalmente esta colaboração. 

 

Que tipo de trabalho conjunto têm desenvolvido, nomeadamente ao nível de projetos de investigação? 

A colaboração atual começou no âmbito do projeto AutoFoCUS, financiado pela FCT e liderado por mim, dedicado ao desenvolvimento de técnicas de inteligência artificial para análise automática de ultrassonografia cardiotorácica point-of-care. Tendo em conta a experiência do INESC TEC e, em especial, do João em imagiologia torácica e em sistemas de image-based retrieval, convidei-o a colaborar no projeto e a coorientar uma dissertação de mestrado nesta área, a ser desenvolvida em colaboração com a FEUP. 

Entretanto, esta dinâmica evoluiu também para a coorientação de um doutoramento focado na deteção automática de achados extracardíacos em imagens de ressonância magnética cardíaca, atualmente em curso. 

 

O que motivou a coorganização do MMIA? O que trouxe este encontro de novo para a comunidade? 

Tanto eu como o João tínhamos a perceção de que muitos dos investigadores portugueses que trabalham na análise de imagem médica se conheciam mais facilmente em conferências internacionais do que em Portugal. Apesar de existirem eventos relevantes em áreas como inteligência artificial, bioengenharia ou imagiologia médica, sentíamos falta de um espaço especificamente dedicado a esta comunidade. 

O MMIA surgiu precisamente dessa vontade de criar um fórum transversal, aberto a diferentes metodologias, modalidades de imagem e especialidades clínicas, mas centrado num interesse comum: a análise de imagem médica. Desde o início, quisemos manter uma dimensão internacional, particularmente próxima da comunidade ibérica, o que se refletiu na participação de investigadores de vários países nesta primeira edição. 

 

O que mais valoriza nesta dinâmica de colaboração e o que tem resultado dela? 

Penso que um dos aspetos mais interessantes desta colaboração é o equilíbrio entre um percurso científico de base semelhante e experiências pós-doutorais diferentes, que nos deram perspetivas complementares sobre investigação e desenvolvimento. Essa complementaridade tem sido bastante enriquecedora nos projetos em que colaboramos. 

Ao mesmo tempo, esta dinâmica tem também aproximado as equipas do INESC TEC e do 2Ai/IPCA em torno de interesses científicos comuns, particularmente na área da análise de imagem médica e da inteligência artificial aplicada à saúde. 

Até ao momento, e além do MMIA 2026, esta colaboração já resultou em coorientações de estudantes, trabalhos científicos apresentados em congressos e no desenvolvimento de novas linhas de investigação conjuntas. 

 

Como vê a evolução desta colaboração nos próximos anos? 

Acredito que esta colaboração continuará a crescer de forma bastante natural. Neste momento, estamos focados na continuidade do trabalho associado ao doutoramento em curso e submetemos recentemente uma candidatura a financiamento nacional para expandir esta linha de investigação. 

Ao mesmo tempo, esperamos continuar a desenvolver novos projetos, a envolver mais estudantes e a consolidar o MMIA como ponto de encontro da comunidade de análise de imagem médica. A próxima edição decorrerá em maio de 2027, no IPCA, em Barcelos, e temos a ambição de continuar a aumentar a participação e o alcance internacional do evento. 

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