Pode a realidade virtual melhorar o ensino e motivar os estudantes? O INESC TEC acredita que sim

Imagine que era possível usar realidade virtual para motivar o envolvimento de estudantes no ensino, enquanto se facilita a aprendizagem de conteúdos programáticos. Este é o objetivo do projeto VR-EDU 3D, que foi desenvolvido por investigadores do INESC TEC, em colaboração com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), na infraestrutura de investigação partilhada entre as duas instituições, o Laboratório de Realidade Virtual MASSIVE.

A ideia é usar ferramentas de realidade virtual para melhorar o ensino de conceitos que requerem uma noção espacial elevada, ao permitir uma visualização tridimensional, quando os estudantes apenas têm acesso a plataformas de duas dimensões, como, por exemplo, livros, computadores ou projeções nas salas.

Guilherme Gonçalves, investigador no INESC TEC e na UTAD, esclarece que “não podemos usar só realidade virtual para todos os conteúdos, mas desta forma vamos perceber em que conteúdos este método pode ser uma mais-valia”. Estas ferramentas de realidade virtual vão ser testadas em salas de aula imersivas, especialmente preparadas e adaptadas para este efeito, e em casos de estudo reais. O projeto pretende ainda avaliar se os estudantes conseguem aprender o conteúdo, se o fazem melhor, e ainda a motivação envolvida. “No fundo, queremos perceber se isto tem algum efeito comparando com os métodos tradicionais de ensino”, explica o investigador. Neste caso em particular, a tecnologia deverá servir para ajudar o ensino nos cursos de Engenharia Informática e Medicina Veterinária, nas unidades curriculares de Computação Gráfica e Anatomia Veterinária, respetivamente.

O projeto chama-se “VR-EDU 3D: Aprendizagem Imersiva e Compreensão Espacial de Conceitos 3D em Engenharia e Medicina Veterinária” e integra a iniciativa financiada pela UTAD intitulada “Projetos de Inovação Pedagógica”, uma ação que pretende incentivar os docentes da Universidade a desenvolver ideias de inovação no contexto de uma ou mais unidades curriculares, com vista a usar a criatividade para experimentar novas formas de ensinar e aprender. Foram três os projetos vencedores, apoiados com um financiamento de 2.000€ cada, destinado à sua implementação e validação em contexto real até julho de 2027.

Da parte do INESC TEC, além de Guilherme Gonçalves, estão envolvidos os investigadores Maximino Bessa, Miguel Melo, Bruno Peixoto e Luciana Cabral Bessa, que contaram ainda com a colaboração de Bruno Colaço e Maria Sofia Pimenta, do Departamento de Zootecnia da Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias da UTAD.

 

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