Os investigadores do INESC TEC arrecadaram três prémios científicos e um prémio de fotografia na Conferência Internacional sobre Aplicações da Ótica e da Fotónica (AOP2026). Mas, a participação na AOP2026 não se ficou por aqui. Orlando Frazão foi eleito vice-presidente da direção Sociedade Portuguesa de Ótica e Fotónica e Susana Silva assume agora a presidência do Conselho Fiscal desta organização. Orlando Frazão foi ainda nomeado presidente do Portuguese Territorial Committee for Optics.
Rita Pereira de Faria, Pedro Madeira Silva, João Pedro Carvalho e Miguel Almeida viram os seus trabalhos reconhecidos na conferência internacional organizada a cada dois anos pela Sociedade Portuguesa de Ótica e Fotónica (SPOF). O evento reúne investigadores, estudantes e especialistas nacionais e internacionais para apresentar e discutir desenvolvimentos científicos e tecnológicos nas áreas da ótica e da fotónica. Vamos conhecer os trabalhos premiados?
Sensores óticos para monitorização de estruturas em betão
Rita Pereira de Faria, estudante de doutoramento do programa doutoral em Engenharia Física da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (PRODEF), com orientação de Luís Coelho e João Mendes, investigadores do INESC TEC, e Ian Muri do Sintef (Noruega), recebeu o prémio Best Presentation in Photonics, atribuído pela revista científica Photonics, da MDPI, pelo trabalho “Two Optical-Fiber Approaches to Embeddable Concrete Monitoring: Interferometric and Intensity-Based Methods”.
O estudo apresenta duas abordagens complementares para a monitorização de estruturas de betão através de sensores óticos: uma baseada em interferometria e outra em medições de intensidade.
A abordagem interferométrica, desenvolvida no âmbito da dissertação de mestrado de Rita Pereira de Faria, permite medir a temperatura e a humidade relativa através de um sensor em fibra ótica monomodo, com interrogação espectral remota.
A segunda abordagem, associada ao trabalho de doutoramento de Pedro Madeira Silva, recorre a medições de intensidade e possibilita a monitorização de um conjunto mais alargado de parâmetros, incluindo temperatura, processo de cura, carbonatação, humidade relativa e corrosão. Neste caso, o processamento é realizado localmente e os dados são transmitidos por ligação com fios para um computador.
As duas tecnologias foram implementadas e encontram-se a ser testadas num protótipo de uma estrutura de betão destinada a turbinas eólicas offshore flutuantes, construído em Setúbal no âmbito do projeto ATE.
O trabalho foi orientado por José Almeida, Luís Coelho e João Mendes, investigadores do INESC TEC.
Nova arquitetura para sensorização ótica integrada
João Pedro Carvalho recebeu o EOS Best Student Poster Presentation Award, atribuído pela European Optical Society, pelo trabalho “Differential Optical Sensing Platform Based on Strong-Coupled Interactions Between Plasmonic and Excitonic Materials”.
O estudo analisa numericamente uma nova arquitetura de sensorização ótica baseada na interação, à nanoescala, entre plasmões de superfície e excitões. A solução combina as propriedades óticas de filmes finos metálicos com as de materiais bidimensionais.
Os plasmões de superfície são amplamente utilizados em sensores óticos devido à sua elevada sensibilidade a alterações no meio envolvente. No entanto, as configurações convencionais requerem frequentemente a utilização de prismas para o acoplamento da luz, o que pode dificultar a implementação prática dos sensores e aumentar a suscetibilidade a erros.
Para ultrapassar esta limitação, os investigadores projetaram uma estrutura ótica multicamada capaz de permitir a propagação direta de plasmões de superfície através da incidência de luz.
A integração de uma monocamada de dissulfeto de tungsténio, um material semicondutor com bandas de absorção excitónica no espectro visível, dá origem a duas bandas de absorção sensíveis às condições do meio externo. Esta configuração permite criar uma arquitetura diferencial, aumentando a janela de sensorização e reduzindo o impacto de flutuações no sinal medido.
De acordo com o investigador, a solução poderá constituir uma alternativa aos sensores óticos convencionais, sobretudo tendo em conta o desenvolvimento da ótica integrada. A arquitetura poderá ser miniaturizada e incorporada num chip fotónico.
O trabalho integra o PROFEF de João Pedro Carvalho, é orientado por José Almeida, Luís Coelho e João Mendes e contou com financiamento do projeto WaveSense, coordenado por Luís Coelho.
Plataforma inteligente apoia aquacultura sustentável
João Mendes foi distinguido com o Sensors Best Talk Award, promovido pela revista científica Sensors, da MDPI, pelo trabalho “InnoAqua: Innovative Approaches for an Integrated Use of Algae in Sustainable Aquaculture Practices and High-Value Food Applications”.
O investigador do INESC TEC apresentou uma solução integrada para a monitorização inteligente da qualidade da água em sistemas de Aquacultura Multitrófica Integrada, desenvolvida no âmbito do projeto europeu INNOAQUA.
A proposta pretende responder aos desafios associados à produção aquícola sustentável, através de uma abordagem alinhada com os princípios da economia azul, da circularidade e do aproveitamento eficiente dos recursos.
Nos sistemas de Aquacultura Multitrófica Integrada, os nutrientes presentes nos efluentes resultantes da produção de peixe são reutilizados no cultivo de macroalgas. Estas contribuem para a biofiltração da água antes da sua recirculação, melhorando a eficiência e a sustentabilidade de todo o processo produtivo.
Para apoiar este modelo, foi desenvolvida uma infraestrutura capaz de monitorizar continuamente e em tempo real os principais indicadores da qualidade da água. A solução integra eletrónica dedicada, comunicações sem fios, um sistema automático de amostragem e um circuito fluídico, permitindo recolher autonomamente dados em diferentes pontos do sistema de aquacultura.
A arquitetura permite disponibilizar informação contínua sobre o funcionamento da instalação, reduzir a necessidade de intervenção manual e facilitar a identificação atempada de alterações nas condições da água.
A informação recolhida é enviada para uma plataforma digital, onde é organizada, processada e apresentada através de um painel de visualização. Desta forma, as variações observadas no ecossistema podem ser transformadas em informação útil para apoiar a tomada de decisão, otimizar as condições de produção e melhorar o crescimento da biomassa.
A plataforma foi ainda concebida para garantir robustez e escalabilidade. O sistema gere a comunicação com os diferentes módulos, valida os dispositivos ligados, controla os ciclos de aquisição e monitoriza o estado de funcionamento dos componentes. Foram também implementados mecanismos automáticos de recuperação em caso de falha, aumentando a fiabilidade da operação em ambientes reais.
Plasma de árgon confinado por um campo magnético vale prémio de fotografia

A participação do INESC TEC na AOP2026 ficou ainda marcada pela atribuição do Prémio de Fotografia a Miguel Almeida, investigador do Instituto e estudante de doutoramento do PRODEF, com orientação de Luís Coelho, José Almeida e Isabel Pastoriza do CINBIO (Vigo). A imagem vencedora mostra um plasma de árgon confinado por um campo magnético, gerado em torno do material a depositar num sistema de RF magnetron sputtering. O plasma apresenta uma tonalidade azulada característica e forma um feixe orientado para os substratos, onde ocorre a deposição do material.
Investigadores assumem funções em organizações nacionais e internacionais
Durante a conferência, a Sociedade Portuguesa de Ótica e Fotónica (SPOF) elegeu os seus novos órgãos sociais. Orlando Frazão, investigador do INESC TEC, foi eleito vice-presidente da direção, enquanto Susana Silva, também investigadora do Instituto, assumiu a presidência do Conselho Fiscal.
A SPOF é uma associação científica sem fins lucrativos, afiliada da European Optical Society, que tem como missão promover a ciência, a tecnologia e a educação nas áreas da ótica e da fotónica. A organização reúne investigadores, estudantes, empresas e profissionais que desenvolvem atividade nestes domínios em Portugal.
Orlando Frazão foi ainda nomeado presidente do Portuguese Territorial Committee for Optics, comité nacional associado à International Commission for Optics (ICO). Entre as suas responsabilidades estão a dinamização das atividades do comité em Portugal e a coordenação da representação nacional nas assembleias gerais e noutras iniciativas promovidas pela ICO.
“Os prémios e as nomeações anunciados durante a AOP2026 reforçam o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo INESC TEC nas áreas da ótica e da fotónica, bem como a presença das nossas equipas em organizações científicas nacionais e internacionais”, afirma Susana Silva.
A VII Conferência Internacional sobre Aplicações da Ótica e da Fotónica – AOP2026 decorreu entre 7 e 10 de julho, no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Organizada bienalmente pela Sociedade Portuguesa de Ótica e Fotónica, a International Conference on Applications in Optics and Photonics reúne investigadores, estudantes e especialistas nacionais e internacionais para a apresentação e discussão dos mais recentes desenvolvimentos científicos e tecnológicos nas áreas da ótica e da fotónica.

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