André Filipe Coelho, Daniele Caldana, Pedro Senna e Sofia Varotto

André Filipe Coelho

“A coordenação do CTM gostaria de propor o investigador André Filipe Coelho. Esta nomeação é sustentada no trabalho exemplar desenvolvido pelo André no contexto dos projetos Produtech R3 e NEXUS. Em particular, destacam-se os contributos do André na liderança das tarefas relacionadas com o desenho e implementação das soluções de rede privada 5G baseadas em Open Radio Access Network (O-RAN) para ambos os projetos. No Produtech R3, esta solução complementou a rede 5G privada comercial da NOS, existente no iiLab e LAB 5G (na FEUP), permitindo testar configurações de rede inovadoras (i.e., com TRL mais baixo) para casos de uso industriais, sem pôr em causa a estabilidade da rede NOS em produção. Já no NEXUS, esta solução de rede privada 5G materializou-se na Célula Móvel 5G, instalada numa carrinha dos bombeiros da Autoridade Portuária de Sines, reforçando a cobertura da rede privada 5G da Altice Labs onde ela era mais necessária. O bom funcionamento de todos os elementos destas soluções 5G, assim como a integração cuidada com os parceiros de ambos os projetos, foi essencial para o sucesso das demonstrações finais do NEXUS no Porto de Sines, e do Produtech R3 nas instalações da Navigator de Aveiro e Setúbal. O nível de excelência do trabalho, reconhecido pelas coordenações dos PPS de ambos os projetos, conselho de coordenação do centro, parceiros externos e outros centros INESC TEC envolvidos, resultou num contributo decisivo para atingir com sucesso os objetivos dos projetos. Esta prestação veio reforçar a posição de relevo do INESC TEC, enquanto responsável pelo desenvolvimento e integração de soluções de rede 5G inovadoras, e permitiu estreitar relações com parceiros chave nacionais, com os quais continuaremos ativamente a colaborar.”

– coordenação do CTM

Quais foram os principais desafios técnicos no design e na implementação das soluções de rede privada 5G baseadas em O-RAN nos projetos PRODUTECH R3 e NEXUS, e como foram ultrapassados?

Apesar de terem objetivos distintos, os projetos PRODUTECH R3 e NEXUS partilhavam um desafio comum para o INESC TEC, no âmbito da área das comunicações: demonstrar, em ambiente real, soluções 5G baseadas em implementações abertas, respondendo a requisitos concretos de funcionalidade e desempenho.

No PRODUTECH R3, desenvolvemos uma solução de comunicações 5G baseada em código aberto e criámos um laboratório de comunicações que complementa a rede privada comercial, também instalada no âmbito do projeto, em colaboração com o operador de telecomunicações NOS. Esta infraestrutura de experimentação 5G permitiu validar novas configurações, componentes e funcionalidades para casos de uso industriais, sem comprometer a operação da rede comercial.

No NEXUS, o trabalho desenvolvido pelo INESC TEC na área das comunicações centrou-se na conceção, no desenvolvimento e na validação de uma Célula Móvel 5G capaz de reforçar a cobertura da rede privada do Porto de Sines, respondendo às necessidades de operações temporárias e integrando-se com a infraestrutura fixa da rede 5G, desenvolvida no âmbito do projeto pela Altice Labs.

Em ambos os projetos, as fases de desenvolvimento e integração foram particularmente exigentes. Foi necessário integrar diferentes componentes e garantir que conseguiam funcionar em conjunto. O trabalho foi organizado por fases, com testes iniciais em laboratório e validação posterior em ambiente real. A definição de uma arquitetura modular e a realização de várias campanhas de testes permitiram validar as soluções em ambiente controlado antes das demonstrações finais.

Na sua perspetiva, qual foi o contributo mais determinante do seu trabalho para o sucesso das demonstrações finais e para o cumprimento dos objetivos dos dois projetos?

O meu principal contributo esteve na liderança das tarefas relacionadas com a conceção, a implementação e a integração das soluções de rede privada 5G desenvolvidas pelo INESC TEC em ambos os projetos, bem como na articulação entre as equipas internas e parceiros externos.

Na prática, esse trabalho envolveu a definição da arquitetura das soluções, a integração dos vários componentes e a validação da sua resposta aos requisitos dos casos de uso e aos objetivos definidos para cada projeto.

Em projetos desta dimensão, o principal desafio não está apenas no desempenho individual de cada componente, mas sobretudo na forma como todos os elementos funcionam em conjunto. Foi, por isso, no planeamento das fases de integração e validação que se concentrou o meu principal contributo, ajudando a consolidar os diferentes desenvolvimentos e a assegurar a sua articulação com as restantes soluções.

Que impacto considera que este trabalho teve no posicionamento do INESC TEC e na criação de oportunidades para futuros projetos?

Estes projetos reforçaram a experiência do INESC TEC no desenvolvimento de soluções de redes privadas, abrangendo várias fases, desde a definição da arquitetura até à integração e validação em contexto real.

O trabalho em ambientes operacionais permitiu conhecer requisitos e enfrentar desafios que dificilmente surgem apenas em laboratório, incluindo questões relacionadas com a interoperabilidade entre soluções, a cobertura, o desempenho e a operação das redes. Esta experiência é particularmente relevante para preparar futuras atividades de investigação, nomeadamente nas áreas das redes privadas baseadas em implementações abertas e das redes sem fios de próxima geração.

Para além dos resultados alcançados, os projetos deixaram protótipos, infraestruturas de teste e conhecimento que poderão constituir uma base importante para novos projetos, contribuindo também para consolidar a posição do INESC TEC nesta área.

Do que mais gosta no seu trabalho?

O que mais me motiva é acompanhar a evolução de uma ideia até à sua concretização numa solução real. Gosto, em especial, de projetos em que é possível combinar investigação, engenharia e conhecimento do contexto de aplicação, incluindo a articulação com utilizadores finais, como o Porto de Sines e a The Navigator Company, no caso destes projetos. É, muitas vezes, dessa interação que surgem as soluções mais interessantes e com maior potencial de impacto.

É também gratificante ver o trabalho desenvolvido pelas equipas traduzir-se em soluções e demonstrações que funcionam em condições reais e que, ao mesmo tempo, abrem novas oportunidades de investigação e inovação.

Como comenta esta nomeação?

Recebo esta nomeação com muita satisfação e agradeço à coordenação do CTM o reconhecimento do trabalho desenvolvido, não apenas por mim, mas também pelos vários colegas que estiveram envolvidos.

Foram projetos exigentes, desde o desenvolvimento até às fases de integração, validação e preparação das demonstrações, e os resultados só foram possíveis graças ao envolvimento de várias pessoas, cada uma com a sua experiência e contributo.

É particularmente gratificante ver reconhecido um trabalho que, acredito, contribuiu para afirmar a capacidade do INESC TEC no desenvolvimento, integração e validação de soluções de redes privadas, em colaboração com parceiros relevantes.

Daniele Caldana

“O Daniele Caldana começou a colaborar com o CRIIS ainda como aluno do 3.º ano do ISEP, quando veio fazer o seu projeto/estágio de final da licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores connosco. Nessa altura, estávamos a começar a Agenda Produtech R3 do PRR e o trabalho dele versou a exploração de um sensor da SICK para deteção de paletes e de pallet-pockets. O seu trabalho foi de tanta qualidade que o convidamos a colaborar connosco como BII; neste âmbito, ele começou a desenvolver toda a nossa pipeline para deteção de paletes e pallet-pockets que, posteriormente, foi adaptada para a deteção de caixas metálicas de transporte de peças na indústria automóvel, e usada na Agenda GreenAuto do PRR. Com a conclusão destas Agendas do PRR o trabalho do Daniele foi validado em diferentes demonstradores (CTT, Navigator, SONAE, Stellantis) e com AMRs da JPM e da Flowbotic, sempre com excelentes resultados, tendo sido um trabalho bastante elogiado pelos parceiros. Para concluir, este trabalho deu ainda origem a um pedido de patente.”

– coordenação do CRIIS

Quando começou o projeto de final de curso no CRIIS, imaginava que o trabalho iria evoluir ao ponto de ser aplicado em vários demonstradores industriais e dar origem a um pedido de patente? O que mais o surpreendeu neste percurso?

Ao olhar para todo o percurso desde que entrei no CRIIS para desenvolver o meu projeto de final de curso, é gratificante perceber a dimensão que o trabalho acabou por atingir. Na altura, nunca imaginei que a tecnologia de deteção de paletes viesse a ser desenvolvida e aplicada por mim em vários demonstradores industriais. O pedido de patente foi também uma surpresa, representando o reconhecimento do carácter inovador da solução desenvolvida.

O que mais me surpreendeu foi a evolução que tive, tanto a nível técnico como a nível profissional. O conhecimento adquirido ao longo destes anos permitiu transformar uma ideia inicial numa solução com aplicação prática e impacto real. A colaboração com os colegas do CRIIS e com os parceiros dos projetos foi igualmente fundamental, proporcionando-me experiências e desafios que contribuíram decisivamente para o meu crescimento.

Ao longo do desenvolvimento da pipeline para deteção de paletes e da sua adaptação para a indústria automóvel, quais foram os maiores desafios técnicos – e como conseguiu ultrapassá-los?

Um dos principais desafios foi desenvolver uma solução suficientemente flexível para funcionar em diferentes contextos industriais. Desde o início, procurou-se criar uma pipeline compatível com câmaras RGB-D de baixo custo, tornando a solução mais acessível. Naturalmente, este tipo de sensores apresenta limitações na qualidade dos dados, pelo que foi necessário desenvolver mecanismos que permitissem ajustar diversos parâmetros da pipeline para otimizar o desempenho em função da câmara utilizada.

Outro desafio importante foi adaptar a solução de deteção de paletes para caixas metálicas de transporte utilizadas na indústria automóvel. Embora a deteção inicial seja realizada através de modelos de Inteligência Artificial, todo o processamento posterior da nuvem de pontos foi desenvolvido de forma a ser agnóstico quanto ao tipo de objeto, explorando sobretudo as suas características geométricas. Esta abordagem permitiu reutilizar a mesma base tecnológica em diferentes aplicações industriais.

Ver a sua solução validada por parceiros como os CTT, Navigator, SONAE e Stellantis deve ter sido um momento marcante; o que significa para si saber que um trabalho iniciado ainda durante a licenciatura teve um impacto tão relevante na indústria?

Foi, sem dúvida, um dos momentos mais gratificantes deste percurso. Saber que um trabalho iniciado durante a licenciatura foi validado por empresas de referência demonstra que a investigação pode efetivamente responder às necessidades reais da indústria. É também uma enorme motivação perceber que as soluções desenvolvidas têm potencial para gerar valor e contribuir para a adoção de novas tecnologias em ambientes industriais.

Do que mais gosta no seu trabalho?

O que mais me motiva é a possibilidade de resolver desafios reais através da ciência e da tecnologia. Gosto particularmente de trabalhar em problemas concretos da indústria e de acompanhar o percurso de uma ideia desde a investigação até à sua aplicação prática. Além disso, a colaboração com parceiros industriais permite validar as soluções desenvolvidas em contextos reais e perceber o impacto que estas podem ter quando são integradas em processos produtivos.

Como comenta esta nomeação?

Recebo esta nomeação com grande satisfação e como um reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo destes anos. Gostaria de agradecer à coordenação do CRIIS pela nomeação e a todos os colegas e orientadores com quem tive a oportunidade de trabalhar pelo apoio e pela partilha de conhecimento que foram essenciais para este percurso.

Pedro Senna

“Ao longo dos últimos meses, o Pedro demonstrou um desempenho excecional na gestão dos vários PPS e respetivos dossiers do projeto PRODUTECH R3, assegurando o acompanhamento de mais de 20 processos em simultâneo, com elevado rigor, organização e capacidade de resposta. O seu trabalho foi determinante para garantir o cumprimento de prazos, a qualidade da documentação e a articulação eficaz entre os diversos parceiros envolvidos. Para além desta responsabilidade, o Pedro prestou um apoio essencial às várias Agendas Mobilizadoras do PRR, evidenciando um elevado espírito de colaboração, disponibilidade e sentido de responsabilidade. A sua capacidade para lidar com múltiplos processos complexos em paralelo e para apoiar as equipas em momentos críticos constituiu um contributo muito relevante para o sucesso das iniciativas em que esteve envolvido. O Pedro, como elemento essencial na equipa do PMO, aceitou o desafio de estender o trabalho que estava a fazer na agenda Produtech para as restantes agendas em que o INESC TEC tinha forte presença e responsabilidade, tendo dado um contributo valioso a muitos dos colegas, esclarecendo dúvidas e estruturando procedimentos. Este apoio foi essencial para o nosso sucesso na finalização dos vários PPS das agendas mobilizadoras em que estamos envolvidos, por isso merece este destaque”.

– Coordenação do SYSTEM e Luís Seca

Ao longo dos últimos meses, geriu em simultâneo mais de 20 processos no âmbito do PRODUTECH R3 e apoiou várias Agendas Mobilizadoras do PRR; como consegue manter a organização e responder eficazmente a tantas frentes em paralelo?

Antes de referir a qualquer processo ou forma de agir pessoal, tenho de reconhecer e agradecer pelo excelente trabalho que as equipas técnicas e operacionais com quem trabalhei exerceram as suas atividades. Este processo foi muito facilitado porque as equipas dos centros que participam quer do PRODUTECH R3, quer das restantes Agendas Mobilizadoras, são altamente profissionais e têm um senso de pertencimento e de qualidade de entrega inquestionáveis. Ao nível mais pessoal, esta combinação de características está alinhada com duas vertentes que acabam por complementar-se: (i) a verificação do tempo de resposta para cada nova requisição acompanhado de um mecanismo de trabalho no estilo “Pomodoro” 50-5 – 50 minutos de trabalho em tarefas específicas, 5 minutos para ler e responder emails; (ii) ter em referência o lema “treino difícil, combate fácil”, onde se tem a mentalidade otimista enquanto se identifica, planeia e, se necessário, coloca-se em execução tarefas para colmatar cenários mais adversos. Nada disso, porém, funcionaria sem uma constante comunicação com os coordenadores de centros, líderes de equipas e colaboradores que efetivamente contribuem para os resultados das tarefas e atividades.

Aceitou o desafio de alargar o seu apoio a outras Agendas Mobilizadoras, ajudando colegas, esclarecendo dúvidas e estruturando procedimentos. O que significou para si assumir esse papel e o que retirou desta experiência?

Foi uma oportunidade para sair da zona de conforto e ampliar horizontes, dando foco maior nas atividades de gestão, algo que descobri como um caminho que trouxesse valor adicionado aos diversos desenvolvimentos do INESC TEC. Portanto, significou o momento de virar uma chave interna e perceber como poderia contribuir para os resultados institucionais com valências menos “tech”, mas que ainda assim permitissem aos colegas ter o foco necessário ao retirar o peso burocrático e/ou administrativo destes projetos, que por vezes acabam por esgotar mentalmente e prejudicam o bom desempenho operacional. Agradeço à administração, ao PMO e ao CESE/SYSTEM por proporcionarem esta mudança, que foi gradual, mas que sempre seguiu o mesmo caminho rumo a gestão de programas e de projetos. Adquiri muitos aprendizados relativos ao equilíbrio emocional, perceção de comunicação eficiente e flexível consoante os perfis dos colaboradores internos e externos, assertividade na tomada de decisão – associada, sempre, a assumir a responsabilidade e defender as equipas de possíveis atritos, e um sentimento de pertencimento genuíno a um grupo de colaboradores que causa disrupção positiva, a tal destruição criativa, através de desenvolvimento técnico-científico de ponta.

Grande parte do seu trabalho acontece nos “bastidores”, mas é essencial para o sucesso dos projetos; o que mais o motiva neste tipo de funções e que impacto gosta de sentir no trabalho das equipas que apoia?

Frequentemente, a motivação está em observar meus colegas mais “livres” e capazes de entregar acima do que foi acordado, superando as expectativas dos nossos principais stakeholders – sejam eles outras equipas internas, parceiros de desenvolvimento tecnológico, ou empresas de renome do tecido industrial português. É o famoso caso dos serviços que funcionam em “bastidor”, no qual o seu trabalho acaba por ser reconhecido quanto menor o destaque, porque permite dar maior liberdade àqueles que transformam planos, tarefas, objetivos e metas em resultados reais, tangíveis, e que agregam valor aos nossos parceiros. Poder fazer parte desta engrenagem silenciosa, que funciona em sintonia e colaboração com os demais serviços internos, de maneira a libertas as equipas técnico-operacionais para direcionarem seus esforços à I&D sem se preocuparem com questões de gestão, administrativas ou burocráticas, é o que, verdadeiramente, mais traz orgulho e sentimento de pertencimento. Cada elemento deste puzzle, ao seu modo e sob suas melhores condições, contribui para que o todo seja entregue, de uma forma que não só cumpra o mínimo acordado, mas supere em muito as expectativas. Esta simbiose interna leva, por vezes, a gerar uma surpresa tamanha aos nossos parceiros que os motiva a querer continuar a colaborar reiteradamente connosco de forma passiva, duradoura e harmoniosa.

Do que mais gosta no seu trabalho?

De poder estar imerso em um ambiente de alto desempenho, de alta qualidade técnica e de rigor científico. Mais, um ambiente que é humano, e que, antes de tudo, preza por resultados sustentáveis e que correspondem às necessidades dos nossos parceiros. É muito gratificante receber o reconhecimento dos nossos parceiros que são claramente direcionados aos resultados obtidos pelo trabalho realizado em conjunto. Trabalho este que assegura uma entrega não só com ganhos financeiros e científico-tecnológicos ao INESC TEC; mais do que isso, ganhos de conhecimento e de reputação. Ao meu ver, estes são os nossos maiores trunfos e correspondem ao que almejamos quando enfrentamos os desafios de programas e projetos de inovação com a complexidade e multidisciplinariedade necessária para os responder à altura.

Como comenta esta nomeação?

É especialmente gratificante pelo reconhecimento do trabalho realizado. Agradeço muito ao Luís Seca e à Coordenação do SYSTEM por esta nomeação, que muito me alegra e que só aumenta o sentimento de pertencimento à uma casa tão diversa e valiosa como o INESC TEC. Em particular agradeço também ao António Almeida, que me apresentou este desafio há mais de 3 anos, e com quem tive oportunidade de colaborar na coordenação destas soluções do PRR PRODUTECH R3. Porém, como referi anteriormente, esta nomeação é muito mais um trabalho coletivo das (incrivelmente) mais de centena de colaboradores que lido diariamente – coordenadores, líderes, colaboradores, técnicos – e que são o grande motor de inovação desta instituição. Por este motivo, também endereço o meu reconhecimento e apreço aos colegas que caminharam, e que continuam a caminhar, por estas vias inovadoras e complexas que permeiam o desenvolvimento de soluções disruptivas com ADN INESC TEC. Muito obrigado!

Sofia Varotto

“A Sofia Varotto tem desempenhado um trabalho de excelência no âmbito do projeto STOR-HY, demonstrando elevado rigor, compromisso e capacidade de iniciativa. Foi responsável pela elaboração de dois relatórios, contribuindo de forma muito relevante para o progresso técnico do projeto, e representou o INESC TEC na reunião de revisão intercalar do projeto, na qual apresentou o trabalho desenvolvido, bem como os próximos passos previstos, tendo sido bastante apreciado pelos revisores. Em paralelo, tem desenvolvido o seu trabalho de doutoramento com elevada qualidade científica, evidenciando capacidade para promover avanços relevantes na sua área de investigação, com potencial para novas publicações em revistas internacionais.”

– coordenação do CPES

Representou o INESC TEC na reunião de revisão intercalar do projeto STOR-HY. Como foi apresentar o seu trabalho aos revisores e que feedback recebeu?

Esta foi a minha primeira experiência numa reunião de revisão de um projeto europeu e posso dizer que tudo correu muito bem. O projeto STOR-HY centra-se na redução dos custos de operação de centrais hidroelétricas de bombagem, aumentando simultaneamente a sua durabilidade e o seu contributo para a estabilidade dos sistemas elétricos. Apresentei o progresso do nosso trabalho em dois work packages muito importantes: um dedicado à avaliação da capacidade de cada demonstrador para contribuir para a flexibilidade dos sistemas elétricos, bem como dos seus impactos sociais e ambientais; e outro focado na otimização da operação de uma central hidroelétrica de bombagem híbrida, combinada com energia fotovoltaica e baterias, nos mercados de eletricidade e nos serviços de suporte à frequência.

Até ao momento, temos cumprido o planeamento das nossas tarefas e, apesar de os revisores terem parecido inicialmente um pouco intimidantes (afinal, o trabalho deles é fazer críticas construtivas!), não levantaram qualquer objeção ao nosso trabalho, apenas algumas questões sobre desenvolvimentos futuros.

Ao longo do projeto, ficou responsável por vários deliverables técnicos importantes. Qual considera ter sido o maior desafio e qual foi o aspeto mais gratificante desse trabalho?

Quando entrei para o STOR-HY, em fevereiro do ano passado, apercebi-me rapidamente de que o WP que me tinha sido atribuído estava um pouco fora da minha área de especialização: exigia conhecimentos de dinâmica e controlo de sistemas elétricos que eu não tinha na minha formação em engenharia da energia.

Felizmente, tive a oportunidade de trabalhar com um colega que dominava precisamente os conhecimentos que me faltavam, o Fernando Ribeiro – que recentemente deixou o INESC TEC. O Fernando é um excelente colega de equipa; os nossos papéis no work package eram complementares, sendo que a nossa colaboração foi muito produtiva. Produzimos um dos primeiros deliverables técnicos do projeto (Identification of New Hydropower Requirements) e, antes de sair, deu-me também apoio na preparação de um segundo relativo a um dos demonstradores, a nossa própria central hidroelétrica de bombagem de Alqueva, no Alentejo.

Diria, por isso, que o maior desafio foi lidar com a reduzida familiaridade com o tema do trabalho que me foi atribuído. Por outro lado, os aspetos mais gratificantes desta experiência têm sido alargar os meus conhecimentos numa área que anteriormente me era desconhecida e desenvolver um trabalho de equipa bem-sucedido com um colega tão valioso.

Encontra-se a conciliar o seu trabalho no projeto STOR-HY com a investigação de doutoramento. De que forma estas duas atividades se complementam e contribuem para o seu desenvolvimento como investigadora?

Como acontece quando se faz um doutoramento ao mesmo tempo que se trabalha num centro de investigação, o tema da tese nem sempre coincide totalmente com as áreas exploradas nos restantes projetos. Felizmente, existe uma área de base comum entre o STOR-HY e a minha tese: a integração de sistemas de armazenamento de energia com fontes renováveis, um tema pelo qual tenho um grande interesse.

Enquanto o STOR-HY está centrado na energia hidroelétrica, incluindo configurações híbridas com sistemas fotovoltaicos flutuantes e baterias, a minha tese aborda as energias renováveis offshore e os sistemas de armazenamento de energia. No entanto, o conhecimento sobre a operação de sistemas de armazenamento de energia e os mercados de serviços de sistema foi algo que fui desenvolvendo em paralelo, tanto através do trabalho no STOR-HY como das minhas próprias publicações.

Além disso, sinto-me contente por estar a aprender a trabalhar num projeto europeu, a concluir tarefas e a elaborar entregáveis, colaborando, simultaneamente, com parceiros portugueses e internacionais – tanto da academia, como da indústria.

Do que mais gosta no seu trabalho?

É sempre muito gratificante conseguir compreender temas que antes pareciam completamente incompreensíveis, como referi anteriormente.

No nosso work package dedicado à flexibilidade, estamos a adaptar metodologias desenvolvidas no projeto XFLEX Hydro – já concluído, e no qual o INESC TEC foi um parceiro de destaque – para avaliar a capacidade de cada demonstrador na prestação de serviços de sistema. No entanto, as soluções tecnológicas desenvolvidas no STOR-HY são, por natureza, diferentes, o que obriga a adaptar essa metodologia aos casos de estudo e aos dados de que dispomos atualmente. Este é outro aspeto do trabalho aprecio particularmente: procurar soluções alternativas e criativas.

Falando da minha experiência no CPES de forma mais abrangente, considero que este é um excelente ambiente de trabalho. Tenho a oportunidade de colaborar com colegas de diferentes áreas e com investigadores seniores com muita experiência, aprendendo um pouco com cada um deles. Existe um forte espírito de entreajuda entre colegas, mesmo quando não trabalhamos nos mesmos projetos, e tive também a sorte de estabelecer amizades muito importantes.

Como comenta esta nomeação?

Foi, sinceramente, uma surpresa! Trabalho no INESC TEC e na área da investigação há quase três anos, mas continuo a sentir que estou apenas no início do meu percurso e que ainda tenho muito para aprender. Ainda assim, é muito bom saber que o meu trabalho e o meu empenho são reconhecidos e valorizados; por isso, estou verdadeiramente muito grata.

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