Rúben Queirós
“A coordenação do CTM gostaria de propor para ‘Extraordinário’ o investigador Rúben Queirós. Esta nomeação é sustentada no trabalho exemplar desenvolvido pelo Rúben no contexto projeto europeu OVERWATCH, a par do seu doutoramento em redes sem fios. Destacam-se os contributos do Rúben no desenvolvimento do fallback communications system focando os componentes de comunicações a bordo do tethered drone, assim como a integração de software com o backend cloud liderado por parceiros do projeto. Este sistema, baseado em ligação à Internet via satélites de baixa órbita em complemento com um tethered drone, foi capaz de criar com sucesso uma bolha de comunicações tática de suporte às operações em cenários de emergência, mesmo em cenários de cobertura celular local degradada ou não existente. O nível de excelência do trabalho, reconhecido pela equipa do INESC TEC, pelos parceiros externos e pelos avaliadores do projeto, constituiu um contributo decisivo para atingir com sucesso os objetivos do projeto”.
Esteve envolvido no projeto OVERWATCH; poderia falar-nos um pouco mais sobre esta iniciativa (principais objetivos, fator diferenciador, desafios encontrados, atividades desenvolvidas, etc.)?
O projeto OVERWATCH focou-se no desenvolvimento de um sistema integrado e autónomo para a gestão de emergências e catástrofes naturais como os fogos e as cheias. Um dos fatores diferenciadores foi este sistema de reserva de comunicações tática em cenários onde a rede celular é inexistente ou está degradada. O meu trabalho centrou-se no desenvolvimento deste sistema, especificamente nos componentes a bordo de um tethered drone (drone ligado por cabo que fornece energia e fibra ótica). O principal desafio foi garantir a integração perfeita entre o hardware do drone, a ligação à internet via satélites de baixa órbita (LEO, Starlink) e o backend na cloud dos parceiros. Conseguimos criar uma infraestrutura resiliente que fornece conectividade crítica para equipas de primeira intervenção em cenários extremos.
Tendo participado num projeto europeu, de que forma é que esta experiência pode influenciar o seu percurso futuro enquanto investigador? Há outros domínios que gostasse de explorar?
Participar nos projetos europeus permitiu-me trabalhar diretamente com parceiros internacionais, o que é fundamental para a minha maturidade enquanto investigador. Estas experiências reforçam a minha capacidade de alinhar a investigação mais teórica com as exigências da investigação aplicada e dificuldades práticas, que é algo que eu sempre gostei de explorar.
Como descreve a gestão entre conciliar o trabalho de doutoramento com as responsabilidades técnicas do OVERWATCH? E o que destaca desta experiência?
Pessoalmente, acredito que o trabalho de doutoramento deve ser complementado com estas oportunidades de contribuir para projetos europeus, apesar do investimento de tempo que estes contributos exigem. Tudo se consegue com algum planeamento! O que mais destaco desta experiência é a validação prática: ver um sistema complexo, que integra drones e satélites, a funcionar com sucesso no terreno e a ser reconhecido por avaliadores externos, é extremamente recompensador e dá um propósito acrescido à investigação académica.
Do que mais gosta no seu trabalho?
Gosto de aprender e de estar rodeado de pessoas e problemas que têm algo para me ensinar.
Como comenta esta nomeação?
Recebo esta nomeação com muito entusiasmo. É um reconhecimento gratificante do esforço dedicado ao projeto OVERWATCH. No entanto, este sucesso não vem isolado e queria agradecer a todos os colegas do INESC TEC que tiveram envolvidos no projeto, não só do CTM, mas também do CRAS – em especial: Filipe Teixeira, Sérgio Silva, Helder Fontes, João Pires, André Moura, Ricardo Morais, António Matos, João Pinto, Sara Freitas e Hugo Silva.

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