Tirar partido de soluções robóticas, da recolha e do tratamento de dados, da Inteligência Artificial e das comunicações para dar resposta a desafios científicos e tecnológicos e, com essas ferramentas, tornar a sociedade mais resiliente. É assim que se pode descrever o projeto europeu Overwatch, do qual o INESC TEC foi membro, e que ao longo de três anos contribuiu para o desenvolvimento de soluções para serem implementadas em situações de catástrofe, caracterizadas por ambientes extremos, como é o caso de fogos florestais ou cheias.
Como principais resultados do projeto, que reuniu instituições de cinco países diferentes (Portugal, Polónia, Alemanha, Itália e Dinamarca), destacam-se as ferramentas tecnológicas que podem ser usadas por equipas de socorro – sejam elas para ajudar a “mapear” ou fornecer informação precisa e credível. Para os use-cases considerados, foram desenvolvidos sistemas, por exemplo, “integrando de apoio à decisão, no qual é possível visualizar, de forma integrada, toda a informação recolhida sobre o incidente, incluindo dados de satélite, imagens, dados adquiridos por drones, ortomapas, comunicações e sistemas de realidade aumentada”, explica Hugo Silva, investigador do INESC TEC.
Estes mecanismos foram posteriormente integrados na plataforma – que partilha nome com o projeto – já disponível para ser testada por equipas de resposta a este tipo de situações, durante um período grátis. É, por isso, “algo que pode ser melhorado com o feedback e o contributo dessas equipas”, acrescenta o investigador da área de Robótica, que avança ainda a possibilidade da ferramenta vir a ser adotada pelas mesmas equipas em contexto real.
Enquanto parceiro do projeto, o INESC TEC esteve envolvido com investigadores das áreas da robótica e das telecomunicações, destacando-se duas vertentes operacionais. A primeira visou o desenvolvimento de um sistema de fallback de comunicações via satélite, com recurso a um drone tethered. O sistema, contextualiza Hugo Silva, tem como objetivo “fornecer comunicações às equipas de resposta que estão no local da catástrofe e que, por algum motivo, ficam sem os seus meios de comunicação habituais, ou estão a operar num local onde o sinal/cobertura de rede celular não é o apropriado”.
Este problema já se verificou em Portugal recentemente, associado a situações climáticas extremas, com a perda de comunicações a representar, por um lado, um grave problema para a as equipas de resgate e respetiva capacidade de resposta, como para as próprias populações. Neste sentido, o sistema desenvolvido pelo INESC TEC assume especial relevância, dada a capacidade de mitigar possíveis quebras.
De seguida, destaca-se o desenvolvimento de um novo drone customizado e equipado com uma camara RGB+IR para a “deteção de focos de ignição em tempo-real e também para a produção de ortomapas que ajudem as equipas de combate aos incêndios nas suas operações, quer na fase de resposta ao incêndio, quer na fase de mitigação e recuperação com o mapeamento da área ardida”.
Em jeito de balanço, Hugo Silva destaca a pertinência das tecnologias desenvolvidas, com elevado potencial de aplicação a breve trecho. “O balanço é positivo, quer pelos resultados alcançados, quer pelo espírito de trabalho demonstrado pelas equipas dos parceiros nacionais e internacionais no projeto”, realça o investigador.
No âmbito do INESC TEC, é também sublinhado o “reforço das sinergias entre as diferentes áreas de investigação – robótica e telecomunicações – no desenvolvimento de soluções tecnológicas e científicas com visibilidade e aplicabilidade concretas na sociedade”, num contexto de alterações climáticas, em que “Portugal está vulnerável e exposto a este tipo de acontecimentos, com possibilidade de perdas materiais elevadas e até perdas humanas”, conclui o investigador.

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