Como se simula o imprevisível? INESC TEC desenvolve tecnologia para simulação de cenários complexos com recurso a IA

Quando o tempo é pouco e as decisões críticas, ter um sistema de apoio inteligente pode fazer a diferença. E o INESC TEC está a construir esse futuro no âmbito do recém iniciado projeto europeu BATTLEVERSE.

São 14,9 milhões de euros concedidos pela Comissão Europeia, ao abrigo do Fundo Europeu de Defesa 2024, para durante 36 meses 24 instituições criarem uma ponte entre ambientes reais e virtuais que apoiem o planeamento e execução de missões de forma dinâmica e eficaz através de simulações. O objetivo principal passa por criar um ecossistema europeu avançado para apoiar o planeamento militar, a simulação e a tomada de decisão em operações complexas e multi-domínio (terra, mar, ar, espaço e ciberespaço), combinando interoperabilidade, simulação rápida e Inteligência Artificial (IA) de forma responsável.

Recorrendo à geração de cenários baseados em IA e a técnicas de aprendizagem, o BATTLEVERSE vai permitir executar virtualmente cenários de missão complexos, fornecendo informação acionável sobre a dinâmica do campo de operações e melhorando os tempos de resposta. A solução vai disponibilizar aos comandantes das missões um espaço de operações virtual e interativo, enriquecido com gémeos digitais (digital twins) de ativos, terrenos e condições meteorológicas, para testar com precisão múltiplos cursos de ação e simular possíveis respostas adversárias.

“Um dos aspetos mais distintivos deste projeto é a utilização de um paradigma chamado MSaaS – Modeling and Simulation as a Service –, que permite que diferentes sistemas e organizações trabalhem de forma integrada e eficiente”, explica Fernando Cassola, um dos investigadores do INESC TEC envolvidos neste projeto, que vai tentar garantir que as ferramentas de apoio à decisão usadas neste projeto são compreensíveis transparentes e controláveis por quem as utiliza.

Há duas grandes dimensões científicas a participar neste projeto. Por um lado, investigadores que trabalham a questão dos ambientes imersivos e a interação centrada no humano, como Fernando Cassola, e, por outro, investigadores do lado da robótica e sistemas autónomos, como Hugo Silva.

Do lado da robótica, a intervenção do INESC TEC passa por assegurar a aquisição de dados em ambientes reais através de sensores heterogéneos. Os investigadores do lado da robótica vão ainda participar na validação da tecnologia em cenários operacionais.

No caso do INESC TEC, o domínio marítimo tem grande relevância no projeto, até pela ligação ao centro de excelência do Instituto – o INESCTEC.OCEAN. Neste domínio irão existir diferentes casos de uso que vão integrar simulação e digital twins para representar e analisar ambientes costeiros e oceânicos.

Com o BATTLEVERSE, o INESC TEC volta a reforçar o seu papel no desenvolvimento de soluções tecnológicas europeias inovadoras, contribuindo para ecossistemas de simulação reutilizáveis e para a abertura deste setor a novas empresas e atores de inovação.

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