Acessibilidade. Diversidade. Inclusão. No século XXI, os termos povoam as conversas, os debates, os feeds de redes sociais mais do que nunca. As preocupações com a diferença são mais vocalizadas, as posições mais expostas e as dificuldades de quem vive com a diferença são, finalmente, encaradas como um problema de toda a sociedade.
No INESC TEC, há muito que a Comissão para a Diversidade e Inclusão desafia a comunidade a olhar para o dia a dia na Instituição de uma forma mais inclusiva, dando visibilidade a experiências, identificando desigualdades e promovendo medidas de acessibilidade e igualdade.
Foi neste contexto que o INESC TEC participou na iniciativa internacional Global Accessibility Awareness Day – GAAD 2026, com o evento “Dia Global de Sensibilização para a Acessibilidade – Vivenciar a Acessibilidade, Sensibilização, Barreiras e Inclusão na Prática”. Durante uma tarde, o foco foi mostrar, através de estações de trabalho interativas, as barreiras comuns e reunir especialistas em acessibilidade, design inclusivo, tecnologias de apoio e inclusão para abordar o tema.
Tânia Rocha, investigadora do INESC TEC e membro da Comissão para a Diversidade e Inclusão, defende a importância de continuarmos a discutir o tópico da acessibilidade e lembra que as barreiras existentes não são específicas a um grupo de pessoas. Nesse sentido, não só é importante falar sobre o tema, mas também aumentar a consciencialização da comunidade através da experimentação real dessas mesmas barreiras físicas e digitais.
Mas, afinal, o que acontece quando se junta no mesmo debate figuras como Ana Sofia Antunes, ex-Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência e Deputada do Parlamento Português; Lia Ferreira, ex-Deputada do Parlamento Português, Arquiteta e Investigadora especializada em Acessibilidade e Inclusão; Maria van Zeller, Investigadora do INESC TEC; Alice Ribeiro, membro do NAI – Núcleo de Apoio à Inclusão, Universidade do Porto, e Andreia Matos, Fundadora da Adapt4You?
De acordo com Tânia Rocha, “partilham-se perspetivas, experiências, barreiras sentidas no dia a dia em diferentes contextos”. Para Alice Ribeiro, a questão é clara: a diferença exige esforço, e “o esforço é uma coisa que nos custa”. “Exige que eu pare, que olhe para o outro, que o escute verdadeiramente, que tente perceber para além de mim e entender o que o outro está a dizer, como é que ele prefere estar”, desenvolve.
O facto, garante, é que há uma “resistência enorme para este mundo global e aberto”. “Fixamo-nos muito mais no esforço do que nas vantagens deste mundo diverso que nos pode permitir evoluir de forma incrível”, reforça.
Quando o desafio passa por criar tecnologia acessível, Maria van Zeller, investigadora do INESC TEC, é perentória: “Nós estamos todos a falar de Inteligência Artificial, estamos a falar de agentes, mas como é que vamos desenhar estes agentes com estas pessoas? Será que estamos a fazer aquilo que devíamos? Será que estamos a incluir o Humano com necessidades específicas no loop ou só estamos a incluir os Humanos sem essas necessidades?”. Para a investigadora este ponto não é só um detalhe, já que está convicta de que a tecnologia só “é uma ferramenta de inclusão se incluirmos no processo essas pessoas”. A certeza parece ser clara: “desenhar tecnologia sem incluir todo o tipo de utilizadores é um erro e depois as coisas não vão funcionar”.
E quando falamos de tecnologia e acessibilidade, estamos a falar, especificamente, de quê? A resposta é mais abrangente do que possa parecer à primeira vista. E é exatamente no desenvolvimento destas soluções que Andreia Matos se insere. Percebeu desde cedo a importância de pensar em soluções adaptadas, já que “cada pessoa com deficiência é única e tem características bastante distintas”.
Mas há mais. “Antigamente quando alguém, por acidente ou descoberta de alguma doença, passava a ter alguma dificuldade de acessibilidade, achava que a vida tinha acabado ali, que já não conseguia ir a mais sítio nenhum, que não conseguia utilizar certos utensílios, que já não conseguia continuar a estudar ou a trabalhar”, e é com entusiasmo que assegura que atualmente já não é bem assim. “Com o aparecimento de novas tecnologias e novos recursos conseguimos dar esta facilidade às pessoas que têm alguma dificuldade”.
A conclusão parece, por isso, cada vez mais óbvia. “Não é o fim, mas o início de aprender a viver uma nova vida com novos recursos”, remata.

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