INESC TEC desenvolve tecnologia para mitigar alterações climáticas e garantir sustentabilidade hídrica

Os cenários extremos são cada vez mais frequentes e com contornos cada vez mais devastadores para populações e meio ambiente. Secas prolongadas, cheias repentinas e incontroláveis têm vindo a aumentar em frequência e intensidade. E é aqui que entra o projeto WATERKNOW – Infraestrutura de Conhecimento Geoespacial para Gestão de Recursos Hídricos. Levado a cabo pela GEODOURO, o INESC TEC, e a UTAD (CITAB), o projeto está “a desenvolver uma Infraestrutura de Conhecimento Geoespacial (Geospatial Knowledge Infrastructure, GKI) orientada para a gestão inteligente dos recursos hídricos, com foco na prevenção e resposta a fenómenos de seca e outros eventos críticos relacionados com a água”, explica Lino Oliveira, um dos investigadores do INESC TEC envolvidos no projeto.

Imagine, por exemplo, um verão quente onde o Norte de Portugal enfrenta uma seca severa, com níveis de caudal nos rios muito abaixo do normal. O setor agrícola e os municípios dependem da água desses rios e albufeiras para consumo, irrigação e indústria. E, sem informação, a tomada de decisão pode tornar-se difícil.

“Combinando tecnologias geoespaciais avançadas com analítica de dados suportada por inteligência artificial generativa (GenAI), o WATERKNOW disponibilizará previsões hidrológicas de curto prazo e cenários climáticos de médio e longo prazo, instrumentos essenciais para uma tomada de decisão proativa e um planeamento estratégico mais robusto”, assegura o investigador.

Na prática, isso significa que num cenário como este, recorrendo ao WATERKNOW, os modelos de forecast já teriam previsto a redução de caudais, permitindo planeamento antecipado; os cenários climáticos de médio/longo prazo indicam que esta seca se pode prolongar, ajudando a definir estratégias de alocação e racionamento de água e os dados integrados de sensores e LLMs permitem alertas automáticos aos municípios, agricultores e operadores de barragens.

Em concreto, a plataforma WATERKNOW permitirá fornecer informações para a futura gestão e planeamento dos recursos hídricos aplicados a várias bacias hidrográficas no Norte de Portugal, nomeadamente Sabor, Tâmega, Paiva, Ave e Cávado, com condições climáticas muito diversas e com projeções diferenciadas para as próximas décadas que funcionarão como caso de estudo. O objetivo é que possa posteriormente ser estendida a outras realidades.

Para Lino Oliveira, “a implementação de uma GKI para a gestão inteligente dos recursos hídricos beneficiará significativamente da integração de modelos hidrológicos com cenários climáticos. Esta abordagem permitirá a tomada de decisão cientificamente mais informada, ajudando a mitigar os impactos das alterações climáticas e a promover a sustentabilidade dos recursos hídricos”.

A iniciativa reflete a digitalização do setor da água, promovendo plataformas integradas e baseadas em dados para uma gestão cada vez mais preditiva e automatizada, alinhada com a Estratégia Nacional para a Gestão da Água (ENGA) em termos de eficiência hídrica, adaptação climática e disponibilidade sustentável de água.

Com um investimento de mais de 450 mil euros, com o apoio financeiro da União europeia, o projeto ambiciona implementar dois pilotos: um para o setor público e outro dedicado para a produção agrícola, que serão um contributo importante para a Gestão Inteligente dos Recursos Hídricos, num contexto de acentuadas alterações climáticas.

O WATERKNOW prolonga-se até junho de 2028.

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