Dois investigadores do INESC TEC estiveram na Alemanha, no lugar onde se cruzam inovações e tecnologias prontas para causar impacto. Foram três dias para absorver o que de melhor se faz em áreas de relevo para o instituto e explorar futuras colaborações.
Automação industrial, robótica, Inteligência Artificial, sensorização, tecnologia quântica, prototipagem inteligente ou produção sustentável. Podia ser uma amostra do trabalho de investigação do INESC TEC, mas é a descrição de muito do que foram três dias num dos maiores pontos de encontro europeus de inovação e partilha de conhecimento: a Messe Stuttgart.
Foi por lá que andaram os investigadores Roberto Magalhães Silva e Rui Pedro Nascimento, que representaram o Instituto em quatro feiras em Estugarda, entre 6 e 9 de outubro, no espaço de referência para explorar oportunidades de colaboração à escala europeia. E foi isso que o INESC TEC fez em solo alemão.
Durante três dias, os investigadores calcorrearam pavilhões e mostras para divulgar não só os resultados da investigação e desenvolvimento do INESC TEC, mas também para mostrar o que de melhor se faz no país e promover as tecnologias desenvolvidas no âmbito da Agenda PRODUTECH R3 PRR.
“Identificámos tendências emergentes, conhecemos potenciais utilizadores das tecnologias e ainda estabelecemos novas ligações para a transferência de tecnologia e futuras colaborações europeias”, assinala Roberto Magalhães Silva.
O investigador tinha estado recentemente na Alemanha, no final do mês de setembro, para a primeira edição do Europe Defence Expo. Já no evento realizado em Essen, o INESC TEC não tinha faltado à chamada para mostrar como pode ajudar a transferir tecnologias para as empresas.

A viagem a Estugarda tinha o mesmo desígnio. Desta vez, o roteiro começou com a passagem pela VISION, ponto de encontro para a mostra das soluções emergentes na área de visão artificial e sistemas de inspeção. Num primeiro dia “dedicado a observar e aprender”, Rui Pedro Nascimento destaca o facto de ter encontrado o cenário ideal para divulgar os resultados do projeto NGS – New Generation Storage, uma Agenda Mobilizadora do PRR dedicada ao setor das baterias e do armazenamento de energia que terminou recentemente.
“A visão artificial assume um papel cada vez mais relevante na indústria, desde a inspeção e controlo de qualidade à automação e apoio a sistemas de produção mais flexíveis e inteligentes. Estar no terreno permite não só conhecer novas soluções, mas também identificar tecnologias, tendências e possibilidades de aplicação que podem contribuir para os desafios em que trabalhamos”, adianta o investigador.
Houve ainda tempo para explorar como os robôs humanoides estão já a transformar os setores da logística, produção e serviços. A conferência “Humanoid Robots in Action”, que contou com uma comitiva de Shenzhen e atores de relevo na área, foi uma experiência “brutal” para ver em ação o potencial da robótica humanoide, algo que o INESC TEC também já trabalha.
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De acordo com a organização, 90% dos cerca de 9000 participantes na VISION estão envolvidos em decisões de investimento e de compra nas suas empresas. Este dado é um barómetro para o próprio instituto, explica Roberto Magalhães Silva: “Compreendemos para onde o mercado se dirige identificámos necessidades futuras da indústria por forma a garantir que as nossas atividades de investigação e inovação se mantêm alinhadas com as tendências mais revolucionárias que estão a moldar a próxima geração de fabrico inteligente e robótica”.
A mesma toada no segundo dia. Com as atenções viradas para os eventos Motek Messe e Quantum Effects, com a automação industrial, robótica, sistemas de produção e tecnologias emergentes a marcarem a segunda etapa dos investigadores no país germânico.
Novamente num enquadramento “relevante para quem trabalha na ligação entre investigação e indústria”, adianta Rui Nascimento, o INESC TEC partiu o dia em dois: de manhã, a Quantum Effects ofereceu via aberta para o futuro que os sensores quânticos podem abrir para setores críticos como a medicina.
Durante a tarde, o regresso à robótica à boleia da Motek Messe. Neste evento, “foi particularmente gratificante visitar o stand português da PRODUTECH”, destaca Roberto Magalhães Silva. “A presença reforça a visibilidade da inovação portuguesa e cria oportunidades para a transferência de tecnologia, a adoção industrial e futuras colaborações europeias”, acrescenta.
As idas e vindas da Messe Estugarda terminaram com um dia dedicado aos produtos eletrónicos, desde a prototipagem inteligente e a miniaturização até à automação, passando pelos testes e produção sustentável.
Entre as tendências identificadas pelos investigadores do INESC TEC na EFX – Expo for Electronics Manufacturing, estão o aparecimento de equipamentos que funcionam de forma semelhante a impressoras 3D, mas que permitem produzir protótipos de placas de circuito impresso, componentes essenciais de praticamente todos os dispositivos eletrónicos.
Outra tendência bem presente no evento que juntou 4800 especialistas foi a crescente aposta na reciclagem de equipamentos eletrónicos e na economia circular. “Cada vez mais empresas estão a investir em tecnologias para recuperar valor dos resíduos eletrónicos e reduzir a dependência de recursos limitados. Para o INESC TEC, isto é especialmente encorajador: confirma que o nosso trabalho nas áreas da sustentabilidade, da produção avançada e da circularidade está alinhado com as necessidades reais e cada vez mais urgentes do mercado”, ressalva Roberto Magalhães Silva.
No final dos três dias, os investigadores trouxeram na bagagem para o Porto o desejo de verter tudo o que absorveram nos três dias em novas parcerias, propostas mais sólidas e em formas de transferir soluções tecnológicas com impacto mensurável para a indústria.

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