A primeira edição do Europe Defence Expo juntou empresas, institutos de investigação, entidades governamentais e stakeholders de relevo para definir os próximos passos do setor. O INESC TEC não faltou à chamada para mostrar como pode ajudar a transferir tecnologias para as empresas.
Os protagonistas que vão desenhar o futuro do setor da defesa europeu estiveram na Alemanha para a Euro Defence Expo (EUDEX). O INESC TEC não faltou à chamada e esteve presente no evento que concentrou, em quatro dias, demonstrações e discussões sobre como o talento, a tecnologia e a base industrial podem catapultar a Europa neste setor estratégico.
Os investigadores Roberto Magalhães Silva e Luís Santos representaram o INESC TEC em Essen, para demonstrar a experiência do Instituto, que vai coordenar o maior projeto com pegada portuguesa do Fundo Europeu de Defesa, mas também identificar oportunidades de colaboração a partir do contacto com empresas, integradores de sistemas, institutos de investigação e tecnologia e entidades governamentais.
Em paralelo, os investigadores tiveram ainda oportunidade de visitar a Security Essen, feira internacional de referência dedicada à segurança, vigilância e proteção de infraestruturas, permitindo complementar a prospeção tecnológica realizada na EUDEX e alargar a rede de contactos em áreas como a robótica autónoma, os sistemas de vigilância e as plataformas integradas de segurança.
“Para além de dar a conhecer o trabalho desenvolvido pelo INESC TEC, temos vindo a explorar formas de estabelecer parcerias europeias mais sólidas nas áreas da robótica, da autonomia e das tecnologias de dupla utilização”, resume Roberto Magalhães Silva.
Inserido na comitiva da PRODUTECH – Pólo das Tecnologias de Produção em Portugal, o INESC TEC divulgou ainda o trabalho desenvolvido à boleia da Agenda R3 do Pólo.
A participação contou igualmente com um forte enfoque na robótica autónoma para ambiente outdoor terrestre, área apresentada pelo investigador Luís Santos. Os potenciais parceiros demonstraram particular interesse nas plataformas robóticas desenvolvidas e fabricadas pela instituição, cuja aplicação em cenários de agricultura, floresta, proteção civil e defesa tem vindo a ser validada em diversos cenários reais.
“A capacidade de desenvolver internamente sistemas robóticos completos, desde o hardware à autonomia e inteligência, foi frequentemente destacada como um fator diferenciador e de elevado valor acrescentado, especialmente num setor onde a autonomia tecnológica, a adaptabilidade e a rapidez de desenvolvimento constituem fatores críticos”, acrescenta Roberto Magalhães Silva.
Palavra-chave: complementaridade
Para o investigador, a palavra que marcou a experiência nesta primeira edição do evento foi “complementaridade”. “Foi particularmente interessante identificar organizações com pontos fortes altamente complementares, desde fabricantes de robótica a fornecedores de plataformas de segurança, programadores e PME orientadas para a inovação que procuram acelerar a maturação e a adoção das suas tecnologias.”, adianta.
Entre 22 e 25 de setembro, o EUDEX foi palco para trocas de ideias acerca de plataformas robóticas humanoides e semi-humanoides, soluções avançadas de mobilidade para terrenos difíceis, trabalho em equipa entre humanos e robôs e operações autónomas e, entre muito mais, também sobre como fazer a ponte da investigação para a indústria.
A presença na feira permitiu igualmente identificar novos parceiros tecnológicos, fornecedores e fabricantes capazes de contribuir para a evolução das plataformas robóticas do INESC TEC. “Estas interações abriram portas para futuras colaborações que poderão reforçar as competências internas do INESC TEC e acelerar o desenvolvimento de soluções robóticas de elevado desempenho para aplicações nos domínios da defesa, segurança, proteção civil”, sustenta o investigador.
Como RTO (sigla inglesa para Research and Technology Organiations), o papel do INESC TEC, lembra, “não é competir com a indústria, mas sim ajudar a criar a próxima geração de tecnologias, validá-las em ambientes reais e transferi-las para empresas capazes de as expandir e implementar no mercado”.
Com o fim da estadia na Alemanha, chega agora a hora de “transformar as conversas em colaborações” e dar forma a oportunidades “para um setor que se está a tornar cada vez mais importante para a resiliência futura e a autonomia estratégica da Europa”, conclui Roberto Magalhães Silva.

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