O futuro da mobilidade sustentável passa pelo hidrogénio e está a ser desenhado na Península Ibérica

E se o hidrogénio fosse a peça-chave para a mobilidade sustentável? Com o projeto INERH2 será possível criar uma rede uma rede transfronteiriça de investigação entre Portugal e Espanha dedicada ao planeamento, gestão e operação de infraestruturas de carregamento elétrico e de abastecimento de hidrogénio. 

Apesar do crescimento da mobilidade elétrica e do interesse pelo hidrogénio verde, existem ainda muitos desafios relacionados com a interoperabilidade dos sistemas, a cobertura insuficiente das infraestruturas e a sua integração com fontes de energia renovável.

Ao longo dos próximos três anos, os parceiros irão estudar diferentes configurações de estações de carregamento e abastecimento, desenvolver algoritmos de previsão e controlo baseados em inteligência artificial, integrar soluções de armazenamento de energia e explorar estratégias como o Vehicle-to-Grid, que permite aos veículos elétricos interagir com a rede elétrica de forma bidirecional. O projeto prevê ainda a validação das soluções em ambientes reais, avaliando a sua viabilidade técnica e económica antes da transferência para o mercado.

“O INERH2 não olha apenas para a tecnologia isoladamente, mas para a forma como Portugal e Espanha podem cooperar no desenvolvimento de uma rede mais interoperável, sustentável e inteligente de infraestruturas de mobilidade elétrica e hidrogénio”, defende o investigador.

O INESC TEC tem já uma vasta experiência em sistemas de energia, nomeadamente nas áreas de otimização, redes inteligentes, integração de renováveis e plataformas digitais, que colocará ao serviço do projeto, com vista a ultrapassar estes desafios. A instituição participará na definição de casos de uso, no desenvolvimento de modelos para o planeamento de infraestruturas de carregamento e produção de hidrogénio verde e na integração e avaliação das ferramentas desenvolvidas ao longo do projeto.

O objetivo é criar soluções escaláveis que possam apoiar decisões de investimento e operação por parte de entidades públicas, operadores de infraestrutura e empresas tecnológicas. Segundo Filipe Joel Soares, esta fase permitirá “testar configurações de infraestruturas de carregamento elétrico e hidrogénio, avaliar o desempenho das plataformas de gestão inteligente e perceber a sua viabilidade técnica e económica”. O projeto inclui ainda “ações de capitalização, contacto com atores-chave e identificação de barreiras regulatórias, técnicas e de mercado, precisamente para facilitar a continuidade dos resultados após o fim do projeto”.

Até ao final do projeto, os parceiros esperam disponibilizar ferramentas de apoio ao dimensionamento e avaliação de estações de carregamento elétrico e de hidrogénio, produzir recomendações para políticas públicas e definir estratégias que facilitem a adoção destas tecnologias. A dimensão transfronteiriça é uma das principais mais-valias do INERH2, promovendo uma abordagem coordenada entre Portugal e Espanha para o desenvolvimento de uma rede de mobilidade mais sustentável, interoperável e preparada para os desafios da descarbonização.

“O projeto representa uma oportunidade para aplicar conhecimento desenvolvido ao longo de vários anos em desafios concretos da transição energética, contribuindo para infraestruturas mais inteligentes, eficientes e integradas à escala ibérica”, acrescenta Filipe Joel Soares.

O projeto é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do Programa Interreg. Além do INESC TEC, participam no consórcio a Fundación Corporación Tecnológica de Andalucía, o Instituto Tecnológico de Galicia, a Universidade de Sevilha, o Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA), a Universidade do Algarve, a AREAL – Agência Regional de Energia e Ambiente do Algarve e o Vasco da Gama CoLAB. O projeto conta ainda com a participação da Junta de Andalucía, da Asociación Andaluza de Hidrógeno e da Endesa X Way como parceiros associados.

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