Segurança dos portais de serviços públicos em teste: investigadores do INESC TEC levam resultados a vários palcos

Da avaliação das câmaras municipais portuguesas a mais de três mil portais de serviços públicos em todo o mundo, o trabalho dos investigadores do INESC TEC Diogo Ribeiro e João Marco Silva coloca a cibersegurança da administração pública no centro do debate. 

Os portais online das câmaras municipais são hoje a porta de entrada para muitos cidadãos aos serviços estatais. É nestas plataformas que se submetem documentos, consultam-se processos e partilham-se dados pessoais. Mas até que ponto esses canais são seguros? É a esta pergunta que Diogo Ribeiro, investigador do INESC TEC e doutorando da Universidade do Minho, e João Marco Silva, também investigador do INESC TEC e docente na Escola de Engenharia da Universidade do Minho, têm vindo a tentar responder e as conclusões merecem atenção. 

A análise mundial foi apresentada na última edição do meetup da Open Worldwide Application Security Project (OWASP), no Porto, uma das organizações de referência mundial em segurança aplicacional. A apresentação “Peeking Behind the Portal: Assessing E-Gov Security in Practice” cruzou dados de publicações científicas realizadas neste âmbito para traçar um retrato da segurança de mais de três mil portais de serviços públicos em todo o mundo, em particular, quais são as vulnerabilidades mais comuns, os problemas de configuração recorrentes e, sobretudo, o que está em causa para os cidadãos que interagem regularmente com estes sistemas. 

Os meetups da OWASP Porto são encontros informais da comunidade de cibersegurança da região, realizados a cada dois meses, que reúnem profissionais da área, incluindo representantes da indústria, num espaço de partilha e discussão de ideias. “Estes encontros são uma oportunidade única para partilhar os resultados da investigação com quem está no terreno todos os dias”, descreve Diogo Ribeiro. 

Este trabalho teve início no território nacional. No âmbito do Índice de Presença na Internet das Câmaras Municipais (IPIC), estudo bienal desenvolvido pela Universidade do Minho, pela Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) e pela Unidade de Governação Eletrónica da Universidade das Nações Unidas (UNU-EGOV), investigadores do INESC TEC foram responsáveis pela avaliação da postura de segurança dos 308 municípios portugueses, uma das principais novidades da edição de 2026. Os resultados foram apresentados por João Marco Silva na sessão de apresentação de resultados, realizada nas instalações da UNU-EGOV, no campus de Couros, em Guimarães, e contou com a presença de representantes de vários municípios. 

“O objetivo não é apenas medir problemas, mas também contribuir para a sua resolução”, sublinha João Marco Silva. Para o INESC TEC, estes resultados reforçam o papel da investigação aplicada na melhoria da segurança digital do Estado. 

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