É uma das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e está a criar um modelo de Fábrica do Futuro. Se já leu sobre como a DRIVOLUTION, saiba que o trabalho não se resume ao desenvolvimento de um Veículo Aéreo Autónomo destinado a executar operações logísticas em armazéns industriais. Vamos descobrir?
A Agenda Drivolution é uma iniciativa voltada para a indústria automóvel, que desenvolve um conjunto de ações para desenvolver novos produtos, processos ou serviços (PPS).
Na Fábrica da EDA – Estofagem de Assentos, uma unidade de produção e subsidiária da FORVIA, em Nelas, está a ser testada mais solução nesse sentido.
“A KIT-AR é uma solução de realidade aumentada industrial que dá suporte ao operário no chão de fábrica, dando instruções passo a passo, contextualizadas com o trabalho que eles têm de fazer”, explica Manuel Oliveira, CEO da SkillAugment, responsável por desenvolver uma solução de software que recorre a “ utilização de óculos de realidade aumentada para ajudar no controlo final de qualidade tanto do encosto como do assento de automóveis”, acrescenta Roberto Pinheiro, engenheiro de processo na Fábrica de Nelas.
A solução foi desenhada para dar resposta a um problema real: o facto de que “há defeitos de qualidade que aparecem no cliente final e que podem ter acontecido na fábrica, porque o operador não realizou o controlo de forma adequada”, continua.
Tratando-se de uma multinacional especialista em bancos de automóveis, que prima pela digitalização, a integração neste projeto foi um passo natural, na ótica de Rui Sousa, diretor de produção da FORVIA da Fábrica de Nelas. “Queremos que traga benefícios ao nível dos operadores, que seja mais fácil para eles controlarem este tipo de pontos, que traga mais qualidade aos nossos bancos e que diminua ou elimine por completo as reclamações que possamos ter do nosso cliente”.
Mas, na prática, como funciona a solução? Manuel Oliveira explicou que o software que desenvolveram tem como grande inovação a qualidade e a criação dinâmica das instruções para o contexto atual. “Ou seja, dependendo do produto que estiver na estação de trabalho, as instruções são dinamicamente criadas tendo em conta o que a pessoa precisa de fazer, que ferramentas precisa utilizar e, neste caso particular, tem a ver com a inspeção visual”. O Operador coloca uns óculos de realidade aumentada, “vê exatamente o que está a sua volta e tem informação a dizer para olhar para determinado ponto, ir buscar material a determinado sítio, ver o desenho técnico de referência. Depois têm checks para indicar se a pessoa terminou a tarefa ou se há alguns casos que não estejam bem”.
No final, fica tudo registado e o operador já não perde tempo a fazer documentação em papel ou ir a um terminal e com a vantagem de assegurar a melhoria continua do processo, sendo uma ferramenta digital para suporte “lean”
INESC TEC avalia solução no ambiente real
Neste contexto, o INESC TEC trabalhou colaborativamente com a empresa SkillAugment nas atividades de investigação e desenvolvimento tecnológico, nomeadamente na caracterização e especificação de use cases para o piloto e para a solução e, posteriormente, na avaliação da solução em ambiente real.
“O trabalho do INESC TEC passa muito por perceber quais são as principais barreiras ou desafios à implementação destas soluções para depois melhorar o processo de adoção deste tipo de tecnologias”, explica Ana Simões que, a par de Filipa Ramalho, faz parte da equipa do INESC TEC dedicada à investigação neste projeto.
O processo de validação da solução, levado a cabo pelo INESC TEC, inclui uma observação de campo, realizada antes e depois da sua implementação. Numa primeira fase, a equipa identifica as dificuldades sentidas pelo operador a nível ergonómico, de carga cognitiva e da própria operação; posteriormente, analisa de que forma o operador se adapta aos óculos e ajusta a sua atividade à nova ferramenta, voltando a registar as dificuldades encontradas.
“Neste caso, estamos a estudar a adoção de tecnologias de realidade aumentada no chão de fábrica, centradas no humano”, refere Filipa Ramalho. Um aspeto que considera muito importante “não só por estar a ser trabalhada a componente da adoção organizacional, mas também a adoção do ponto de vista do operador”.
Este acompanhamento é complementado com entrevistas, nas quais o operador compara a nova solução com a que utilizava anteriormente, apontando tanto as mais-valias como os aspetos a melhorar. O conjunto de dados recolhido, através da observação e dos testemunhos dos operadores, permite afinar progressivamente a solução, tornando-a mais adaptada à realidade da fábrica e de quem a utiliza no terreno.
Confiante no impacto que este tipo de soluções tem na indústria automóvel está Ana Simões, que destaca não só “uma melhoria da qualidade do produto”, mas também “a qualidade de vida do operador no seu posto de trabalho”. No fundo, confidencia Filipa Ramalho: “queremos que a tecnologia esteja ao serviço de uma indústria mais eficiente, mais competitiva e também mais centrada no Ser Humano”.

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