Transformar ideias em ações: Comunidade INESC TEC desafiada a pensar o futuro

Como se pensa o futuro de uma instituição de ciência e tecnologia num mundo estimulado cada vez mais pela Inteligência Artificial (IA)? Para a BEAR – Boosting EArly-stage Researchers -, a resposta passou por começar por quem vive diariamente os desafios dessa instituição: a sua comunidade.

Foi com esta premissa que, pela primeira vez, a BEAR – rede interna dedicada aos investigadores em início de carreira do INESC TEC – assumiu a dinamização do Encontro Estratégico da Instituição, um evento interno anual, que, este ano, reuniu cerca de 200 pessoas. Pela primeira vez, o evento deslocou-se da cidade do Porto para um dos polos que o INESC TEC tem mais a Norte, em concreto para a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real. Mais do que o evento, a BEAR quis lançar um desafio: dar voz à comunidade e transformar as suas ideias para o futuro da instituição em ações concretas.

O propósito lançado foi simples: envolver a comunidade na reflexão sobre o futuro do INESC TEC e transformar diferentes perspetivas em contributos capazes de apoiar a definição de prioridades e possíveis ações institucionais. Para isso, a manhã foi dedicada à inspiração, reflexão e recolha de ideias, através da keynote, dos action papers e de diferentes momentos de participação individual. À tarde, esses contributos serviram de base para uma discussão mais estruturada nos grupos de trabalho, onde os participantes foram desafiados a aprofundar propostas, identificar prioridades e construir recomendações concretas em torno de dois temas: “Carreira e Desenvolvimento Profissional” e “Inteligência Artificial”.

Segundo João Claro, presidente do Conselho de Administração do INESC TEC, a deslocalização para a UTAD é importante porque “somos uma instituição com uma implantação geográfica aberta, e essa é uma das nossas fontes distintivas de valor. É importante que os nossos momentos de reflexão e discussão estratégica reflitam também essa realidade”.

Em relação à organização do evento, João Claro afirma que a responsabilização da BEAR reconhece “o papel importante que membros da nossa comunidade em fases iniciais da carreira têm na construção do futuro da instituição”, ao mesmo tempo que destaca os dois temas a debate, “que se cruzam de forma cada vez mais direta, porque a transformação tecnológica do nosso trabalho coloca também questões novas e críticas sobre competências, percursos profissionais e condições para desenvolver ciência de excelência e gerar impacto”.

 

Das ideias à discussão

A reflexão começou com uma pergunta incontornável para qualquer instituição que trabalhe as áreas de ciência e de tecnologia: como irá a Inteligência Artificial transformar a forma como trabalhamos? João Costa Ribeiro, engenheiro de software e Líder de Inteligência em Inovação Aberta da GALP, e keynote no evento, apresentou o tema “Designing our future with AI – between agentic autonomy and human Agency”, num momento em que abordou a gestão híbrida de infraestruturas por parte de ferramentas de IA e de humanos, e para onde esse caminho nos leva.

De seguida, a voz foi dada aos colaboradores para apresentação dos seus action papers. Através da identificação de desafios e ideias práticas concretas para o INESC TEC, foi possível reunir nove propostas de iniciativas institucionais com potencial de aplicação no futuro. As ideias apresentadas trouxeram para a discussão questões tão diversas como a utilização responsável da IA na investigação, novas formas de desenvolvimento de negócio, prioridades de I&D, carreiras de investigação, mobilidade institucional, apoio à parentalidade e ligação à indústria.

“O mais interessante foi perceber que a participação da comunidade não trouxe apenas opiniões, mas informação muito concreta sobre aquilo que as pessoas sentem, valorizam e gostariam de ver evoluir no INESC TEC. Esse tipo de contributo é difícil de captar de outra forma e mostrou como uma abordagem mais aberta e participativa pode ajudar a revelar oportunidades e iniciativas com verdadeiro potencial institucional”, revelam Romão Santos e Carla Gonçalves, investigadores da rede BEAR e responsáveis pela organização do evento.

Embora distintas entre si, as propostas foram capazes de seguir um rumo comum: abordar a capacidade de desenvolver talento, acompanhando a mudança tecnológica, e reforçar a competência por parte do INESC TEC para gerar impacto científico, tecnológico e social nestes novos cenários.

Em conjunto, estes temas foram o mote lançado para a reflexão e discussão que decorreu na parte da tarde, distribuídas por dois grandes grupos de trabalho paralelos, respetivamente Carreira e IA.

 

Quando o futuro começa dentro de portas

E porque pensar o futuro também significa experimentar novas formas de trabalhar, o encontro foi ainda o palco ideal para apresentar uma nova ferramenta interna: a TECA – INESC TEC Institutional Assistant. Com o objetivo simples de tornar o acesso à informação institucional do INESC TEC mais fácil e rápido, esta ferramenta tem por base uma interface conversacional, onde a comunidade pode colocar questões em linguagem natural e obter respostas com base na informação institucional disponibilizada à ferramenta. [Vídeo de apresentação]

Numa fase inicial, a TECA está focada sobretudo em informação relacionada com Recursos Humanos, Projetos e Oportunidades de Financiamento, estando previsto o alargamento progressivo a outras áreas e conteúdos institucionais.

A TECA surge no âmbito das iniciativas desenvolvidas pelo Grupo de Trabalho de Transformação Digital do INESC TEC, que identificou como prioritária a definição de linhas de orientação para a utilização de IA em contexto de investigação no INESC TEC e que, nesse âmbito, explorou a possibilidade de desenvolver uma solução útil para a instituição enquanto forma de facilitar o acesso à informação interna e contribuir para responder a necessidades de gestão do conhecimento institucional.

 

Um Encontro de todos e para todos  

Antes do arranque do evento, um grupo de colaboradores teve ainda oportunidade de visitar o MASSIVE – Virtual Reality Laboratory -, uma das infraestruturas de investigação do INESC TEC. O laboratório de realidade virtual do INESC TEC localiza-se nas instalações da UTAD, e tem como principal objetivo a investigação e desenvolvimento de soluções de realidade virtual multissensorial e experiências imersivas.

Ao chegar à sua 10.ª edição, o Encontro Estratégico procurou, assim, fazer mais do que olhar para o futuro: procurou envolver a comunidade na sua construção. E, ao colocar investigadores em início de carreira no centro da dinamização do encontro, a BEAR trouxe também uma mensagem clara: pensar o futuro de uma instituição é dar espaço às pessoas que irão construí-lo.

 

Sobre a BEAR

Com o objetivo de ser um espaço dinâmico de partilha, colaboração e desenvolvimento profissional no INESC TEC, a BEAR surge no âmbito da adesão em 2025 do INESC TEC à YEAR – Young European Associated Researchers, uma rede europeia que reúne centros de investigação e tecnologia de toda a Europa para capacitar e ligar os seus membros em início de carreira de investigação. No INESC TEC, a BEAR dedica-se em especial à sua comunidade de jovens investigadores, promovendo o desenvolvimento de competências transversais e estratégicas e o intercâmbio de experiências e boas práticas.

A comunidade está em permanente crescimento e todos os jovens investigadores do INESC TEC são convidados a juntar-se à BEAR e a participar nas suas iniciativas. Saiba mais e descubra como aderir aqui.

 

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
EnglishPortugal