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Este mês, estivemos à conversa com João Nuno Ferreira, Coordenador-Geral da FCCN – a unidade de serviços digitais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) –, numa conversa centrada no papel das infraestruturas digitais e da inovação tecnológica no apoio à comunidade científica e académica em Portugal. 

João Nuno Ferreira, também Vice-Presidente da FCT, explorou várias iniciativas, desafios e oportunidades na área da computação avançada, bem como o contributo da FCCN para o desenvolvimento de serviços que potenciam a colaboração, o conhecimento e a investigação a nível nacional e internacional. 

 

Como surgiu a colaboração entre a FCCN e o INESC TEC? 

A colaboração entre a FCCN e o INESC TEC desenvolveu-se no contexto da aposta estratégica da tutela, em ter Portugal na linha da frente dos países que apoiaram a European declaration on High-Performance Computing, assinada no dia 23 de março de 2017 no Digital Day em Roma. Para Portugal conseguir rapidamente recuperar o atraso que tinha nessa altura em HPC, considerou-se essencial estabelecer parcerias estratégicas com entidades relevantes. Nessa altura, o Board of Directors da parceria entre a FCT e a Universidade do Texas em Austin tinha no Board of Directors os Professores José Manuel Mendonça e Rui Oliveira, ambos ligados ao INESC TEC. Uma das vertentes dessa parceria era exatamente o HPC, apoiado na excelência do Texas Advanced Computing Centre (TACC), o que fez com que fosse escolhido como um dos parceiros estratégicos para o desenvolvimento do HPC em Portugal. Terá sido aí que se iniciou a colaboração entre a FCCN e o INESC TEC, creio.   

 

O que representou, para Portugal e para esta parceria, o percurso iniciado com o supercomputador Bob? 

O supercomputador Bob, que esteve em operação entre 2019 e 2023, representou um marco inicial muito importante no reforço da capacidade nacional de computação avançada, criando as bases técnicas e colaborativas que permitiram a evolução para infraestruturas de maior escala e impacto, como o Deucalion. O Bob permitiu retomar as práticas de prestação de serviços partilhados de computação e de criar uma comunidade inicial de utilizadores. Houve diversas dificuldades que tiveram de ser resolvidas na instalação e operação do Bob, que foram resolvidas através da entreajuda e da conjugação de esforços entre a FCCN, o INESC TEC e outras entidades próximas.  

 

No contexto do Deucalion, como avalia o impacto no reforço da capacidade nacional de computação avançada e no apoio à ciência, à inovação e à indústria, e qual tem sido o contributo do INESC TEC nesse contexto? 

Desde que entrou em operação em 2024, o Deucalion reforçou de forma decisiva a capacidade nacional de computação avançada, apoiando mais de 600 projetos científicos, de inovação e de indústria de elevada exigência computacional. O INESC TEC tem tido um contributo bastante relevante na operação, suporte técnico e promoção desta infraestrutura estratégica para Portugal, participando em projetos conjuntos com a FCT, tais como o EuroCC2, EuroCC3 e Fábrica IA BSC. 

 

No âmbito do projeto EuroCC2 e tendo em vista já o EuroCC3, de que forma tem sido estruturada a colaboração entre as várias entidades nacionais, incluindo o INESC TEC? 

No EuroCC2, o Centro Nacional de Competências em HPC (Computação de Alto Desempenho) foi coordenado pela FCT até março de 2026, envolvendo várias entidades nacionais, entre as quais o INESC TEC, que contribuíram com competências técnicas, formação e apoio à adoção de HPC pela academia, indústria e administração pública. Perspetiva-se o reforço desta cooperação no EuroCC3, que se inicia em abril de 2026 e é coordenado pelo CNCA – Centro Nacional de Computação Avançada, entidade à qual a FCT e INESC TEC são associados. A série de projetos EuroCC, desde a sua primeira edição, foi fundamental para apoiar a colaboração entre várias entidades nacionais mais engajadas no desenvolvimento do HPC em Portugal. 

 

O que valoriza nesta experiência com o INESC TEC? 

Destaca-se a forte capacidade técnica, a capacidade de entreajuda e comunicação interdisciplinar entre equipas, a proximidade à comunidade de utilizadores e o compromisso do INESC TEC com a excelência, a inovação e a cooperação com o setor empresarial. Todos estes são fatores essenciais para o sucesso das iniciativas nacionais de computação avançada, impulsionadas pela FCCN, a unidade de serviços digitais da FCT, e que só são possíveis de alcançar por meio de parceiros e entidades no terreno. 

 

O que podemos esperar desta colaboração nos próximos anos? 

Espera-se o aprofundamento da colaboração em torno do CNCA, do Deucalion e das iniciativas EuroCC3 e Fábrica IA BSC, reforçando o acesso à computação avançada, a capacitação de utilizadores e o impacto da ciência e da inovação em Portugal, com contributos tecnológicos e de suporte técnico das equipas do INESC TEC neste ecossistema. Juntos, a acelerar a investigação e inovação em Portugal. O INESC TEC tem ainda sido fundamental na vertente da eficiência energética e nos processos de computação avançada. 

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